nsc
    nsc

    Orgulho de ser Manezinho

    Florianópolis é uma galeria de arte a céu aberto

    Nomes importantes da história cultura do estado se unem a traços de rostos comuns em obras que trazem mais cor e beleza às ruas da capital

    22/03/2021 - 09h08 - Atualizada em: 22/03/2021 - 16h41

    Compartilhe

    Estúdio
    Por Estúdio NSC
    Grafite em Florianópolis
    Painel Cisne Negro, no centro de Florianópolis
    (Foto: )

    Do Império Romano, há mais de dois mil anos, à contestadora Paris de 1968 e à efervescente Nova Iorque da década de 1970, muros, paredes e empenas cegas sempre serviram de tela para que artistas transformassem o cenário urbano com imagens e palavras. Na Florianópolis do século XXI, o grafite vem ganhando cada vez mais espaço, colorindo ruas do Centro e dos bairros com rostos de personalidades e cidadãos que fazem parte da história da cidade.

    Orgulho: sentimento que movimenta Florianópolis

    Mantendo a raiz da contracultura e dos questionamentos sociais, o grafite é, também, uma ferramenta que leva a cultura das ruas a bairros mais elitizados, ao mesmo tempo que populariza a arte nas comunidades.

    Grafite em Florianópolis
    Gugie Cavalcanti trabalhando em painel no bairro Ingleses
    (Foto: )

    O bruxo, a professora-deputada e o cisne negro

    Embora esteja presente há décadas, em muros e viadutos, o grafite de Florianópolis, parcerias entre artistas, poder público e instituições privadas, trouxe um novo fôlego à cena artística em 2017, com o mural em homenagem a Franklin Cascaes, que “inaugurou” uma sequência de gigantes painéis em prédios do Centro da capital. O trabalho, assinado por Thiago Valdi, recebeu continuação no último ano e passou a ter elementos bruxólicos da obra de Cascaes que ganham vida com o uso de realidade aumentada.

    Ao lado de Cascaes, surge, imponente, a importante figura de Antonieta de Barros, retratada também por Valdi, em coautoria com Gugie Cavalcanti e Tuane Ferreira. Mandalas de renda de bilro sobre os tons magenta representam as rendeiras, “Marias da Ilha” – em alusão ao pseudônimo usado por Antonieta em alguns de seus escritos.

    Antonieta não se considerava escritora, ao contrário de Cruz e Sousa, o poeta simbolista estudado em cursos de literatura em todo o mundo, homenageado em obra ao lado do palácio que leva seu nome, na Praça XV de Novembro. O artista Rodrigo Rizo mergulhou no universo transcendental do poeta para compor o mural “Cisne Negro de Desterro”.

    A natureza e a gente de Florianópolis

    Recentemente, a fauna, a flora, os povos primitivos e as pessoas “comuns” da cidade também foram imortalizadas nos murais de arte urbana.

    Em “Natureza do Desterro”, a alegoria criada por Rizo nos altos da rua Felipe Schmidt traz plantas e animais daqui em torno de uma figura feminina que emerge da água – como uma ilha –, para o artista, trata-se de “um espírito feminino que representa a mãe natureza”.

    A obra mais nova dessa galeria a céu aberto está localizada na rua Tenente Silveira e traz um retrato de pessoas comuns: um abraço de Mário Mariano de Assis, motorista de aplicativo, em sua esposa, Elza. O painel, realizado por Gugie Cavalcanti, foi uma iniciativa da empresa para qual o motorista trabalha e tem como ideal humanizar seus colaboradores.

    — Nesse abraço, busquei retratar as pessoas com seus afetos, desenvolvendo autoestima e representatividade. Acredito que homenagear a história do seu Mário e da dona Elza é homenagear um pouco cada um de nós, trabalhadores, que fizemos parte do dia a dia da cidade, é dar importância à vida de mulheres, pessoas negras, LGBTs e todos que, de alguma maneira, se sentem invisibilizados. Essa produção traz o meu pensamento e meu grito por uma sociedade mais inclusiva, diversa e com relações mais verdadeiras – explica Gugie Cavalcanti.

    Grafite em Florianópolis
    O abraço de Mário Mariano de Assis em Elza
    (Foto: )

    Além do Centro, outras comunidades ganham vida com a arte urbana

    No fim de 2020, o Conjunto Habitacional Via Expressa, no Abraão (parte continental de Florianópolis), recebeu uma galeria vertical com seis murais, pintados em fachadas e empenas cegas dos prédios. A ação foi coordenada por Rodrigo Rizo, recebeu investimentos via Lei Municipal de Incentivo à Cultura, e pôde ser realizada graças à parceria e ao trabalho dos artistas visuais que fazem parte do projeto Street Art Tour Floripa.

    O grupo é responsável por inúmeras ações de arte urbana na Grande Florianópolis, que podem ser “visitadas” também e pelo aplicativo Street Art Tour.

    Confira o especial Orgulho de ser Manezinho

    Leia também

    Prefeitos vão rediscutir medidas contra colapso da Covid na Grande Florianópolis

    Deixe seu comentário:

    Últimas notícias

    Loading... Todas de Especiais Publicitários

    Colunistas