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PROTESTO

Florianópolis tem cinco horas de manifestação pacífica pela educação

Atos uniram estudantes, professores, pais de alunos e comunidade. Foi um dos maiores protestos já registrados na cidade

15/05/2019 - 21h04 - Atualizada em: 16/05/2019 - 07h33

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Por Camila Levien
Multidão reunida no Largo da Catedral, no Centro de Florianópolis
(Foto: )

O som que reverberou no Centro de Florianópolis, nesta quarta-feira (15), gritava em alto e bom tom que cortes na educação não seriam tolerados. Frases como "Ô Bolsonaro, não vem com essa não, tira a tesoura da educação" e "A minha arma é a educação" eram ditas em uníssono por uma multidão de 20 mil pessoas. Estudantes, professores, crianças e adultos caminharam lado a lado durante cinco horas de manifestação pacífica.

Os primeiros a saírem pelas ruas da cidade, às 13h30, foram os estudantes da UFSC e Udesc. Eles paralisaram o trânsito em uma das vias da Avenida Beira-Mar Norte e depois seguiram em direção à Mauro Ramos, onde se uniram aos alunos do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). Logo foram ao encontro da multidão concentrada em frente à Catedral Metropolitana.

Os rostos vistos por ali eram de pessoas preocupadas com o futuro de seus filhos. A professora Priscila Queiroz levou a filha Clara, de 7 anos, e mais duas amigas da menina para o protesto.

— Vim com a minha filha porque eu quero que ela entenda o motivo de não ter tido aula hoje. É importante que a gente não aceite esses cortes na educação. Todos têm direito à educação pública e de qualidade. E é por isso que estamos aqui, eu e ela — comentou Priscila.

Ao sair da Praça XV, por volta das 16h, o grupo seguiu em direção à Secretaria Estadual de Educação, no calçadão da Rua João Pinto. Entretanto, os caminhos tomados foram divergentes. A multidão se dividiu em três.

Um grande grupo seguiu imediatamente pela Avenida Paulo Fontes, em direção ao Ticen, ponto final de encontro acordado no início da mobilização. Esse era formado majoritariamente por estudantes da UFSC e IFSC, que bloquearam o trânsito da via, e é nesse momento que um motorista surpreendeu. Ele parou o carro, saiu do veículo, contemplou o público e bateu palmas.

O nome dele é Paulo, funcionário público, e decidiu ficar por ali e também se unir ao movimento.

Motorista observando grupo de manifestantes
Funcionário público, Paulo parou o carro se uniu ao movimento no Centro da Capital
(Foto: )

— Acho que é muito importante para a sociedade e para o crescimento deles (dos estudantes) enquanto cidadãos. A questão dos cortes da educação é super problemática. Eu acho que a sociedade e, principalmente, os estudantes têm que apontar essa contradição para que a gente abra os olhos quanto a isso — declarou.

Multidão aglomerada em frente ao Terminal Central de Florianópolis
Multidão aglomerada em frente ao Terminal Central de Florianópolis
(Foto: )

O segundo grupo seguiu pela Rua Tenente Silveira, chegando ao Terminal do Centro (Ticen) por volta das 17h30. O terceiro, de aproximadamente duas mil pessoas - segundo a Polícia Militar - permaneceu até o fim da mobilização, às 18h30, na praça Tancredo Neves, em frente à Assembleia Legislativa (Alesc).

A Polícia Militar e a Guarda Municipal acompanharam todo o trajeto dos manifestantes na Capital. Segundo o tenente coronel Fernando André, essa foi uma das maiores manifestações em Florianópolis desde o movimento "Vem para a Rua", em 2013. Apesar do grande público, a PM não registrou ocorrências nesta quarta-feira.

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