Florianópolis registrou uma queda de 52,5% nos casos de doenças diarreicas agudas (DDA) entre o final do ano passado e o início de janeiro, na comparação com o mesmo período do ano passado. Dados divulgados nesta quarta-feira (7) pela Secretaria de Saúde da Capital apontam um cenário mais favorável em relação às chamadas “viroses de verão”, com 466 atendimentos na rede municipal de saúde de 29 de dezembro de 2025 a 4 de janeiro deste ano, menos da metade dos 988 registros contabilizados no mesmo período da temporada anterior.
Continua depois da publicidade
Segundo a prefeitura, o resultado é reflexo de ações adotadas de forma preventiva, como a ampliação das orientações à população sobre cuidados com higiene, consumo seguro de água e alimentos, além de fiscalização de estabelecimentos e do comércio irregular, especialmente os relacionados a venda de alimentos com preparo e armazenamento inadequado.
De acordo com o superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde, Fábio Gaudenzi, as viroses tendem a aumentar no verão por uma série de fatores, incluindo as temperaturas elevadas que, associadas a maior umidade, favorecem a sobrevivência e a estabilidade ambiental de alguns vírus. Outro ponto é a maior circulação de pessoas, como em Florianópolis, que recebe milhões de turistas durante o verão e, consequentemente, promove aglomerações em praias, piscinas, festas e eventos, “o que amplia as oportunidades de transmissão fecal-oral e respiratória”, segundo o médico.
Nesta época do ano, os tipos mais comuns são as viroses gastrointestinais, causadas principalmente por norovírus, rotavírus, adenovírus entéricos e astrovírus, responsáveis por quadros de diarreia aguda, vômitos e dor abdominal. Por isso, o consumo de alimentos contaminados ou mal refrigerados também é um fator que leva à população ao contato com mais vírus durante esta época do ano, além da exposição a água contaminada.
— É importante lembrar também que parte das gastroenterites que ocorrem no período de verão não são propriamente viroses. Podem ocorrer também doenças bacterianas pelo consumo de alimentos contaminados ou mal refrigerados, e podem ocorrer as exacerbações de alergias alimentares — destaca.
Continua depois da publicidade
Como medidas preventivas, o médico cita a higienização rigorosa das mãos com água e sabão ou álcool a 70%, principalmente antes de consumir alimentos e após usar os banheiros. Também deve-se evitar, se possível alimentos crus ou mal refrigerados, além da ingestão de água de procedência desconhecida. Gaudenzi também recomenda que a população sempre busque praias balneáveis para atividades de lazer, evitando locais impróprios para banho.
Não se deve, também, segundo o médico, compartilhar objetos pessoais e manter contato próximo com pessoas que estão com sintomas de alguma virose. Isso porque alguns vírus entéricos são transmitidos pelo contato de pessoa a pessoa ou por meio de objetos como celulares, maçanetas e toalhas. Além disso, é necessário manter o calendário vacinal atualizado.
Para quem sofre com a doença, a principal recomendação é manter uma boa hidratação e utilizar soro de reidratação oral, inclusive após cada evacuação. Também é importante evitar alimentos gordurosos e dar preferência a refeições leves.
— Para a maioria das viroses, o tratamento é essencialmente de suporte, uma vez que antibióticos não têm efeito contra vírus — afirma o superintendente.
Continua depois da publicidade
A prevenção começa com atitudes simples, como lavar as mãos com água e sabão ou solução antisséptica com frequência, principalmente antes das refeições e após usar sanitários ou transporte público. Também é essencial consumir apenas água tratada e de fonte segura. O uso de gelo de procedência desconhecida deve ser evitado.
Apesar do cenário de melhora, o município reforça que a população deve permanecer atenta a qualquer sintoma. A desidratação é a principal complicação da diarreia e pode se agravar rapidamente, sobretudo em crianças e idosos. Outros grupos mais vulneráveis e com risco maior de adoecimento e de evolução para formas mais graves são pessoas imunossuprimidas e pessoas com doenças crônicas, como cardiopatias, doenças renais e diabetes.
A orientação é procurar atendimento de saúde em caso de três ou mais episódios de diarreia em um intervalo de 24 horas, vômitos ou febre persistentes, sede intensa, redução da urina, recusa de alimentos ou presença de sangue nas fezes. Moradores e turistas podem entrar em contato com o Alô Saúde, pelo telefone 0800 333 3233, para receber orientações adequadas, ou procurar a UPA mais próxima.


