Em outubro, o Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon), em Florianópolis, passou a oferecer um procedimento para o controle da dor em pacientes com câncer, pioneiro no Sistema Único de Saúde (SUS) em Santa Catarina. A alcoolização de plexo, também conhecida como neurólise do plexo celíaco, representa um avanço significativo na qualidade de vida dos pacientes, de acordo com o governo do Estado, responsável pela intituição médica.

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O tratamento é realizado especialmente em pacientes oncológicos que enfrentam dores intensas decorrentes de tumores avançados, como o câncer de pâncreas. Segundo a Secretaria do Estado de Saúde (SES), a técnica é capaz de eliminar completamente a dor com uma única aplicação, proporcionando conforto e dignidade ao paciente.

De acordo com o diretor geral do Cepon, Marcelo Zanchet, a incorporação desse tipo de procedimento reforça o compromisso da instituição no tratamento da doença.

— Nosso propósito é garantir que os pacientes do SUS tenham acesso ao que há de mais moderno e eficaz no tratamento do câncer. Este é mais um passo importante na consolidação do Cepon como centro de referência em oncologia.

Como funciona o tratamento?

Segundo o oncologista clínico da instituição, Lucas Espíndola, responsável pela implementação da nova modalidade de analgesia, o procedimento atua diretamente sobre a origem da dor.

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— Em certos tipos de câncer, a dor pode ser limitante e a forma mais resolutiva de tratá-la é eliminando o caminho por onde ela passa. É isso que o procedimento de alcoolização faz: por meio de uma agulha precisamente posicionada, é administrada uma substância que interrompe a passagem da dor através do nervo. Trata-se de um grande avanço no manejo da dor agora disponível no SUS para os pacientes do Cepon — explica o médico.

O procedimento é realizado com apoio de tomografia computadorizada, o que garante precisão na aplicação do álcool sobre o nervo acometido. A técnica deve ser executada por um profissional com formação em radiologia intervencionista. No Cepon, o responsável pela execução é Lucas Pazinato, médico da especialidade.

— Tratar a dor de forma assertiva é preservar o que há de mais importante: a dignidade e o bem-estar. Ninguém consegue viver com dor. Por isso, esse tipo de tratamento é uma ferramenta poderosa na oncologia, pois devolve ao paciente a possibilidade de viver com mais conforto — destaca Pazinato.

Embora amplamente utilizado em hospitais privados e centros de referência, o procedimento ainda não é rotina nos serviços públicos de saúde. Atualmente, o centro já realizou as primeiras aplicações com sucesso, beneficiando pacientes que antes não encontravam alívio com tratamentos convencionais.

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*Sob supervisão de Vitória Hasckel