Talvez alguns moradores mais novos não saibam, mas Florianópolis já teve um porto. Localizado no Centro, perto do Mercado Público, em uma área que hoje é aterrada, o complexo foi durante o século 19 a principal porta de entrada e saída de mercadorias de Santa Catarina. De acordo com um estudo da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), em 1850, passavam pelo porto da então Desterro cerca de 65% das exportações do Estado.

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No entorno do porto, nas imediações da Rua Conselheiro Mafra com a Praça XV de Novembro, surgiu um comércio movimentado, com hotéis, pensões, estalagens e restaurantes que atendiam viajantes e trabalhadores. Para vistoriar cargas e cobrar impostos, foi criada uma primeira Alfândega, no prédio da Fazenda Real, que acabou desabando em 1866, deixando 10 mortos e cerca de 20 feridos.

Em 1876, foi construída uma segunda Alfândega, no prédio que atualmente funciona uma loja de artesanato. O edifício se tornou referência, mas o porto começou a enfrentar problemas. A profundidade rasa dificultava a chegada de embarcações maiores, que precisavam atracar na região de Sambaqui, no Norte da Ilha. O transporte de mercadorias por terra aumentava custos e atrapalhava a fiscalização, que já era limitada pela falta de fiscais, embarcações e equipamentos básicos, como balanças e guindastes.

Enquanto isso, outros portos catarinenses recebiam mais investimentos e apresentavam melhores condições naturais. Aos poucos, o movimento em Florianópolis perdeu espaço. Para se ter ideia, em 1937, as exportações eram de apenas 6,9%, conforme o estudo da Udesc.

O fechamento definitivo aconteceu em 1964. Na década seguinte, a Baía Sul passou por aterros, onde foram construídos pontos conhecidos de Florianópolis, como o Terminal de Integração do Centro (Ticen) e o acesso às pontes Colombo Salles e Ivo Silveira. Já a Alfândega foi desativada e o prédio, que havia sido tombado pelo patrimônio histórico em 1975, ganhou novos usos nas décadas seguintes.

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