O projeto do escritório dinamarquês Gehl Architects, que propõe uma série de intervenções no Centro de Florianópolis, foi apresentado e entregue à prefeitura nesta quarta-feira (18). Intitulado “Floripa Centro: Repensando os Espaços Públicos para as Pessoas”, o projeto piloto abrange três áreas: o entorno do Mercado Público, a Rua Esteves Júnior e a Beira-Mar Norte.

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O estudo, iniciado em setembro de 2025 e financiado pela Associação Empresarial de Florianópolis (Acif) e pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Florianópolis, reúne diretrizes e propostas conceituais baseadas em cinco princípios:

  • Mobilidade sustentável
  • Espaços publicos e resiliência climática
  • Bairros completos e inclusivos
  • Projetar para crianças
  • Turismo sazonal

O material foi apresentado no Teatro Álvaro de Carvalho pelos arquitetos Esben Neander Kristensen e Rute Nieto Ferreira, da Gehl Architects, e entregue ao prefeito Topázio Neto (PSD).

Agora, o projeto segue para a fase executiva. De acordo com a secretária de Habitação e Desenvolvimento Urbano de Florianópolis, Ivana Tomasi, a parte referente às mudanças no Mercado Público já tem verba aprovada via Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

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Veja fotos do projeto

Praça-jardim no entorno do Mercado Público

Entre as propostas está a criação de uma praça-jardim na Rua Francisco Tolentino, no entorno do Mercado Público. Conforme o estudo, a área sofre com patrimônio histórico desvalorizado, baixa legibilidade urbana, superfícies impermeáveis e intervenções temporárias.

Com cerca de 8 mil metros quadrados, a praça-jardim prevê a criação de pavilhões gastronômicos, quiosques, fonte interativa de água no solo, áreas de brincar e espaços ampliados para mesas e cadeiras de bares e restaurantes. O projeto inclui ainda vegetação nativa, superfícies permeáveis e jardins de chuva, além de estruturas de sombra, assentos públicos e iluminação.

O espaço ocuparia o camelódromo e o estacionamento, que seriam realocados, conforme o projeto.

— O projeto é uma ideia de futuro a longo prazo. É um projeto complexo, mas a proposta é transformar um espaço privilegiado, hoje usado para carros, em um espaço voltado às pessoas — diz Rute Nieto Ferreira, da Gehl Architects.

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Veja como ficaria o Centro de Florianópolis

Zona escolar na rua Esteves Júnior

O projeto também propõe a implantação de uma zona escolar na Rua Esteves Júnior, incluindo as praças dos Namorados, Esteves Júnior e o Largo São Sebastião. A ideia é promover maior sociabilidade na rua, com mais áreas verdes e foco na circulação de pedestres, em vez de carros.

— O desafio principal é que temos muitas crianças na rua e tão pouco desse espaço é destinado a elas. Em vez de pensar a rua como um canal viário, ela pode se tornar um espaço em que seja normal encontrar um amigo, em que os pais caminham de mão dada com os filhos — afirma.

O projeto inclui medidas de acalmamento do tráfego, áreas organizadas de embarque e desembarque escolar, baia específica para ônibus, bicicletário coberto e melhoria da visibilidade nos pontos de parada. Ao longo da rua, o desenho urbano incorpora arborização para sombreamento, pavimentos mais permeáveis e marcações lúdicas no chão, além de pequenos espaços de convivência com bancos, arquibancadas, mesas de jogos e áreas para atividades culturais e recreativas.

— Sei que tirar os carros preocupa muita gente, que pensa que as pessoas vão deixar de vir ao centro, mas é o contrário. O investimento no espaço público é bom para o comércio, e investir na caminhabilidade da cidade é investir na qualidade de vida — diz Rute Nieto Ferreira.

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Veja como ficaria a rua

Parque linear na Beira-Mar Norte

O projeto apresenta a proposta de um parque linear na orla da Beira-Mar Norte, até o Centro Integrado de Cultura (CIC). O documento traz diretrizes para qualificar as travessias, ampliar a segurança viária e fortalecer as conexões entre o Centro e a orla.

Para promover travessias mais seguras, o plano cita a possibilidade de rebaixamento da via e a implantação de passarelas.

— É uma zona incrível da cidade, mas temos travessias muito longas, em que é preciso esperar o sinal verde por muito tempo. E o que se vê são mais carros. É quase uma estrada no meio da cidade.

Próximos passos

A partir de agora, caberá ao município avaliar as diretrizes, desenvolver os projetos executivos e buscar recursos para viabilizar a implementação.

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— Agora a gente parte para a fase executiva do projeto. A equipe técnica terá, na tarde de hoje, uma oficina com a Gehl Architects para se apropriar do projeto. A partir disso, começamos a desenvolver os projetos executivos, e parte das propostas já conta com verba garantida — diz a secretária Ivana Tomasi.

Encomendado e financiado pela CDL Florianópolis e pela Acif, o trabalho do escritório dinamarquês teve investimento de R$ 1,2 milhão, custeado integralmente pelas entidades, com articulação técnica do Laboratório de Urbanismo e Arquitetura (LUA).

— O Centro tem um potencial extraordinário e precisa ser tratado como prioridade. Qualificar os espaços públicos, incentivar a caminhabilidade e reconectar a cidade com a água e com a natureza é o que sustenta uma vida urbana mais ativa e uma economia mais dinâmica — afirmou o presidente da CDL Florianópolis, Eduardo Koerich.

— O papel das instituições é olhar para a cidade de forma coletiva, identificar onde estão os desafios e ajudar a construir caminhos possíveis. (…) O estudo conduzido pelo escritório Gehl traz justamente esse olhar técnico e estruturado sobre como o centro pode evoluir, respeitando sua história e, ao mesmo tempo, respondendo às demandas atuais da população — pontua o presidente da Acif, Célio Bernardi.

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