Um novo estudo questiona a ideia de que o frango é sempre mais saudável do que a carne bovina. Segundo os pesquisadores, quando consumida sem processamento, a carne bovina não apresentou piora em marcadores metabólicos, na comparação com o frango.

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A pesquisa foi publicada na revista Current Developments in Nutrition e reuniu cientistas da Universidade de Indiana, em Bloomington, e do Instituto de Tecnologia de Illinois. O trabalho analisou adultos com pré-diabetes e comparou os efeitos de dietas baseadas em carne bovina e em frango.

O tema chama atenção porque a troca de carne vermelha por carnes brancas costuma ser indicada como estratégia para reduzir riscos à saúde. O estudo sugere que essa diferença pode não aparecer quando o consumo envolve cortes sem ultraprocessamento e preparo simples.

Metodologia da pesquisa

Os pesquisadores acompanharam 24 adultos com pré-diabetes, dos quais 70% eram homens. Cada participante seguiu, por quatro semanas, uma dieta com carne bovina e, em outro período, uma dieta baseada em carne de frango.

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Os pratos variaram de hambúrgueres a ensopados. A ideia foi manter acompanhamentos e bebidas iguais nos dois ciclos, para reduzir interferências. Ao final de cada etapa, os pesquisadores coletaram dados clínicos e laboratoriais.

Resultados

Na análise dos resultados, a equipe não encontrou evidência de que a carne bovina tenha sido pior, de forma relevante, em métricas como níveis de açúcar no sangue, sensibilidade à insulina, colesterol e indicadores de inflamação.

“Se o consumo de carne bovina piorasse a função das células beta, isso sugeriria risco aumentado de diabetes. Não encontramos evidência disso em nosso estudo”, disse o pesquisador principal Kevin Maki, de Illinois, em um comunicado à Fox News Digital.

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Em casos de pré-diabetes e risco de desenvolver diabetes, médicos costumam reforçar que o quadro depende de vários fatores, como peso, sedentarismo, genética e padrão alimentar como um todo.

Nos exames, o colesterol também entrou na avaliação. Estratégias de rotina para melhorar esse indicador costumam incluir fibras e escolhas mais naturais.

Pontos de observação

Os autores pedem cautela ao interpretar os dados. A amostra foi pequena, com apenas 24 participantes, e o acompanhamento ocorreu por um período curto, o que reduz a força estatística das conclusões.

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Outro ponto é o tipo de carne avaliada. O estudo se concentrou em versões não processadas e preparos simples, como cozimento e grelha. Para conclusões mais amplas, seria necessário testar carnes processadas e ultraprocessadas.

A pesquisa foi financiada pela Associação Nacional de Pecuaristas de Carne Bovina dos EUA (NCBA). Segundo os autores, o patrocinador não interferiu nos resultados. O ensaio também foi registrado previamente no ClinicalTrials.gov, base pública que busca ampliar a transparência em estudos clínicos.