O dinheiro de aposentados da fundação Celos, que administra a previdência da Celesc, está no centro da Operação Sem Lastro, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (8). O rombo que totaliza R$ 365 milhões estaria afetando o bolso de segurados, segundo o delegado federal Christian Barth.

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— Atualmente, os segurados, tanto aposentados como pessoas que ainda não se aposentaram, estão tendo que fazer aportes financeiros nas contribuições por conta das perdas que essas operações causaram no fundo — diz o delegado, em entrevista ao NSC Total.

O principal alvo da investigação é um ex‑diretor financeiro da entidade, apontado como integrante do núcleo decisório responsável pela fraude no período entre 2004 e 2011. Ele era responsável por aplicar o dinheiro dos participantes em fundos de investimento de alto risco e baixa qualidade (chamados de “ativos podres”).

Conforme o delegado, períciais indicaram que não se tratava de perdas normais de mercado, mas de decisões fora das normas, sem análise adequada e feitas de forma acelerada. Ao todo, seis investimentos foram analisados.

Em nota, a Celos informou que colaborou integralmente com as autoridades e frisou que as investigações dizem respeito a operações realizadas há mais de 15 anos, “não guardando qualquer relação com a carteira de investimentos atualmente administrada pela Celos” (veja a nota completa abaixo).

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Operação da PF cumpriu mandados em endereços de Florianópolis, na manhã desta quarta-feira (8) (Foto: PF, Divulgação)

Fraude previdenciária tem indícios de lavagem de dinheiro

Além disso, a PF identificou indícios de que parte do dinheiro pode ter sido desviada e retornado ao principal investigado. Isso porque pelo menos 35 imóveis, todos em Santa Catarina, foram comprados no mesmo período dos investimentos. Esses bens estavam em nome de uma empresa “laranja” ligada a parentes.

— Como as compras se deram no período desses investimentos e provavelmente o dinheiro desse investimento deve ter retornado para essa pessoa investigada e essa empresa não tem laço financeiro para compra, é muito possível que que nós estamos diante de um crime de lavagem de dinheiro, com a ocultação da origem do valor desviado — diz o delegado Christian Barth.

Operação nesta quarta-feira atinge núcleo patrimonial

A Polícia Federal bloqueou até R$ 365 milhões e sequestrou mais de 30 imóveis ao deflagrar, nesta quarta‑feira, a Operação Sem Lastro. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em dois endereços vinculados aos investigados em Florianópolis.

Com a operação, a Polícia Federal busca atingir o núcleo patrimonial do esquema, interrompendo o fluxo financeiro ilícito e preservando recursos para eventual ressarcimento dos prejuízos gerados.

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O que diz a Celesc

“A Fundação Celesc de Seguridade Social – Celos tomou conhecimento, por meio da imprensa, da deflagração da Operação Sem Lastro, conduzida pela Polícia Federal nesta data.

Com base nas informações disponíveis até o momento, a operação tem como foco investigações relacionadas a decisões de gestão ocorridas entre os anos de 2004 e 2011, envolvendo ex-gestores da Fundação. Nenhum membro da atual Diretoria Executiva, do Conselho Deliberativo ou do Conselho Fiscal da Celos é objeto das investigações. Da mesma forma, nenhum endereço de operação da Fundação foi alvo de qualquer medida policial.

A Celos esclarece ainda que, ao longo dos anos, colaborou integralmente com as autoridades competentes — incluindo a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) e a própria Polícia Federal — sempre que foi chamada a prestar informações relacionadas a esse período. Essa postura de transparência e cooperação institucional reflete o compromisso da Fundação com a legalidade e com a proteção dos interesses de seus participantes e assistidos.

É importante destacar que as investigações dizem respeito a operações realizadas há mais de 15 anos, não guardando qualquer relação com a carteira de investimentos atualmente administrada pela Celos. Os ativos que compõem os portfólios dos planos previdenciarios e de saúde são periodicamente avaliados e acompanhados pelos órgãos de governança da Fundação, em conformidade com a regulamentação vigente.

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A atual gestão reafirma seu compromisso com a governança responsável, a conformidade regulatória e a solidez dos planos administrados pela Celos. Seguiremos acompanhando os desdobramentos das investigações e manteremos nossos participantes informados sobre quaisquer fatos relevantes que possam surgir.

A Celos permanece à disposição de seus participantes e assistidos pelos canais oficiais de atendimento.”