nsc
    santa

    Médio Vale

    Gaspar quer se tornar Capital Nacional da Moda Infantil e ser referência neste mercado

    Estimativa é de que 60% das indústrias têxteis da cidade sejam voltadas à confecção de roupas para crianças

    25/07/2019 - 11h40

    Compartilhe

    Gabriel
    Por Gabriel Lima
    (Foto: )

    Para chegar a Gaspar é necessário passar pela capital da cerveja, Blumenau, pela capital da moda íntima, Ilhota, ou, ainda, pelo município conhecido por seus vários shoppings atacadistas de roupas, Brusque. Com o objetivo de se tornar um ponto de parada dos viajantes e valorizar a identidade local, estimulando o turismo e o comércio, Gaspar está pleiteando o título de Capital Nacional da Moda Infantil.

    Essa é a opinião do coordenador do Núcleo Têxtil da Associação do Comércio e Indústria de Gaspar (Acig), Douglas Junkes. Ele afirma que o título oficial, e não apenas uma autodenominação do município, pode iniciar uma série de ações para tornar a cidade uma referência na moda infantil. O objetivo é incentivar o turismo de compras e de eventos, que inclui congressos e seminários especializados na temática.

    — Queremos que as pessoas lembrem de Gaspar quando pensarem em moda infantil no Brasil e atrair para o município os melhores eventos do setor. Para isso queremos reunir a população e as empresas em torno do objetivo que também irá aumentar a autoestima dos moradores. As empresas já estão instaladas no município e são fortes, agora queremos que movimentem ainda mais as lojas e o consumo em Gaspar — destaca.

    Atualmente, o setor têxtil corresponde a 28,16% das empresas instaladas em Gaspar, sendo 870 indústrias de confecções, 484 facções e 85 relacionadas a tinturaria, fiação e tecelagem. O segmento têxtil do município é responsável por 8.461 postos de trabalho, cerca de 37,65% de todas as vagas de emprego do município. Os dados foram repassados pela Prefeitura de Gaspar com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2017, informação mais recente disponível no Ministério da Economia.

    As pesquisas feitas pelo Núcleo Têxtil da Acig indicam que cerca de 60% das empresas e postos de trabalho do setor em Gaspar estão relacionadas com a moda infantil. Entretanto, não há dados segmentados por uma questão comercial.

    Viagem a Brasília para protocolar o pedido

    Uma comitiva deve viajar a Brasília no dia 7 de agosto para acompanhar o possível protocolamento do pleito na Câmara dos Deputados. Além de Junkes, empresários e o prefeito de Gaspar, Kleber Wan-Dall, devem encontrar o deputado federal catarinense Rogério “Peninha” Mendonça (MDB), a quem entregaram no início de julho um projeto com dados para justificar o título de Capital Nacional da Moda Infantil.

    Kleber Wan-Dall afirma que irá reforçar a importância do projeto e acredita que o pleito será protocolado ainda em agosto. O prefeito ressalta que o reconhecimento oficial é necessário para divulgar o potencial do município para criar eventos e projetos na área de moda infantil, além de identificar Gaspar no cenário nacional.

    — Sem dúvida alguma vai ser uma marca importante para dar destaque e reconhecimento a esse setor que é fundamental pro município. A movimentação da economia local irá aumentar as receitas do município e permitir a execução de obras e outros projetos, gerando oportunidade, emprego e renda para toda a população — afirma.

    O presidente da Acig, Nelson Alexandre Bornhausen, afirma que o título pode criar uma oportunidade para criação de um centro comercial de moda infantil nos próximos anos. Essa ação poderia aproximar as confecções dos lojistas e, consequentemente, dos clientes finais, adequando os produtos às demandas de mercado.

    — Haverá injeção econômica no município, não apenas na área têxtil infantil, mas também nos comércios, hotéis e restaurantes do município. Quem estiver saindo do parque aquático poderá aproveitar a viagem para comprar algo numa loja ou mercado, por exemplo. É um ciclo positivo — destaca.

    Ações para manter o crescimento no setor têxtil

    A solicitação do título por Gaspar ocorre num período complicado para a indústria têxtil, com o fechamento de diversas fábricas do ramo no Vale do Itajaí. Para manter as indústrias no município e estimular novos empreendedores, Kleber Wan-Dall explica que foram criados incentivos fiscais para as empresas do setor.

    — A gente acompanha isso com proximidade, tanto que no ano passado foi instituído uma lei que isenta as facções do pagamento de imposto sobre serviço (ISS). Também estamos em parceria com as entidades empresariais para fortalecer a indústria têxtil, principalmente no meio da cadeia produtiva — destaca.

    Há quase 30 anos como diretor de uma indústria têxtil em Gaspar, Vilson Romalino Batista presenciou diversas mudanças nas máquinas e tecnologias utilizadas para produção de roupas infantis. Apesar das vantagens do setor infantil, o dirigente afirma que a contratação de mão de obra qualificada tem sido o principal desafio nos últimos anos.

    — Apesar do setor infantil ser menos suscetível às crises econômicas, já que as crianças continuam nascendo e precisando de roupas, temos enfrentado problemas para encontrar costureiros em Gaspar. É onde tudo começa, então é uma peça muito importante para o setor continuar crescendo nos próximos anos — pondera.

    Entre as ações criadas neste ano está o Qualifica Gaspar, programa de educação para a qualificação do trabalho na indústria têxtil. Junkes ressalta que há uma abordagem diferente nos projetos, principalmente na oficina móvel de costura, para atrair uma mão de obra cada vez mais escassa e aumentar o número de confecções no município.

    — Essa é a porta de entrada de muita gente no mercado de trabalho, então precisamos preparar a base dessa indústria seguindo normas de qualidade, vigilância sanitária e segurança. Não digo que queremos formar trabalhadores de base, mas que eles comecem ali e se qualifiquem para se tornar donos de uma confecção no futuro — finaliza.

    Deixe seu comentário:

    Últimas notícias

    Loading... Todas de Economia

    Colunistas