O caso de superpopulação de gatos em um apartamento na área central de Concórdia, no Oeste de Santa Catarina, segue repercutindo e mobilizando autoridades, voluntários e entidades de proteção animal. A situação, considerada complexa pela Diretoria Municipal de Bem-Estar Animal, se arrasta há mais de uma década e envolve cerca de 400 de gatos vivendo em condições precárias dentro da residência de uma aposentada.
Continua depois da publicidade
A problemática ganhou notoriedade nos últimos dias após a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o município e a tutora dos animais. Conforme a prefeitura, o acordo prevê o encaminhamento dos gatos para castração e posterior adoção responsável, com apoio de ONGs de proteção animal.
No entanto, ao iniciarem o acompanhamento mais detalhado do caso, equipes da Diretoria de Bem-Estar Animal e voluntários encontraram uma realidade ainda mais delicada do que imaginavam.
Segundo o município, a situação começou há cerca de 10 anos, quando a moradora possuía apenas um casal de gatos. Os animais passaram a se reproduzir de forma desordenada dentro do apartamento, fazendo com que a população felina aumentasse gradativamente ao longo dos anos.
De acordo com a diretora de Bem-Estar Animal, Juliana Lupatto, os gatos não foram recolhidos das ruas, mas nasceram no próprio imóvel. Ela reforça que a responsabilidade pelo acúmulo dos animais é da tutora.
Continua depois da publicidade
— O município assinou o TAC assumindo o compromisso de encaminhar os gatos para castração e posteriormente às ONGs, que fariam o processo de adoção responsável. Mas a problemática se tornou ainda maior quando percebemos que parte dos animais estava doente devido às condições da moradia e ao compartilhamento do espaço com muitos gatos — explicou.
Animais doentes e ambiente insalubre
Conforme a diretora, voluntárias chegaram a prestar atendimento emergencial aos animais e medicar alguns gatos, mesmo enfrentando dificuldades de acesso ao apartamento. Isso porque a tutora não concorda integralmente com as intervenções realizadas no imóvel.
A situação sanitária encontrada preocupa as equipes envolvidas. Muitos gatos apresentam sinais de doenças e debilitamento, além de haver registros de mortes de animais nos últimos meses.
— Estamos tentando ajudar para que o caso não tome maiores proporções, já que muitos gatos já morreram e tantos outros apresentam sérios problemas de saúde — afirmou Juliana.
Continua depois da publicidade
Além das mortes, parte dos animais também acabou escapando do apartamento devido às condições das telas de proteção instaladas no local, algumas delas danificadas.
Castrações seguem suspensas
Atualmente, os trabalhos estão concentrados na avaliação clínica e identificação dos animais. O atendimento ocorre por meio de uma parceria entre o município e o curso de Medicina Veterinária do Instituto Federal Catarinense (IFC), Campus Concórdia.
Os profissionais realizam exames, avaliação das condições de saúde e microchipagem dos gatos. Conforme o município, o processo tem sido mais lento do que o previsto devido à grande quantidade de animais e ao estado de saúde de muitos deles.
Por enquanto, os gatos ainda não poderão ser castrados. Segundo a Diretoria de Bem-Estar Animal, antes disso os animais precisarão passar por um período de quarentena e tratamento médico, para evitar a disseminação de doenças e garantir condições mínimas de recuperação dos casos mais graves.
Continua depois da publicidade
A prefeitura afirma que segue acompanhando a situação junto às equipes técnicas, voluntários e órgãos de proteção animal.









