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Nova rotina

"Ninguém estava com a cabeça no lugar antes da pandemia", alerta médico

Pesquisador participa da Expogestão Digital, em outubro, para falar sobre manter a lucidez em tempos desafiadores

26/09/2020 - 12h49 - Atualizada em: 26/09/2020 - 13h20

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Leandro
Por Leandro Lessa
Médico compara atual home office a confinamento
Médico compara atual home office a confinamento
(Foto: )

Uma das grandes questões durante este momento é manter a lucidez em situações desafiadoras. Segundo o médico Roberto Aylmer, consultor em liderança de pessoas no contexto complexo, o home office acabou se transformando em "confinamento", deixando de ser algo praticado em um dia na semana para se tornar um local de trabalho constantemente compartilhado com as preocupações em casa. 

O professor, com doutorado na Rennes School of Business (França), alega que a alteração repentina no cotidiano representou uma "desorganização das funções cerebrais, que precisam de um grau de rotina, de previsibilidade e de estabalidade". Porém, o especialista lembra que não foi a partir da pandemia de coronavírus que o nosso dia-a-dia passou a ser estressante. 

— Vamos deixar algo bem claro: ninguém estava com a cabeça no lugar antes da pandemia. As pessoas já tinham um grau de sofrimento evidente em sintomas psiquiátricos. Por exemplo, no Brasil, temos 12 mil suicídios por ano e os nossos índices de ansiedade estão entre os maiores do mundo - declarou Aylmer, em entrevista à CBN Diário neste sábado (26). 

Ansiedade em home office aumenta, segundo pesquisa de consultoria global

Segundo pesquisa da consultoria global Great Place To Work, apesar do aumento de produtividade com a ampliação do home office, houve um acréscinmo na ansiedade para 62% das pessoas nesse período. Entre os motivos, está a ausência de transição entre trabalho e lazer, com atenção redobrada aos meios digitais para dar respostas rápidas. Porém, gerenciar a vida já passou a ser menos complicado, com as lições aprendidas ao longo dos últimos sete meses. 

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— Você tem uma máquina incrível de adaptação, que tenta se ajustar o melhor possível dentro do contexto. Entretanto, os efeitos psiquiátricos dessa crise não vão acabar (de imediato), porque o fator que mais impacta não é o vírus, mas a desorgazanição social que ele traz. Há uma doença chamada estresse pós-traumático, que deverá ser epidêmica no mundo após o fim de contaminação - explicou o médico.

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Se a utilização do trabalho remoto marca uma percepção ambígua - distrações em casa x distrações na empresa -, a pesquisa também apontou que 30% dos 1,5 mil entrevistados sentem falta da relação próxima e dos momentos de descontração com colegas na empresa, o que nenhuma ferramenta online permite.  

— A gestão está passando por um lugar de mais proximidade com o colaborador. Como sou médico, eu falo de "colocar a mão no pulso da equipe", o que significa estar mais próximo. Não comece o dia com demanda, e sim perguntando: "como eu posso te ajudar hoje?" - complementa Aylmar. 

Ouça a entrevista completa para a CBN Diário:

Roberto Aylmer será um dos palestrantes da ExpoGestão, um dos eventos mais importantes do setor empresarial do país. Realizado em Joinville (SC), já teve 17 edições presenciais. Porém, ainda com as restrições devido à pandemia, o encontro se transformará em uma grande plataforma digital para troca de conhecimentos. 

A programação, entre os dias 27 e 29 de outubro, está no site da ExpoGestão Digital 2020. 

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