A mão de obra de detentos começou a ser utilizada pela Ogochi, gigante da moda brasileira, que iniciou operação na penitenciária industrial de São Bento do Sul, no Planalto Norte catarinense. O início da produção começou na última terça-feira (23), com 33 internos já atuando na largada da unidade.
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A Ogochi é uma das principais indústrias brasileiras do segmento de moda masculina e infantil. A empresa se destaca pela produção própria de grande parte de seu portfólio, confeccionando milhões de peças anualmente, distribuídas para milhares de lojas multimarcas em todo o país.
Veja fotos da penitenciária de São Bento do Sul
Produção a todo vapor
Ocupada por cerca de 533 detentos após um período de entraves no início da operação, a penitenciária investiu na parceria com a Ogochi para ampliar as oportunidades de ressocialização para as pessoas em reclusão.
A expectativa é que, nos próximos cinco meses, o número de trabalhadores seja ampliado gradativamente até alcançar 250 vagas, consolidando uma das maiores estruturas de trabalho prisional vinculadas à iniciativa privada dentro do sistema penitenciário catarinense, segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (Sejuri).
Salário na conta e redução da pena
De acordo com as regras do sistema prisional, a cada três dias de trabalho, um dia da pena é reduzido. Além disso, os detentos ainda recebem uma remuneração, dividida em três destinações diferentes.
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— A cada três dias de trabalho, o interno reduz um dia da pena. Além disso, ele recebe um salário mensal pela mão de obra realizada: 50% do valor fica disponível para uso próprio, 25% retorna ao Estado e os outros 25% são depositados em uma poupança, que só pode ser retirada quando ele deixa o sistema prisional — explica o diretor Leo Feliciano.
Ao todo, 1.103 internos atuam nas frentes de trabalho da companhia dentro do sistema prisional catarinense. A expectativa é ampliar esse número para cerca de 1.300 trabalhadores ainda neste ano, com a implantação de dois novos espaços produtivos em Itajaí.
Gigante da moda já atua em outras unidades prisionais
Atualmente, a Ogochi mantém espaços de trabalho no Complexo Penitenciário de São Pedro de Alcântara; Penitenciária Sul, em Criciúma; Penitenciária de Itajaí; Penitenciária Industrial de São Cristóvão do Sul; Penitenciária Regional de Curitibanos; e Penitenciária Agrícola de Chapecó; Penitenciária Indústrial de Chapecó.
Para a secretária de Estado de Justiça e Reintegração Social, Danielle Amorim Silva, a ampliação das parcerias com a iniciativa privada, neste caso a Ogochi, fortalece a principal ferramenta de ressocialização disponível dentro do sistema prisional.
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— Quando levamos oportunidades de trabalho para dentro das unidades prisionais, estamos oferecendo muito mais do que uma atividade laboral. Estamos promovendo qualificação, disciplina, responsabilidade e a possibilidade de construção de um novo projeto de vida. O trabalho é uma das mais importantes ferramentas para a reintegração social e para a redução da reincidência criminal — destaca a secretária.
Penitenciária chegou a enfrentar entraves para início das operações
A unidade foi inaugurada em 27 de junho de 2024, com investimento de R$ 32,9 milhões. No entanto, a penitenciária enfrentou uma série de entraves que atrasaram o início das operações.
Uma liminar obtida pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) chegou a impedir a transferência de novos presos para o local.
Na ocasião, o órgão apontou pendências estruturais, administrativas e de pessoal, como a falta da criação formal da unidade, ausência de nomeação de chefias, número insuficiente de policiais penais e a necessidade de conclusão de obras para garantir a segurança das celas.
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A Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (Sejuri) informou, à época, que a penitenciária passava por uma fase de testes operacionais desde a inauguração e que foram identificados problemas estruturais, como infiltrações no sistema de abastecimento de água e outras adequações necessárias na edificação. Depois de várias adaptações no local, em junho de 2025 foi possível receber, de fato, os primeiros internos.
*Sob supervisão de Leandro Ferreira












