Empresa fechou as portas por determinação judicial nesta semana (Foto: Reprodução)
A Yeesco, de Brusque, teve a falência decretada nesta semana pelo juiz Uziel Nunes de Oliveira. Líder em reclamações no Procon de Santa Catarina por falhas nas entregas de mercadorias, a gigante do e-commerce acumula uma dívida na casa dos R$ 73 milhões sujeita à recuperação judicial.
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O plano de pagamento dos débitos chegou a ser apresentado aos credores, mas foi rejeitado. Para apenas uma dessas empresas, a Yeesco deve cerca de R$ 38,6 milhões e planejava pagar a conta com 45% de abatimento e ainda em um prazo de 10 anos, segundo conta no processo.
Com a falência, o Escritório Medeiros Administração Judicial, designado para o caso, começou o levantamento dos bens e ativos da Yeesco que podem ser vendidos para pagamento dos credores. A empresa tinha duas lojas: a sede em Brusque e uma filial em Capão da Canoa (RS). Ambas foram fechadas e os funcionários dispensados.
Conforme prevê a lei de falências, a prioridade nos pagamentos será para salários vencidos nos três meses anteriores à decretação da falência, limitados a cinco salários mínimos por trabalhador, que serão quitados tão logo haja disponibilidade de recursos.
A Yeesco já figurou entre os 10 maiores sites de moda do Brasil. A empresa disse à justiça em outubro que enfrentava uma crise financeira desde 2023 e que teria sido agravada por fatores como o avanço da Shein e da Shoope, que absorveram parte significativa do mercado on-line.
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Quais as empresas centenárias de SC?
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Cia. Hering (1880) – Criada em Blumenau no século 19, tornou-se uma das maiores do Brasil em vestuário e implantou uma bem-sucedida operação no varejo. Em 2021, foi comprada pelo Grupo Soma (Foto: Divulgação)
Baumgarten (1881) – Começou imprimindo jornais em Blumenau e, depois, virou uma das maiores gráficas de rótulos das Américas. Em 2016, fundiu-se com empresas alemãs, criando a All4Labels (Foto: Patrick Rodrigues)
Döhler (1881) – Também fundada por um imigrante alemão, em Joinville. É conhecida como uma das principais marcas de produtos para cama, mesa e banho do Brasil. (Foto: Reprodução)
Grupo H. Carlos Schneider (1881) – O grupo, de Joinville, reúne sete empresas de diversos segmentos, entre elas a Ciser, fabricante de soluções em fixação, e a Hacasa, de empreendimentos imobiliários. São mais de 2 mil funcionários e 20 mil clientes em mais de 25 países (Foto: Divulgação)
Karsten (1882) – Fabrica artigos de cama, mesa e banho. Em 2014, integrantes da família fundadora decidiram vender uma fatia da empresa de Blumenau para novos acionistas (Foto: Lucas Correia, BD)
Aludin e Grupo Fretta (1895) – Nasceu na colônia de Azambuja, hoje Pedras Grandes. Destaca-se no varejo com a rede Casas Fretta, mas diversificou negócios e entrou na construção civil e na indústria (Foto: Divulgação)
Pureza (1905) – Localizada em Rancho Queimado, começou as atividades fabricando cerveja, mas hoje é mais conhecida pela linha de refrigerantes, especialmente do sabor guaraná (Foto: Divulgação)
Firma Weege/Malwee (1906) – Nasceu como comércio, cuja principal atividade em Jaraguá do Sul era o açougue. Antes de lançar a marca de moda Malwee, a família também teve frigorífico (Foto: Divulgação)
Lepper (1907) – Outra grande fábrica têxtil fundada em Joinville e atuante até hoje com uma linha de produtos de cama, mesa e banho (Foto: Divulgação)
Hoepcke (1913) – Fabricante de rendas e bordados fundada em Florianópolis, mas que no fim da década de 1970 transferiu as atividades para São José (Foto: Reprodução, Fiesc)
Hemmer (1915) – Nasceu quando um imigrante alemão decidiu produzir chucrute em Blumenau. Depois vieram as conservas e molhos como mostarda e ketchup. Foi comprada pela Kraft Heinz (Foto: Artur Moser, BD)
Minancora (1915) – Criada pelas mãos de um farmacêutico português em Joinville e famosa pela pomada homônima usada para tratamento da pele (Foto: Reprodução, Facebook)
Wanke (1918) – Iniciou sua trajetória como fábrica de instrumentos agrícolas montada para garantir a subsistência de uma família de imigrantes austríacos (Foto: Divulgação)
Altenburg (1922) – Maior fabricante de travesseiros da América Latina, iniciou pela imigrante Johanna Altenburg em Blumenau. Fabrica artigos de cama, mesa e banho (Foto: Patrick Rodrigues, BD)
Gaitas Hering (1923) – A história começou pelas mãos de operários e sobreviveu. De Blumenau, é a única empresa de toda a América Latina que ainda produz gaitas de boca harmônicas (Foto: Patrick Rodrigues, BD)
Altona (1924) – Primeira fundição de aço de Santa Catarina, tem sede em Blumenau (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total, BD)
E os consumidores prejudicados?
Citava ainda problemas de pagamento com transportadoras que acabaram retendo mercadorias e aponta que 100 mil pedidos não foram entregues por causa dessa situação. Não à toa, a brusquense entrou no topo das listas de reclamações e chegou a ter a venda proibida, mas descumpriu a determinação.
Agora, os consumidores que não receberam as mercadorias ou ficam com valores pendentes para trocar por produtos devem fazer um pedido para entrar na relação de credores da falência. Para isso, é preciso enviar os documentos comprobatórios, como extrato do cartão de crédito, comprovante de compra ou de pagamento, além de cópia de eventual reclamação junto ao Procon, pelo site.