A USA Rare Earth, empresa de mineração dos Estados Unidos, anunciou nesta segunda-feira (20) um acordo de aquisição da mineradora brasileira Serra Verde Group, localizada em Goiás. A transação foi avaliada em cerca de R$ 13,92 bilhões (2,8 bilhões de dólares).

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A compra da mineradora brasileira acontece em meio ao esforço dos Estados Unidos e de seus aliados de reduzirem a dependência da China no mercado de “terras raras”.

O que são “terras raras”

As terras raras são uma combinação entre 17 elementos químicos encontrados na natureza, geralmente misturados a outros minérios e de difícil extração. Apesar do nome, não são necessariamente raros, mas difíceis de isolar em alta pureza, por estarem misturados a outros minérios, o que torna o processo caro e complexo.

O que a mineradora produz

A Serra Verde é proprietária da mina Pela Ema, localizada na cidade de Minaçu, município no Norte de Goiás com 27 mil habitantes. A unidade é a única que produz em larga escala, fora da Ásia, os quatro elementos de terras raras magnéticas utilizados na produção de ímãs em tecnologias avançadas.

Esses minerais raros são utilizados na produção de veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa, por exemplo.

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Como é a operação da Serra Verde

Como será feita a transação bilionária

O pagamento será feito em duas etapas distintias. A empresa de mineração dos EUA irá pagar R$ 1,4 bilhão (300 milhões de dólares) em dinheiro. Ainda, irá emitir cerca de 126,8 milhões de novas ações ordinárias para os acionistas da Serra Verde, completando o valor restante.

A junção das duas empresas deve criar uma líder global no setor de terras raras, com operações que vão desde a mineração até o processamento e fabricamento de metais e ímãs.

A USA Rare Earth fechou um pacote de financiamento de R$ 7,96 bilhões (1,6 bilhão de dólares) com o governo dos EUA. Já a Serra Verde fechou um acordo de financiamento no valor de R$ 2,8 bilhão (565 milhões de dólares) com Washington em fevereiro.

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A empresa goiana se destaca na oferta de terras raras, já que deve responder por mais de 50% da oferta de terras raras pesadas fora da China até 2027.

— A mina Pela Ema, da Serra Verde, é um ativo único e a única produtora fora da Ásia capaz de fornecer os quatro elementos de terras raras magnéticos em grande escala — disse Barbara Humpton, CEO da USA Rare Earth.

Quais são as próximas etapas

Entre as duas empresas, o acordo já foi formalizado de forma definitiva. Contudo, a aquisição ainda não foi finalizada operacionalmente. A previsão é que o negócio seja fechado no terceiro trimestre de 2026.

A transação deve passar por aprovações regulatórias e condições habituais de fechamento. Por enquanto, as companhias realizam cronogramas de integração.

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Também estão previstas mudanças na gestão, com executivos da mineradora brasileira assumindo papéis estratégicos na empresa dos EUA. Thras Moraitis, atual CEO da Serra Verde, assumirá a presidência e uma cadeira no conselho de administração. Mick Davis, atual presidente do conselho da Serra Verde, também passará a integrar o conselho da empresa compradora.

*Com informações do g1