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Educação

Ginásio da escola Ivo Silveira, em Palhoça, está há quase um ano com obras paradas

Enquanto isso, alunos têm aulas de educação física em quadras inacabadas, na chuva e no escuro

27/05/2019 - 10h48 - Atualizada em: 27/05/2019 - 12h08

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Por Dayane Bazzo
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Ele já ganhou até nome: Ginásio Poliesportivo Raphael Martins dos Santos. Tem mais de seis mil metros quadrados, quadra oficial medindo 40 por 20 metros, alojamentos e vestiários, três andares com dois auditórios, 16 salas de aula e estacionamento. O complexo esportivo construído no terreno da Escola Estadual Governador Ivo Silveira, em Palhoça, a maior da Grande Florianópolis, está há quase um ano com as obras paradas. A estrutura está pronta, mas já se deteriora com o abandono e, o pior, sem poder ser usada pelos mais de mil alunos da unidade de ensino.

Enquanto isso, os estudantes utilizam duas quadras abertas para as atividades de educação física. As turmas do período noturno fazem aulas no escuro, pois o local não tem iluminação. Em dias de chuva, a aula é dentro da sala.

— O ginásio está semipronto, assim como toda a obra, que inclui o estacionamento na frente e as quadras atrás, mas que não estão prontas, não têm pintura, não têm os equipamentos para a prática de esportes como basquete e vôlei, a iluminação não está ligada e o pessoal que dá aula à noite tem que usar lanterna — relata o professor de educação física Luis Gaspar, de 54 anos.

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Ele explica que as obras começaram em 2014, não foram concluídas e estão desde a metade do ano passado paradas. Para piorar a situação, desde o final de 2018 até o início deste mês, o local estava sem vigilante e foi alvo de vândalos:

— Pessoas invadiram, furtaram janelas, fiação, torneiras dos vestiários e banheiros e dormiam à noite aqui. Só neste mês de maio, depois que a gente pediu para a Secretaria de Estado da Educação, é que colocaram um vigilante — relata.

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O professor de física Cesar Augusto Perez Pires, de 56 anos, acrescenta que o piso do ginásio já está comprometido e o palco, feito de madeira, está cheio de cupim.

— Estamos na iminência de perder o que já temos. Nem terminou a obra e já precisa de reforma, porque vamos ter que recuperar o que está se degradando — aponta.

E não é para menos. Dentro do ginásio, onde a reportagem esteve na semana passada, há muito material de obra jogado na quadra, como ferramentas, tubulações, grades, caixas de luz com fiação a mostra, sem falar nos vidros quebrados das janelas. No lado de fora, algumas luminárias estão quebradas e os postes do estacionamento foram arrancados.

— Esta é a maior obra da educação no Estado de Santa Catarina. É a única quadra na região que mede 40 por 20 metros, uma medida oficial que pode trazer para Palhoça competições grandes, mas está há um ano abandonada. O governo não tomou nenhuma providência quanto a isso, simplesmente estão deixando jogada, é dinheiro nosso jogado fora — conclui o professor Luis.

Materiais abandonados na quadra
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Ginásio pode ampliar número de salas de aulas

A Escola Estadual Governador Ivo Silveira atua desde 2018 com educação em tempo integral. Os alunos ficam na escola das 7h30min às 17h15min. Atualmente, são 407 matriculados nesta modalidade. Já à noite as aulas ocorrem em tempo regular e são mais de 780 alunos que ocupam as 19 salas de aula.

Nas duas modalidades, o problema é o mesmo: pouco espaço para as aulas regulares e atividades curriculares desenvolvidas no tempo integral. Segundo o supervisor escolar Horácio Mello, isso seria resolvido se a escola estivesse utilizando as 16 salas de aula e os dois auditórios construídos dentro do ginásio.

— Toda a metodologia fica comprometida pela infraestrutura. O ginásio para nós seria a mega-sena acumulada em termos pedagógicos, porque teríamos dois auditórios que comportam 200 pessoas cada um e mais 16 salas de aula, que hoje não podemos usar. Temos um problema sério de espaço e precisamos que o ginásio seja finalizado, porque para nós é uma diferença qualitativa, os alunos merecem, o prédio está pronto e está virando um elefante branco sendo destruído — diz.

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Escola desenvolve projeto de ocupação do ginásio

O complexo esportivo ainda nem está pronto e a escola já tem mais uma preocupação: como e com qual recurso será mantida a estrutura? O professor de educação física e presidente do conselho deliberativo escolar Claudio Jorge Fernandes, 46 anos, diz que até o momento a Secretaria de Estado da Educação não se manifestou quanto a manutenção do espaço e a compra dos mobiliários, como móveis para os auditórios e salas, cortinas, projetores, computadores, cabeamento de internet, instalação de ar condicionado, tapete para proteger a quadra, entre outros equipamentos.

— Nós, do conselho, nos comprometemos em fazer um levantamento do que precisa para mobiliar o ginásio. O projeto ainda está sendo feito e vamos encaminhar à secretaria assim que pronto. A escola não pode receber a obra do jeito que está, pois não temos condições de comprar todo o material que precisa nem mantê-la, pois sabemos que tem um custo fixo alto. Só poderemos receber a partir do momento que o ginásio tenha o material solicitado — explica.

De acordo com Cláudio, a escola recebe cerca de R$ 30 mil por mês, o que equivale a quase R$ 2 mil por aluno, para manter a unidade de ensino. No entanto, ainda precisa fazer rifas ou eventos para arrecadar mais dinheiro, pois sempre falta recursos para cobrir todas as despesas.

Cláudio comenta também que a própria escola necessita de manutenção. Atualmente a unidade possui infiltração no prédio do refeitório e goteiras em algumas salas de aula. Falta manutenção nos computadores e em outros equipamentos utilizados nas aulas.

Alunos relatam descaso

Jean Fábio Oliveira Stefenes tem 17 anos e estuda no 2° ano do ensino médio em período integral. Ele se diz ofendido ao saber que existe uma obra quase pronta e que falta boa vontade política para entrega-la à comunidade.

— Nós ficamos aqui quase 10 horas e não temos suporte em vários aspectos, um deles é o ginásio. Um espaço que poderia sediar vários eventos culturais, campeonatos esportivos, dar visibilidade para a escola e para o município e ser utilizado por nós, mas não temos isso. Nós como estudante nos sentimos ofendidos porque sabemos que é uma questão meramente política, porque não é época de eleição e a crença em nossos representantes é muito afetada — diz.

"Nós ficamos aqui quase 10 horas e não temos suporte em vários aspectos. Um deles é o ginásio", diz Jean Fábio
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Outra aluna do 2° ano do ensino médio noturno, de 22 anos, que preferiu não ter o nome divulgado, conta como são as aulas de educação física para os alunos que estudam à noite, incluindo ela:

— Muitas vezes nós temos que fazer educação física no escuro ou debaixo de chuva, sendo que tem um ginásio novinho que não podemos usar — diz.

O que diz o Estado

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado da Educação, por meio de nota, informou que o Ginásio Poliesportivo Raphael Martins dos Santos está 94% concluído.

Segundo a secretaria, a obra precisa de um aditivo para realizar ajustes na quadra esportiva, que deverá receber modalidades profissionais futuramente. A nota não cita que tipo de adequações serão feitas. O valor total da obra, incluindo o aditivo em andamento, é de R$ 9,4 milhões. A expectativa do Governo é inaugurar o ginásio ainda no segundo semestre de 2019.

Sobre os mobiliários, a secretaria informa que até a próxima semana serão entregues 10 mesas para computadores, 20 mesas escolares redondas, 25 armários, 10 mesas escrivaninhas, três mesas para palco e 20 balcões. As cadeiras estofadas, pufes e sofás para os auditórios serão instaladas em até 60 dias. Os mobiliários para os alojamentos serão licitados ainda este ano. Já os armários para os atletas estão em processo licitatório.

Sobre os quase cinco meses que a estrutura ficou sem vigilância e foi alvo de vandalismo, a nota informa que o contrato com a empresa terceirizada que presta serviço de segurança estava passando por adequações no período que ficou sem vigilância.

Com relação às obras de manutenção da escola Governador Ivo Silveira, a secretaria afirma que realizou reparos na parte hidráulica, elétrica e na fossa da unidade, fez capina, roçada e limpeza nas caixas d’água entre os meses de fevereiro e março deste ano. Até o momento, a secretaria não recebeu pedidos por parte da equipe escolar para mais manutenções.

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