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    Montadoras em ritmo lento

    GM em Gravataí começa nesta segunda parada na montagem de veículos

    Nos cinco primeiros meses do ano, licenciamento de carros novos encolheu 17% no país. Neste mês, seis montadoras estão com atividades suspensas ou reduzidas

    15/06/2015 - 01h04

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    Por Redação NSC
    Queda nas vendas elevou a quantidade de veículos em estoque
    Queda nas vendas elevou a quantidade de veículos em estoque
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    O início das férias coletivas na unidade da General Motors (GM) em Gravataí, que vai deixar em casa cerca de 4,5 mil trabalhadores da fábrica desta segunda-feira até o próximo dia 28, é mais um sinal do tamanho da freada que as principais montadoras do país estão dando na produção para diminuir os estoques. Com as vendas ladeira abaixo no ano, seis fabricantes de automóveis estão passando neste mês por alguma medida para reduzir o ritmo ou mesmo parar as linhas. Entre as quais, o quarteto líder no mercado nacional - GM, Ford, Fiat e Volkswagen.

    Enquanto a GM inicia férias coletivas em Gravataí e faz o mesmo em São Caetano do Sul (SP), a Fiat esteve parada desde o último dia 5. A Ford mantém suspenso o contrato de trabalho de um grupo de operários em São Bernardo do Campo (SP), mesma medida tomada na cidade pela Volkswagen, que repete o mecanismo nas unidades de Taubaté (SP) e São José dos Pinhais (PR). Outras menores, como Caoa e Nissan, também vão parar as fábricas neste mês para equilibrar a produção ao mercado, saída adotada também nas indústrias de caminhões, ônibus, motores e autopeças.

    Dados da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) ilustram o quadro. Nos primeiros cinco meses do ano, o licenciamento de automóveis novos nacionais foi de 754,2 mil unidades, 17% abaixo do mesmo período do ano passado. Incluindo veículos pesados e comerciais leves, foi o pior maio desde 2008. O resultado não poderia ser diferente: além da flexibilização da jornada de trabalho, as montadoras do país também cortaram 10,2 mil empregos nos últimos 12 meses, o equivalente a 7,7% da força de trabalho.

    Mercado em ponto-morto

    Para especialistas no setor, as vendas devem reagir apenas quando o cenário da economia brasileira se desanuviar e o consumidor começar a recuperar a confiança, o que pode acontecer quando diminuir o temor de perder o emprego ou enxergar que a inflação está cedendo. O ex-presidente da Ford no Brasil Luiz Carlos Mello, diretor do Centro de Estudos Automotivos, vê ainda a necessidade de as montadoras reduzirem o valor dos veículos.

    - É preciso baixar preço. Na China, as montadoras estão diminuindo as margens porque as vendas caíram. E não estou falando em promoção, que muitas vezes são armadilhas - diz Mello.

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    Para Rodrigo Baggi, analista do setor automotivo da Tendências Consultoria, a recuperação deve acontecer apenas em 2016 e está atrelada à percepção de que o Brasil começa a sair da crise.

    - A estabilidade macroeconômica, o controle da inflação e o arrefecimento do processo de aumento do desemprego são fundamentais para voltar a confiança das famílias. Mesmo assim, teremos crescimento (das vendas) em taxas bem baixas - prevê Baggi.

    Milad Kalume Neto, gerente de desenvolvimento de negócios da Jato, consultoria voltada ao setor automobilístico, não tem muitas esperanças de que a venda de automóveis melhore no segundo semestre. A tendência, diz o especialista, é de que o mercado permaneça em ponto morto até o final do ano.

    Venda em baixa eleva pechincha

    A sensação do consumidor de que apesar da queda brusca das vendas os preços dos veículos não caem causa divisão entre especialistas. Números compilados pelo analista Rodrigo Baggi, da Tendências Consultoria, indicam que, apesar do aumento do valor nominal dos carros novos, desde 2008 a variação é inferior à inflação medida pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). As razões, aponta Baggi, vão desde questões pontuais como o corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) até o aumento da competição pela chegada de novas montadoras.

    Especialista da Jato, Milad Kalume Neto faz outra ponderação. Apesar de o preço sugerido dos modelos pelas montadoras não cair com a retração nas vendas, o consumidor consegue pechinchar mais nas lojas. O resultado é um abatimento no preço final.

    - Há uma queda nos preços que não é aparente - avalia Milad.

    Ambrósio Pesce Neto, vice-presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores no Estado (Fenabrave-RS), admite que agora o consumidor pode conseguir um desconto maior. Para ele, o sentimento de que os preços não caíram decorre da mudança de atitude das montadoras, que pararam de fazer ações como bônus, IPVA grátis ou redução de taxas, à espera de que o mercado não sentisse tanto a brecada da economia.

    Luiz Carlos Mello, diretor do Centro de Estudos Automotivos, sustenta que as montadoras têm condições de reduzir mais suas margens e isso poderia contribuir para a retomada do mercado:

    - Se uma fizer, as outras vão atrás.

    *Colaborou Marcelo Monteiro

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