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Descarte incorreto

Golfinho é encontrado morto com calcinha presa às nadadeiras em Itapoá

Tecido estava preso de forma profunda, a nível cutâneo e ósseo

21/05/2021 - 11h53 - Atualizada em: 21/05/2021 - 12h05

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Hassan
Por Hassan Farias
Golfinho com calcinha presa às nadadeiras, em Itapoá
Golfinho foi encontrado na praia do Pontal, em Itapoá
(Foto: )

Um golfinho foi encontrado morto com um calcinha presa às nadadeiras na praia do Pontal, em Itapoá, no Litoral Norte de SC. O resgate do animal foi feito pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP/BS Univille) no último domingo (16), mas divulgado apenas nesta sexta-feira (21).

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O animal era um boto-cinza (Sotalia guianensis) fêmea com cerca de 1,4 metro de comprimento e 32 quilos. A calcinha estava presa de forma profunda nas nadadeiras peitorias, a nível cutâneo e ósseo. Segundo a médica veterinária, Giulia Gaglianone, provavelmente o boto deve ter se “enroscado” no tecido quando ainda era mais jovem.

No entanto, conforme foi se desenvolvendo, o tecido cortou a pele. Ela foi crescendo aos poucos sobre a tira de pano e quando as bordas se tocaram iniciaram o processo de cicatrização, deixando as lesões abertas.

O boto-cinza também apresentou sinais de debilidade crônica, como magreza, pneumonia severa e grande quantidade de parasitas. Ainda tinha marcas causadas possivelmente por emalhe em rede de pesca.

A equipe do PMP/BS colheu amostras para análises complementares que poderão confirmar a causa da morte do animal.

Se alguém encontrara algum animal marinho morto ou debilitado no litoral norte catarinense pode ligar para os telefones 0800 642 3341, (47) 3471 3816 (base) ou (47) 99212 9218 (whatsapp).

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Calcinha encontrada presa às nadadeiras do golfinho, em Itapoá
Calcinha encontrada presa às nadadeiras do golfinho, em Itapoá
(Foto: )

Descarte incorreto do lixo

O Projeto de Monitoramente de Praias da Bacia de Santos chama a atenção para o risco ao meio ambiente do descarte incorreto de lixo e itens pessoais, como roupas, calçados, escovas de dente e outros utensílios. 

Cerca de 170 mil toneladas de resíduos têxteis são gerados por ano no Brasil, de acordo com o PMP/BS. Dados do Sebrae apontam que 80% deste total vão parar em lixões e aterros sanitários.

O processo de decomposição de tecidos é lento e pode chegar à cententas de anos o caso de tecidos sintéticos como o poliéster. Outros naturais, como algodão, linho e seda podedm levar meses para se decompor.

Nos oceanos, os tecidos agem como “redes de pesca”, capturando incidentalmente, emalhando e matando diversas espécies marinhas.

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