A greve dos servidores em Florianópolis entrou no sétimo dia nesta quarta-feira (29), afetando serviços da Educação e da Saúde. Ainda não há previsão para o fim da paralisação. Uma nova assembleia geral está marcada para 13h30min desta quarta.
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Procurado, Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis (Sintrasem) informou que a assembleia de quarta-feira terá como pauta principal a avaliação da greve. O sindicato informou que não há um roteiro pré-definido para o encontro e avaliou que, até o momento, praticamente não houve redução no quadro de paralisação.
Durante a assembleia, devem ser discutidas as condições nas unidades afetadas pela greve e as movimentações da prefeitura em relação às reivindicações da categoria. O espaço também será aberto para que os trabalhadores possam se manifestar sobre temas que considerem pertinentes.
Na manhã de segunda-feira (27), a prefeitura informou que irá descontar o salário dos servidores que “estão acumulando faltas injustificadas durante a greve”. O Sintrasem informou que seguirá em greve diante do anúncio da prefeitura.
Serviços afetados nesta quarta-feira (29)
Segundo a prefeitura, 12,34% dos profissionais da área da Saúde estão paralisados. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) com maior percentual em greve são o Novo Continente, Cachoeira do Bom Jesus, Itacorubi e Rio Tavares.
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O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Ponta do Coral está com serviço de acolhimento afetado.
Na Educação, quatro Núcleos de Educação Infantil Municipais (NEIMs) estão sem atendimento, e 27,1% dos profissionais estão em greve, conforme a administração municipal.
No ensino básico, 25,6% dos profissionais estão paralisados, mas nenhuma escola está sem atendimento, ainda de acordo com a prefeitura.
O NSC Total entrou em contato com o Sintrasem e solicitou o balanço dos grevistas, porém não obteve retorno até o fechamento da reportagem.
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Entenda a greve
A paralisação dos servidores de Florianópolis teve início às 7h de quinta-feira (23). De acordo com o Sintrasem, a greve foi deflagrada após a Prefeitura de Florianópolis não atender às reivindicações apresentadas na data-base.
A proposta encaminhada pelo Executivo acabou rejeitada por não contemplar demandas consideradas centrais pela categoria. Os servidores também denunciam sobrecarga de trabalho e uma “deterioração das condições de trabalho”.
Em nota, a Prefeitura de Florianópolis lamentou a decisão e afirmou que está atuando para evitar impactos nos serviços essenciais prestados à população. A administração municipal ressaltou ainda que mantém diálogo com as categorias e que “cumpre integralmente todos os acordos firmados”.
Veja nota da prefeitura
“A Prefeitura de Florianópolis decidiu na manhã desta segunda-feira, 27 de abril, que irá descontar o salário dos servidores que estão acumulando faltas injustificadas por motivos de greve. O município, que reiteradamente demonstrou abertura para o diálogo nas rodadas de negociação com a categoria, em pelo menos 5 reuniões, entende que a escolha pela paralisação de se deu de forma injustificada, desconsiderando as conversas já realizadas, não havendo cenário que sustente a continuidade da paralisação que afeta serviços essenciais à população, mesmo com baixa adesão.
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‘Queremos retomar imediatamente as negociações, desde que os profissionais voltem às suas atividades regulares. Esse desconto é nosso compromisso com todos aqueles que seguem trabalhando, os mais de 70% dos professores e 80% dos profissionais de saúde que estão garantindo a continuidade dos serviços à população’, enfatiza o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto. Serão consideradas as faltas desde o início da paralisação, na última quinta-feira, 23, até esta terça-feira, 28.
‘Para que possamos avançar, precisamos que ambos os lados estejam comprometidos, o que não demonstra o Sindicato em mais uma paralisação com clara motivação política. Já cumprimos uma série de pedidos e nos mantemos dispostos a dialogar, mas o munícipe não pode ser prejudicado por um movimento quando ele se pautar sem considerar a razoabilidade inerente à gestão pública’, complementa o prefeito.
Vale ressaltar ainda que, em todas essas oportunidades, a administração atuou de forma transparente e propositiva, inclusive com a adoção de medidas concretas no âmbito da data base, especialmente no que se refere às cláusulas de natureza financeira. Ainda no que diz respeito ao aumento do piso da enfermagem, Florianópolis já cumpre integralmente o que preconiza a legislação. Enquanto no Brasil o piso nacional para enfermeiros é de R$ 4.750,00, os enfermeiros do município ganham cerca de R$ 10 mil reais. Os técnicos de enfermagem ganham, no mínimo, R$ 4,3 mil, enquanto o piso nacional é de pouco mais de R$ 3,2 mil.
A Prefeitura segue avaliando melhorias no piso dos técnicos, mas entende que está é uma pauta de discussão de viabilidade técnica e orçamentária e que a discussão não deve ser motivo de interrupção das atividades.”
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Veja o que diz o Sintrasem
“Diante da falta de negociação e respostas do governo Topázio à nossa pauta de data-base, os trabalhadores da PMF decidiram manter a greve por tempo indeterminado e deram uma resposta direta aos ataques do prefeito: quarta-feira vai ser maior!
O grande ato que tomou as ruas do centro reafirmou que a categoria segue pronta para a luta. É preciso que Topázio entenda de uma vez por todas: o que tira trabalhador da greve é negociação e proposta, e não ameaças na imprensa.
A força da greve já fez com que a equipe do prefeito informasse que vai discutir com Topázio a reabertura das negociações. Agora é preciso ainda mais força na mobilização para conquistar a nossa pauta.
Até agora, não há proposta para o reconhecimento das auxiliares de sala no magistério, para uma descompactação real da carreira do professor, para a recomposição salarial dos técnicos de enfermagem ou para o piso dos ACS e ACE.
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Também não há compromisso com concurso público, chamamento de aprovados, fim das terceirizações, defesa da previdência pública ou redução da jornada sem perda salarial.
Amanhã, terça-feira (28), o comando de greve estará nas unidades dialogando com a categoria. Também haverá reunião com os trabalhadores da saúde à tarde para tratar da pauta.
E, na quarta-feira (29), todos na assembleia às 13h30 para mostrarmos ao prefeito que não vamos aceitar que nos tirem o que é de nosso direito. Vai ter luta pra avançar no serviço público!”

