A combinação de tensões geopolíticas no Oriente Médio e incertezas nos mercados globais levou o dólar ao patamar de R$ 5,27, segundo dados do portal Investing. A moeda americana permanece pressionada pela escalada de tensão entre Irã e Israel, um movimento que tende a elevar os custos de produtos importados e de insumos utilizados na produção de alimentos.
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Nesta notícia
- FOTOS: como a guerra e o câmbio transformam o cenário dos supermercados
- Do trigo ao azeite: como a alta do dólar encarece itens essenciais
- Combustível da inflação: o peso da guerra e do frete no custo da sua feira
- O que disparou de preço e onde ainda há alívio
- Como reajustar o consumo e fazer o salário render
Na prática, o efeito não fica restrito ao mercado financeiro. A valorização da moeda americana atravessa as cadeias de produção, chega às prateleiras dos supermercados e pode aumentar o preço de bens de consumo básico.
FOTOS: como a guerra e o câmbio transformam o cenário dos supermercados
Do trigo ao azeite: como a alta do dólar encarece itens essenciais
A valorização do dólar impacta o consumidor por diversos canais. Um dos mais diretos é a importação de alimentos e bebidas. De acordo com a Associação Paulista de Supermercados (Apas), itens como azeites, vinhos, frutas importadas e conservas tendem a sofrer reajustes mais rápidos porque seus custos estão diretamente atrelados ao câmbio.
Outro canal importante de impacto é a cadeia de produção. Segundo o Estado de Minas, insumos como trigo e fertilizantes, amplamente utilizados na indústria alimentícia e na agricultura, dependem fortemente do mercado externo. Com a valorização do dólar, esses custos passam a ser refletidos no valor dos alimentos como pães, massas e carnes.
Esse movimento acontece porque parte relevante das matérias-primas usadas na produção de alimentos é negociada no mercado internacional em dólar. Quando a moeda americana se valoriza frente ao real, o custo de importação aumenta para as empresas brasileiras, o que pode elevar o preço final de diversos alimentos do país.
Combustível da inflação: o peso da guerra e do frete no custo da sua feira
Outro fator de pressão inflacionária vem da logística. Em análise publicada pela Gazeta do Povo, especialistas apontam que conflitos no Oriente Médio tendem a elevar o preço internacional do petróleo. Com o combustível mais caro, o diesel sobe e o frete também aumenta, o que encarece o transporte de mercadorias e pode pressionar os preços nas prateleiras dos supermercados.
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Esse efeito se espalha por toda a cadeia de abastecimento e atinge desde itens de hortifrúti até alimentos industrializados, já que a maior parte dos itens vendidos no país depende do transporte rodoviário.
Em entrevista à Gazeta do Povo, Renan Silva, professor de Economia do Ibmec Brasília, explica que a estrutura logística brasileira amplia esse impacto.
“Nossa matriz de transporte é majoritariamente rodoviária. Como consequência, há elevação do preço do frete e das mercadorias que chegam ao consumidor final”, afirma.
Segundo o Plano Nacional de Logística (PNL 2025), atualmente, cerca de 65% do transporte de cargas no Brasil é realizado por caminhões, o que torna o custo do combustível um fator decisivo na formação dos preços dos alimentos.
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A Apas estima que a desvalorização do real frente ao dólar pode adicionar até 0,7 ponto percentual à inflação em um ano, dependendo do ritmo de repasse dos custos ao consumidor.
O que disparou de preço e onde ainda há alívio
Apesar das pressões cambiais, alguns alimentos básicos apresentaram queda de preços ao longo do último ano no varejo paulista.
Dados do Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela Apas em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), mostram que cereais como arroz e feijão acumulam recuo de 18,24% em 12 meses. O leite também ficou mais barato no período, com queda de 15,31%, movimento associado ao aumento da oferta no mercado.
Entre os óleos, o óleo de soja também apresentou redução em janeiro, e o azeite de oliva segue em trajetória de queda com a retomada da produção europeia.
Por outro lado, alguns itens continuam pressionando o orçamento das famílias. A carne bovina subiu 1,73% em janeiro e acumula alta de 4,04% em um ano, movimento associado ao avanço das exportações brasileiras. Os produtos industrializados também apresentam inflação de 4,39% em 12 meses, com destaque para café, chocolates, chás e alimentos prontos. O café, mesmo após recuo mensal, ainda acumula alta de 24,31% no período, segundo o levantamento.
Como reajustar o consumo e fazer o salário render
Diante do cenário de volatilidade cambial e possível pressão sobre os alimentos, especialistas recomendam ajustes no planejamento doméstico.
Entre as principais orientações está priorizar produtos nacionais e sazonais, que costumam sofrer menor impacto das variações do dólar. Outra estratégia é substituir marcas tradicionais por marcas próprias dos supermercados, geralmente mais acessíveis.
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Também é recomendável organizar as compras semanais com base em listas e promoções, além de recorrer aos atacarejos para adquirir itens de maior consumo em volume. Medidas simples, como reduzir o desperdício de alimentos, preparar mais refeições em casa e revisar gastos recorrentes, podem ajudar a preservar o orçamento familiar.
Outra recomendação é acompanhar indicadores econômicos divulgados pelo Banco Central e manter uma reserva de emergência, estratégia que ajuda a atravessar períodos de maior volatilidade.
Em um cenário de incertezas externas e câmbio pressionado, planejamento e consumo consciente ganham ainda mais importância para manter o equilíbrio das contas domésticas.
*Com edição de Luiz Daudt Junior.








