Há quase 70 anos, um adolescente de 17 anos entrou para a história do futebol ao conquistar o maior torneio do esporte como protagonista da seleção brasileira. Em 1958, na Suécia, Pelé se tornou o jogador mais jovem a vencer a competição e, mesmo após décadas de transformações no futebol mundial, ninguém conseguiu quebrar o recorde estabelecido pelo camisa 10 brasileiro.

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Essa foi a primeira competição deste nível de Pelé, que estreou no banco de reservas, mas conquistou o espaço de titular no decorrer da competição. Ele, que hoje é reconhecido como o maior jogador da história, tinha exatamente 17 anos e 249 dias quando o Brasil derrotou a Suécia por 5×2, em Estocolmo. 

A combinação de talento precoce, circunstâncias históricas e uma trajetória que dificilmente se repetiria no futebol moderno faz desse feito um dos mais singulares do esporte. Ao longo da carreira, Pelé ergueu a taça com a Seleção Brasileira por três vezes, o único jogador da história do futebol a ter conquistado esse feito.

Brasil não era o favorito da edição

Em 1958, o Brasil não era o time mais cotado para vencer o mundial,  já que vinha de uma derrota em casa para o Uruguai, em 1950, episódio que ficou conhecido como Maracanaço. A seleção tinha um elenco talentoso, com Garrincha, Didi e Vavá entre os maiores jogadores, mas a expectativa sobre o jovem Pelé era diferente.

Na época, o Rei do Futebol era uma promessa ainda em formação e os técnicos da Seleção Brasileira ainda o avaliavam com cautela. Uma lesão no joelho fez com que o craque ficasse fora das duas primeiras partidas da fase de grupos. Ele entrou pela primeira vez apenas no terceiro jogo, contra a União Soviética, sem marcar, mas com uma atuação que convenceu a comissão técnica a mantê-lo no time titular.

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A partir daí, cada partida trazia um desempenho melhor de Pelé. Nas quartas de final contra o País de Gales, Pelé marcou o único gol da partida, em um lance de classe técnica rara para  um jogador tão jovem. Ele controlou a bola no peito dentro da área, tirou o zagueiro do caminho com um toque preciso e finalizou rasteiro para o canto. Com aquele gol, tornou-se o jogador mais jovem a balançar as redes em qualquer partida da competição, recorde que também não foi superado. 

Na semifinal contra a França, a participação de Pelé foi ainda mais decisiva, já que ele marcou três vezes em uma vitória de 5×2. Para esse resultado, outro recorde: ele se tornou o jogador mais jovem a fazer um hat-trick, termo usado para descrever quando o atleta marca três gols. Esse feito também nunca foi superado, e ainda é um recorde para o Brasil. 

Gol histórico na final foi marcado pelo maior craque da história

A decisão contra a Suécia, no dia 29 de junho de 1958, foi o capítulo definitivo na história de Pelé. O Brasil vencia por 3 a 1 quando, no segundo tempo, o jogador recebeu a bola dentro da área, encobriu o zagueiro com um toque preciso, deixou a bola cair e finalizou de primeira para o fundo do gol, sem deixar a bola tocar o chão em nenhum momento do lance.

O defensor sueco Sigvard Parling, que tentou impedir o gol, declarou anos depois que chegou a aplaudir o lance na hora. Pelé marcou mais um gol antes do apito final, o que fez com que o Brasil ganhasse a taça com folga.

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Com aquela vitória, Pelé somou três recordes num único torneio: o mais jovem a jogar uma final, o mais jovem a marcar numa final e o mais jovem campeão da história da competição. Nenhum dos três foi quebrado até hoje.

Depois de Pelé, Ronaldo Fenômeno também ergueu a taça com 17 anos pelo Brasil em 1994, mas ele não chegou a superar o recorde devido a alguns dias. O italiano Giuseppe Bergomi, com 18 anos em 1982, e o francês Kylian Mbappé, com 19 anos em 2018, também chegaram perto.

Por que o recorde dificilmente será superado?

Mais de cinquenta anos se passaram e quase nenhum outro atleta conquistou o título mundial antes de completar 18 anos. Isso é porque o futebol moderno é bastante diferente da realidade de 1958, com categorias de base estruturadas e calendários que protegem jovens atletas de sobrecarga física. Além disso, os clubes raramente cedem jogadores menores de idade para competições internacionais de longa duração.

Em 1958, Pelé já estava no elenco profissional do Santos há dois anos e havia estreado pela seleção brasileira aos 16 anos. Esse tipo de trajetória seria praticamente impossível de se repetir nos dias de hoje.

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Ao longo de quatro edições do torneio, Pelé marcou 12 gols em 14 partidas, e tornou-se o segundo maior artilheiro do Brasil na competição, atrás apenas de Ronaldo. Ele foi tricampeão, também em 1962 e 1970, o que consolidou uma carreira reconhecida mundialmente como uma das maiores do esporte.

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