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A Barca Colon

Hamburgo, na Alemanha, foi o ponto de partida dos imigrantes para Joinville

Entre 1850 e 1934 mais de 5 milhões de pessoas saíram pelo porto de europeu rumo ao novo mundo

08/03/2019 - 21h33 - Atualizada em: 12/03/2019 - 11h13

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Redação
Por Redação AN
Porto de Hamburgo, na Alemanha
Porto de Hamburgo, na Alemanha
(Foto: )

ponto de partida da maior parte dos imigrantes que chegaram à Colônia Dona Francisca foi o porto de Hamburgo, na Alemanha. A cidade, segunda mais populosa do país, fica a mais de dez mil quilômetros de Joinville. Ela nunca foi capital de um reino, nem do país, mas sempre foi um centro financeiro importante para a Europa, impulsionado pelo porto, que fica às margens do rio Elba. São mais de 830 anos de comércio marítimo. Hoje, o porto é o mais importante da Alemanha e o terceiro mais importante da Europa.

De 1850 a 1934, estima-se que mais de cinco milhões de pessoas saíram da Europa para o “mundo novo”, como chamavam, a partir de Hamburgo. Destas, 80% foram para os Estados Unidos e só 10% escolheram o Brasil para recomeçar.

– Por volta 1840, 50, o Brasil vivia basicamente da produção de cana-de-açucar e desejava se tornar um país desenvolvido. Círculos próximos ao imperador imaginavam que isso não seria possível com a mão-de-obra escravizada. Então, resolveu-se importar uma mão-de-obra considerada ‘mais qualificada’. E que fosse colocada e estabelecida em espaços até então vazios do Brasil. Mirou-se o Sul, onde surgiram vários empreendimentos coloniais neste período – conta o historiador Dilney Cunha.

Réplica das acomodações da Barca Colon, que está em um museu na Alemanha
Réplica das acomodações da Barca Colon, que está em um museu na Alemanha
(Foto: )

Um museu em Hamburgo tem uma réplica de como seria a Barca Colon por dentro. Foi ela que partiu do porto alemão em janeiro de 1851 e trouxe a primeira leva de colonizadores europeus para a Colônia Dona Francisca. Tudo era muito adaptado porque a prioridade das empresas daquela época era o transporte de cargas.

– Imagine centenas de pessoas em um único cômodo, sem janelas, com pouco espaço para ventilação. Elas só podiam ir ao deck para respirar ar fresco e pegar sol quando o tempo estivesse bom. Podiam ficar confinadas por cinco, seis semanas, porque eram veleiros, que dependiam do vento, então podia levar semanas até mudar – conta a historiadora alemã Nadine Walter.

Os imigrantes alemães eram minoria na Barca Colon, mas vinham principalmente da cidade de Oldenburg, município que fica a 200 quilômetros de Hamburgo e tem 160 mil habitantes. E Oldenburg tem muito em comum com Joinville nos dias de hoje: o amplo uso das bicicletas, um festival de dança, a cuca vendida nas padarias. Mas em 1851, o que levou moradores a atravessarem o oceano em busca de um futuro melhor foi a falta de trabalho, a fome e uma lei local.

Oldenburg, de onde vieram os primeiros colonizadores alemães para a Colônia Dona Francisca
Oldenburg, de onde vieram os primeiros colonizadores alemães para a Colônia Dona Francisca
(Foto: )

– Quando você tinha uma fazenda e tinha quatro filhos ou mais, o mais velho herdava as terras. Mas os outros não recebiam nada. Por isso, eles deveriam encontrar um lugar para trabalhar e ganhar dinheiro – conta o guia turístico da cidade, Bernd Muderloh.

Cartaz da Companhia Colonizadora de Hamburgo que mostrava os destinos no Sul do Brasil, entre eles, Joinville
Cartaz da Companhia Colonizadora de Hamburgo que mostrava os destinos no Sul do Brasil, entre eles, Joinville
(Foto: )

* Textos: Letícia Caroline Jensen, especial para o AN

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