“Como é que a cidade ficou desse jeito, cheia de casas, empresas e ruas, se era tão cheia de floresta?”. A pergunta é feita por uma criança a uma árvore e remete ao sentimento de transformação do que já foi uma pequena colônia no lugar que é, hoje, a maior cidade de Santa Catarina. É em perguntas como essa, baseadas na curiosidade e na inocência de uma criança, que a história da colonização de Joinville é apresentada de uma forma diferente pela escritora Fernanda Ortiz, de 32 anos.
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No livro infantil “Tatá no Reino de Guapuruvu”, lançado oficialmente em Joinville neste sábado (17), Fernanda e a ilustradora Luisa Simão abordam de uma maneira lúdica, com linguagem simples e usual para as crianças, a história da fundação da Colônia Dona Francisca. A narrativa envolve conversas de um pequeno menino indígena e árvores típicas da região, que com uma sabedoria secular contam as histórias da cidade para o pequeno.
— Tatá é um indiozinho Guarani, de por volta dos seis anos de idade, e ele conversa com árvores. Guapuruvu é uma árvore nativa da Mata Atlântica, e os diálogos se desenvolvem entre o indiozinho e a árvore. Tem outras árvores presentes também na história, o seu Ipê, o seu Jacatirão, a dona Canela-ferrugem, e cada um tem as suas peculiaridades, eles vão criando diálogos, e o plano de fundo vai acontecendo com a chegada dos colonos, a cidade vai crescendo e a gente vai contando. Desde que chega a Barca Colon, como vai crescendo a cidade e as árvores vão perdendo seu espaço e os índios também tem que recuar um pouco — detalha Fernanda Ortiz, que é designer de moda e estudante de Artes Visuais, além de já ter lançado outro livro.
Contando a história de Joinville com um olhar voltado às crianças e atenção ao meio-ambiente e os primeiros moradores da região, o livro fala da preservação de manguezais e traz aos pequenos leitores lições importantes de cuidado com a natureza. A ideia surgiu a partir de projetos de Fernanda com o marido, o fotógrafo Daniel Machado. Nas experiências com ele pesquisando manguezais e populações ribeirinhas de Joinville e região, veio também o contato com pequenos produtores rurais e um outro lado da cidade:
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— Desde a infância sempre gostei desses temas relacionados à cultura, e tenho um envolvimento bem grande com essa parte. A partir do momento que comecei a acompanhar ele nos projetos fotográficos, começamos a ver uma parte da cidade que nem sempre é vista. Eu achei que isso deveria ganhar um espaço maior, contar essa história da cultura de Joinville, de uma forma diferente, lúdica, que pudesse encantar as pessoas quando vissem.
Ilustrações em aquarela e oficinas com a comunidade
O livro de 96 páginas traz ilustrações exclusivas feitas para a obra pela artista Luisa Simão, que transformou Tatá, as árvores e os outros personagens em desenhos em aquarela — como os que ilustram esta reportagem e a capa desta edição do AN. A escolha veio pelo gosto da própria autora pela aquarela, e foi um dos pontos encontrados para ampliar o alcance de “Tatá no Reino de Guapuruvu”.
Por ser um livro lançado com apoio da Lei Rouanet, contrapartidas para a comunidade estavam previstas desde o início do projeto. Nos últimos dias, duas escolas de Joinville receberam oficinas com a leitura de trechos do livro e aulas de aquarela. Os desenhos feitos pelos alunos do quarto ao oitavo ano do ensino fundamental participam do evento de lançamento do livro, neste sábado (17) no Museu da Imigração em Joinville.
Além das aulas para crianças, o projeto do livro envolve também uma oficina para professores, que podem aprender a utilizar a obra em sala de aula para mostrar de uma forma diferente parte da história de Joinville, além das técnicas de ilustração utilizadas.
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— Meu desejo é passar conhecimento e despertar o imaginário infantil, como ocorreu comigo. Quando criança, adorava os momentos ouvindo as histórias contadas pela minha avó, embalada em uma cadeira de balanço na varanda da nossa pequena casa em um sítio no interior do Paraná — relembra Fernanda.
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