O homem atropelado na Rua Itajaí, em Blumenau, no último fim de semana, morreu na manhã de Ano-Novo. O relógio marcava 9h desta quinta-feira (1º) quando a família de João Luiz Domingos Alves Júnior, de 35 anos, recebeu a triste notícia. Em meio a dor, em um dia que deveria ser marcado por celebração, a esposa, Fernanda dos Santos Maciel, encontrou forças para um gesto de amor ao próximo.
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— Ele gostava de ajudar todo mundo, por isso minha decisão pela doação de órgãos. Porque, em vida, se precisasse doar um rim para alguém, o João faria. Ele amava ajudar os outros sem receber nada em troca.
Fernanda conheceu o marido quando os dois ainda eram adolescentes. Mas a união, porém, veio há seis anos, através de um contato nas redes sociais durante a pandemia. Fruto do casamento, vieram os três filhos. A caçula ainda tem apenas quatro meses de vida. A família era uma paixão de João, que sonhava em conseguir comprar uma casa própria, conta a esposa.
No dia do acidente, o rapaz saiu para comprar cigarro no posto de combustíveis. Foi atingido por um carro cujo motorista disse ter enfrentado um problema de direção, acabou perdendo o controle e arremessou o pedestre para longe. O condutor, de 25 anos, alegou, ainda, que a vítima estava muito perto da estrada e não conseguiu evitar o atropelamento.
Nesta sexta-feira (2) à tarde, enquanto arrumava as crianças para o velório do pai, Fernanda disse que explicaria aos pequenos que João “virou uma estrelinha”. O homem alegre, amigo de todo mundo e que amava andar de moto, pôde doar fígado, pâncreas, rins e globo ocular.
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O condutor, que fugiu sem prestar socorro, foi localizado pela polícia. Morador de Gaspar, agora ele deve responder por homicídio culposo na direção de veículo automotor. Ele está solto.
— A família agora só pede por justiça — desabafa Fernanda.

