Uma nova pesquisa científica revelou que a exposição a contaminantes ambientais da família das substâncias perfluoroalquiladas (PFAS), especificamente o PFNA e o PFSA, está diretamente ligada à aceleração do envelhecimento biológico em humanos.
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O estudo, publicado em fevereiro de 2026 na revista internacional Frontiers in Aging, indica que esses componentes químicos “amplificam” o relógio epigenético do corpo, usado para determinar a idade biológica de uma pessoa, fazendo com que as células envelheçam mais rápido do que a idade cronológica permitiria prever.
O levantamento analisou dados de 326 adultos nos Estados Unidos, todos com idade igual ou superior a 50 anos. Utilizando algoritmos avançados de metilação do DNA, conhecidos na ciência como “relógios biológicos”, os pesquisadores identificaram que o impacto não é uniforme na população. A pesquisa indsicou que homens e indivíduos na faixa dos 50 aos 64 anos apresentam maior vulnerabilidade aos efeitos degenerativos dessas substâncias.
Saiba por que você pode estar consumidos os “químicos eternos”
O que são os PFAS?
Os PFAS são compostos sintéticos amplamente utilizados na indústria devido à sua resistência ao calor, água e óleo. Por serem extremamente estáveis, eles não se degradam facilmente no meio ambiente, o que lhes rendeu o apelido de “químicos eternos”. A contaminação ocorre frequentemente por meio da água potável e do solo, afetando milhões de pessoas no mundo.
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Segundo os autores do estudo, vinculados a instituições como a Shanghai Jiao Tong University, a exposição ao PFNA foi significativamente associada a marcadores de mortalidade acelerada, especialmente em homens. Já o PFSA mostrou relação com modelos que preveem a redução da longevidade.
Envelhecimento biológico x idade cronológica
Diferentemente da idade registrada no documento, o envelhecimento biológico é medido por alterações nas células, especialmente no DNA. Para isso, os pesquisadores utilizam “relógios epigenéticos”, ferramentas que estimam a idade do corpo com base em padrões de metilação do DNA.
Um dos principais indicadores analisados foi o GrimAge, um marcador associado ao risco de mortalidade e doenças relacionadas à idade. Homens com níveis mais elevados de PFNA apresentaram aceleração significativa nesse marcador em comparação às mulheres.
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Além do envelhecimento precoce, evidências epidemiológicas anteriores já associavam os PFAS ao aumento dos níveis de colesterol, alterações em enzimas do fígado, redução da resposta a vacinas e riscos elevados para certos tipos de câncer, como o de rim e o de testículo.
Por que os homens seriam mais vulneráveis?
Os autores apontam algumas hipóteses. Diferenças metabólicas e imunológicas podem tornar os homens mais sensíveis aos efeitos tóxicos dessas substâncias. Além disso, padrões históricos de exposição ocupacional também podem influenciar.
O estudo também identificou que a faixa etária entre 50 e 64 anos parece ser um período especialmente sensível aos impactos ambientais sobre o envelhecimento celular.
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Embora a pesquisa não estabeleça uma relação direta de causa e efeito, ela reforça evidências de que fatores ambientais desempenham papel importante no envelhecimento. Além disso, o estudo aponta que homens e mulheres podem responder de maneira diferente à exposição a poluentes.
“Essas descobertas ressaltam a necessidade de regulamentar os PFAS emergentes e integrar biomarcadores epigenéticos em avaliações de risco à saúde ambiental”, aponta o relatório científico.






