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    Hospital de Joinville é um dos selecionados do Brasil a realizar testes com remédios para Covid-19

    São nove unidades em todo o país que farão ensaios clínicos em pacientes graves a partir da iniciativa de empresa francesa

    03/09/2020 - 06h53

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    Patrícia
    Por Patrícia Della Justina
    Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, em Joinville
    Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, em Joinville
    (Foto: )

    O Hospital Hans Dieter Schimdt está entre os nove hospitais do Brasil a realizar testes clínicos com um medicamento que pode auxiliar no tratamento da Covid-19. O estudo denominado miR-AGE é desenvolvido pela empresa francesa de biotecnologia Abivax que faz ensaios clínicos para tratar pacientes com doenças autoimunes, infecções virais e câncer. O medicamento ABX464 está sendo ministrado e, conforme a pesquisa, pode reduzir os efeitos graves da Covid-19.

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    Além da unidade de Joinville, a pesquisa está sendo desenvolvida em hospitais de São Paulo, Rio de Janeiro, Roraima e Pernambuco. Os locais foram escolhidos com base nas recomendações de um dos principais imunologistas do país, Jorge Kalil, médico e professor titular de imunologia clínica e alergia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e que também está à frente dos estudos no Brasil. 

    Além disso, o estudo foi aprovado pela Anvisa (Agência Sanitária Brasileira), bem como pelas agências sanitárias da França, Alemanha, Reino Unido e Itália. A aprovação pelas autoridades do México, Chile e Peru está em andamento. A aprovação pela agência nacional está disponibilizada na lista dos ensaios clínicos com medicamentos para prevenção ou tratamento da Covid-19 realizados no país. 

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    - Na atual situação, sem vacina e sem imunidade em massa contra a Covid-19, necessitamos de um tratamento rápido que reduza a gravidade dessa doença - afirma o professor Hartmut Ehrlich, presidente da empresa de biotecnologia. 

    Ele acrescenta que, até o momento, nenhum tratamento terapêutico demonstrou eficácia em estudos criteriosos para tratar a forma grave da Covid-19.  

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    - Isto significa que auxiliar os médicos na prevenção do desconforto respiratório e morte dos pacientes com a COVID-19 e limitar o dano pulmonar de longo prazo é necessidade primordial. Além disso, reduzir a necessidade de uso de UTIs nos hospitais é prioritário - pontua. 

    Hartmut ainda explica que a ABX464 é uma pequena molécula disponível em apresentação oral que pode ter o potencial de atingir alguns desses objetivos devido ao mecanismo de ação e facilidade de utilização. 

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    - Já dispomos de cápsulas de ABX464 em estoque para o tratamento de aproximadamente 50.000 pacientes, e podemos aumentar a produção de ABX464, em poucos meses, para o tratamento de mais de um milhão de pacientes - ressalta. 

    Medicação tem efeito triplo

    Os participantes serão pacientes confirmados com Covid-19 e acima de 65 anos, ou abaixo de 65 mas que apresentem fatores de risco. Eles vão receber a medicação ABX464 por via oral durante um período de 68 dias. O estudo aponta que o antídoto apresenta potencial efeito benéfico triplo no tratamento dos pacientes com coronavírus: antiviral, anti-inflamatório e reparador de tecidos.

     A administração por via oral do medicamento permite o tratamento precoce de participantes hospitalizados ou não hospitalizados. Os participantes não hospitalizados vão tomar uma cápsula de ABX464 por via oral, uma vez ao dia, por 28 dias, em casa. Durante o período obrigatório de 14 dias, os participantes vão receber o tratamento e serão monitorados por telefone. A partir da terceira semana de tratamento, ou a partir da data em que o participante for liberado da quarentena pelo médico responsável, os participantes deverão comparecer ao hospital, uma vez por semana, para monitoramento.

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    Segundo Jorge Kalil, a pesquisa clínica vai avaliar se o tratamento anti-inflamatório precoce com ABX464 pode melhorar os resultados em participantes com coronavírus. 

    - ABX464 é um composto em fase final de desenvolvimento que apresenta um novo mecanismo de ação no tratamento de participantes com doenças inflamatórias. Os estudos de fase 2b/3 testam o potencial de um novo candidato terapêutico na prevenção da inflamação grave que leva a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em participantes idosos ou de alto risco para a Covid-19. A molécula já apresentou dados de eficácia transformacional em participantes com colite ulcerativa, doença também inflamatória. Além disso, ABX464 apresentou perfil de segurança favorável em mais de 300 participantes voluntários e portadores de HIV ou colite ulcerativa - explica. 

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    Principais causa de desconforto e morte de pacientes 

    Os estudos têm mostrado que a principal causa de desconforto respiratório e de morte de pacientes positivados é a chamada hiperinflamação pulmonar. Nos participantes portadores de colite ulcerativa, ABX464 demonstrou capacidade curativa das lesões inflamatórias. Até hoje, mais de 300 participantes foram tratados com a medicação. 

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    O estudo vai avaliar os benefícios potenciais da tripla ação do medicamento em estudo ABX464 em 1.034 participantes idosos ou de risco para a COVID-19, que incluem efeito anti-inflamatório para tratar a hipercitonemia e a síndrome da hiperinflamação observadas em participantes com coronavírus.

    Além disso, o objetivo também é utilizar as prpriedades do medicamento para reparação tecidual para prevenir uma potencial disfunção pulmonar de longo prazo após a infecção. Nos participantes portadores de colite ulcerativa, o estudo apontou que o medicamento demonstrou capacidade curativa das lesões inflamatórias. 

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