Na praia das Bananeiras, em Governador Celso Ramos, as ruínas do que um dia foi o glamouroso Hotel Tinguá atraem curiosos. O local paradisíaco é o cenário do fim trágico de uma família após a morte da proprietária do hotel, que ficou de herança para os filhos.
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A disputa pela propriedade se tornou motivo de briga entre dois irmãos. Após a morte de Eliane, antiga proprietária, o hotel virou herança, e dois herdeiros passaram a se desentender. Algumas diferentes versões da história do hotel circulam, em que se conta que um dos irmãos teria matado o outro. Em outras, o irmão teria encomendado a morte. Da mesma forma, são contadas diferentes versões sobre o desfecho do irmão que matou o outro (ou encomendou a morte).
Há quem diga que ele se matou na prisão, ou que foi solto e por medo de ser preso novamente tirou a própria vida, e até mesmo que ele teria se matado dentro do hotel abandonado.
Moradores convivem com história trágica de hotel
O drama familiar que envolve o local é confirmado pelo comerciante Dibio, natural de Atalanta, no Vale do Itajaí, mas morador de Governador Celso Ramos há 25 anos. Pela versão contada por ele, um irmão teria matado o outro na briga pela propriedade e depois se matado na prisão.
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Dibio afirma que o hotel fazia parte dos empreendimentos da família Santos, do Sul do Estado. Uma irmã ainda seria proprietária de duas das exclusivas casas localizadas na Praia do Tinguá, a cerca de 700 metros do hotel.
O comerciante conta que recentemente a área foi comprada por uma empresa de loteamento mineira, com a intenção de lotear o local, o que possivelmente iria derrubar o hotel abandonado. Porém, problemas com a rede de água no local fizeram com que o processo fosse barrado por órgãos ambientais.
Como está o Hotel Tinguá atualmente
Agora, o que um dia foi um local de glamour e destaque no setor hoteleiro está totalmente abandonado. O acesso ao local, feito por um caminho de terra em desnível, faz imaginar como os hóspedes costumavam chegar até o antigo hotel na década de 1980, quando o local estava em seu auge.
Depois de uma caminhada de menos de dez minutos, que também dá acesso à Praia das Bananeiras, quem explora a região começa a ver o topo da primeira de três edificações.
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Um calçamento ainda resiste aos efeitos do tempo e leva da trilha à estrutura do hotel, já visivelmente degradada. As pichações deixam marcas de quem esteve ali ao longo dos anos em que o estabelecimento já não estava mais em funcionamento.
Passo a passo, sobre vidros quebrados, madeiras espalhadas, água pingando e vegetação que invade o que ficou para trás, é possível ver o que restou de um tempo em que o espaço tinha outras cores, sons, cheiros e memórias.
A tinta já descascada, somada a buracos no telhado, janelas quebradas e marcas de fogo no que um dia foram estruturas de camas, de prováveis visitas recente ao hotel, criam um cenário sombrio. Somado às histórias do desfecho familiar dos proprietários, a aura do local não é das melhores.
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A fama no TikTok
As histórias sobre “assombrações” e fantasmas no hotel abandonado também são muitas, e há quem procure o lugar justamente por esse ar misterioso e até macabro. Há lendas sobre aparições no que um dia foi espaço de descanso para famílias de visitantes, e o hotel figura, inclusive, em listas online de lugares mais mal-assombrados de Santa Catarina.
Seja pela história dos irmãos, pela bela vista ou por relembrar um passado nem tão distante, a internet tem transformado o espaço em ruínas em uma espécie de ponto turístico. Diversos vídeos com imagens do hotel abandonado têm viralizado nas redes sociais recentemente.
Foi dessa forma que Luís Felipe Santana e Val Lustosa, que moram em São José há um mês e meio, ficaram sabendo do local.
— A gente viu muitos vídeos no TikTok falando, explicando sobre os pontos turísticos. Tivemos a oportunidade de vir, meu tio já tinha vindo aqui, e a gente veio conhecer — conta Luís Felipe, atendente de farmácia de 24 anos.
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A curiosidade de ver como era o local e conhecer o hotel que faz parte da história da região levou os amigos a irem até o hotel abandonado e explorarem seus antigos quartos e áreas comuns, além de admirar a vista privilegiada.
— Foi parte da história, acho que é muito importante a gente conhecer, ver como era e o quanto evoluiu. E é uma localização muito interessante, porque é na beira do mar, tem a vista privilegiada. Para o tempo, era bem evoluído, era um luxo — explica Luís Felipe.
As lendas que envolvem o hotel e o medo de, quem sabe, “esbarrar” com alguma assombração ou ter uma experiência assustadora enquanto caminham pelos cômodos não impediu a visita, mas fez com que ela fosse feita só em grupo.
— Eu sozinho não viria nunca, mas estamos em quatro, aí a gente veio mais tranquilo — brinca Val Lustosa, de 20 anos.
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