Dois filhotes de lontra, resgatados pelo Projeto Lontra, foram soltos na Lagoa do Peri, em Florianópolis, em uma ação inédita realizada nesta quarta-feira (4). Apelidados como “gêmeos”, os filhotes têm cerca de oito meses de idade e, agora, têm a oportunidade de ser readaptar na natureza após ficarem sob os cuidados do projeto desde o nascimento.

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O macho e a fêmea são filhos de Nanã, uma lontra resgatada há quase 10 anos pela Polícia Ambiental embaixo da Ponte Hercílio Luz, na área central do município. A mãe dos filhotes, na época, tentava mamar no corpo da mãe, que já estava morta devido a um traumatismo craniano após agressões. O pai dos bebês, Lucky, também foi resgatado e entregue a um zoológico — outra alternativa de destino para os animais que não podem ser realocados na natureza.

Outra opção é destinar os animais para aquários, como o Oceanic Aquarium, por exemplo, em Balneário Camboriú. Lá, vivem Jean Miguel e Carlos Daniel, duas lontras resgatadas ainda filhotes em Belém do Pará (PA) pela Polícia Militar Ambiental.

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Espécie ameaçada

As lontras, da espécie Lontra longicaudis, estão na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), ameaçadas de extinção. No Brasil, ela é classificada como “Quase Ameaçada”, enquanto em países como a Argentina, a espécie é vista como “Em Perigo”.

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Esses animais acabam perdendo o habitat e sofrem com a poluição dos rios, caça ilegal e tráfico de animais silvestres. Em Florianópolis, o Instituto Ekko Brasil com o Projeto Lontra atua há quase 40 anos na pesquisa e conservação da espécie, em parceria com o Grupo Oceanic, responsável pelo maior aquário do Sul do país.

Para o presidente do Instituto Ekko Brasil B e gerente administrativo do Projeto Lontra, Marcelo Tosatti, a soltura dos filhotes é uma “oportunidade de transformar histórias de sofrimento em esperança para a biodiversidade”. Os animais resgatados pelo projeto são vítimas de maus-tratos, das ações humanas ou dos impactos das mudanças climáticas e, com a soltura, principalmente quando são filhotes, podem ter mais sucesso ao serem reintroduzidos na natureza.

Ao todo, 14 filhotes nasceram sob os cuidados do projeto, em oito anos.

Próximos passos

Agora, as lontras serão monitoradas com armadilhas fotográficas, observações de campo e análise de vestígios como pegadas, fezes e marcações que podem indicar como esses animais estão se adaptando ao ambiente. Cerca de sete tocas já foram identificadas como habitadas por lontras na região, com supervisão de órgãos ambientais como o Ibama, o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) e a Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis (Floram).

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