Morar em Florianópolis está cada vez mais caro. A realidade de muitos moradores da capital catarinense é vista através dos dados do Indicador de Acesso Habitacional, calculado pelo Instituto Cidades Responsivas. Na última atualização, em setembro, a cidade tinha o quinto pior índice para aquisição entre as 27 cidades pesquisadas.

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O índice de 83% representa o percentual médio que uma família precisa destinar para comprar uma moradia. Isso significa que do total de ganhos de uma família, 83% precisa ser direcionado para a compra de um imóvel.

No caso do aluguel de longa duração, a porcentagem é menor, porém ainda elevada: de 44% da renda total. Os indicadores colocam Florianópolis entre as capitais brasileiras mais caras para se morar e se adquirir um imóvel.

As belezas naturais de Florianópolis

O Indicador de Acesso Habitacional compara a renda das famílias, a partir de dados do IBGE, com os preços dos imóveis para venda e aluguel de longa duração, com base em anúncios publicados em plataformas eletrônicas nos doze meses anteriores.

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A taxa média de juros de financiamentos imobiliários dos cinco principais bancos do país também é considerada para o cálculo de compra. Quanto menor é o índice, maior é a capacidade de os moradores adquirirem ou alugarem habitações nas cidades.

O levantamento utiliza a mediana ao invés da média dos preços dos imóveis para evitar distorções por conta de lançamentos de alto padrão.

— Também, no cálculo, utiliza-se um redutor para equalizar a diferença entre os valores anunciados e os que prevalecem no fechamento dos negócios — diz Guilherme Dalcin, mestre em planejamento urbano e cientista de dados do Instituto Cidades Responsivas.

O percentual previsto pela literatura e pela Lei de Comprometimento de Renda, que rege a política de financiamento habitacional dos bancos, é de que uma família pode destinar até 30% da renda à habitação sem comprometer a saúde financeira, explica Luciana Fonseca, doutora em planejamento urbano e diretora do Instituto Cidades Responsivas.

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Florianópolis lidera lista desde 2023

O Indicador de Acesso Habitacional começou a ser realizado em dezembro de 2023, e desde então Florianópolis é a capital com a maior mediana de valores de imóveis para venda. Entre os meses de junho e setembro, esse valor passou de R$ 1.200.00 para R$ 1.280.000. Guilherme Dalcin aponta que as moradias de alto padrão impulsionam esse resultado.

— Essa é uma característica observada em todo o país. Mas, no caso catarinense, a reduzida área para a expansão urbana acaba por limitar a oferta de unidades, o que encarece ainda mais as habitações — conta.

A cidade de Vitória (ES) aparece com a segunda maior mediana de valores de imóveis à venda, de R$ 1.150.000, e também conta com limitações geográficas semelhantes a capital catarinense, que limitam a expansão do mercado imobiliário.

— Mas, ali, o turismo não é tão aquecido. Já em Florianópolis, parte significativa dos imóveis disponíveis é destinada a contratos de curta duração, como os anunciados em plataformas como o Airbnb — afirma.

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