Uma impressora 3D vai criar peças para “imitar” pedaços de ossos. A tecnologia vai ajudar a otimizar tratamentos e procedimentos ortopédicos no Hospital Municipal São José de Joinville. As peças vão reproduzir partes de ossos que sofreram fraturas ou fissuras com as características de cada paciente e, dessa forma, contribuir para a análise da equipe médica e escolha do tratamento e procedimentos a serem realizados.

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Como as peças criadas na impressora 3D vão ajudar o hospital

Os biomodelos impressos em 3D geralmente são utilizados em casos mais complexos atendidos no setor de Ortopedia e Traumatologia do Hospital São José nos quais geralmente são necessárias intervenções cirúrgicas. 

A partir de exames de imagem, como tomografias e ressonâncias, a impressora converte as informações digitais em instruções físicas que serão reproduzidas no biomodelo tridimensional, construído em material plástico. 

Além de poder reproduzir ossos de qualquer tamanho, outro aspecto importante é que a impressora reproduz o biomodelo com as dimensões exatas do paciente, permitindo ao médico fazer uma análise precisa do tratamento e procedimentos a serem realizados. 

De acordo com o médico do setor de Ortopedia e Traumatologia do hospital, Guilherme Stirma, desde que a impressora foi instalada, no mês de novembro do ano passado, já foram feitas cerca de 50 impressões para tratamentos de regiões de quadril, pé, ombro, joelho, tornozelo, coluna e outras partes ósseas. 

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— Quando você olha a imagem no monitor do computador, você tem percepção bidimensional, são imagens em planos lineares. Já com uma peça tridimensional, a gente entende que tem volumetria, superfície de área, que é uma situação completamente diferente — destaca. 

Ainda conforme o especialista, o cirurgião é tátil, tudo que o médico pega e sente é absolutamente mais plausível ao entendimento do que apenas visualizar. Se fizer um estudo de forma bidimensional, tem um resultado, mas com o advento dessas tecnologias, com aumento do entendimento em volumetria, o profissional consegue ter mais percepção da dificuldade que vai encontrar e da melhor forma como vai resolver o problema. 

De acordo com Stirma, as impressões em 3D são cada vez mais utilizadas na área de ortopedia, proporcionando aos profissionais a realização de diagnósticos mais assertivos e, consequentemente, melhores resultados para os pacientes. 

Há cerca de 10 anos, Stirma estuda e usa os biomodelos tridimensionais em seu trabalho e, agora, ajudou a implantar esse recurso no hospital ao intermediar o contato com a importadora Slim 3D Impressoras, empresa que fez a doação da impressora para o hospital. 

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— Com o advento da tecnologia estamos melhorando a programação pré-operatória dos pacientes. A ideia de trazer esse recurso para o sistema público de saúde tem o objetivo de melhorar a performance no planejamento das cirurgias e, também, incrementar o aprendizado dos médicos residentes que estão em formação —, destaca. 

De fabricação chinesa, a impressora 3D Creality CFS que foi doada para o setor de ortopedia é reconhecida como um equipamento de ponta e de fácil operacionalização. 

— Esse tipo de equipamento começou a ser utilizado no mercado há cerca de 10 anos, mas eram maquinários grandes, caríssimos e com muitos comandos manuais. Nos últimos cinco anos começou a ser mais acessível. Hoje, as máquinas são mais automatizadas e funcionam de forma mais simplificada — explica Guilherme.

Tecnologia como ferramenta de aprendizagem

Ainda pouco disponível na área da saúde pública e particular em âmbito nacional, a impressora 3D representa um diferencial para o Hospital Municipal São José de Joinville e pode vir a ser aproveitada por outras especialidades. 

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Além de ser uma importante ferramenta de trabalho para a equipe médica, a tecnologia também vem sendo utilizada pelos residentes do Hospital São José. 

Para o médico residente Annibal Nakamura, o contato com o equipamento em um hospital público foi uma surpresa. 

— Eu nunca esperava encontrar essa tecnologia em um hospital público. É algo fenomenal para o nosso aprendizado. Poder conhecer e manusear esse equipamento é uma oportunidade ímpar. A automação e a tecnologia facilitam o planejamento pré-operatório. Isso dá mais segurança tanto para o cirurgião quanto para o profissional que está em formação. Já utilizei a impressão 3D diversas vezes para planejamento, discussões, para ter conhecimento biomecânico. Cada fratura é diferente e termos essa visão tridimensional é algo diferente mesmo — cita.

Errata: anteriormente, informamos que as peças substituiriam ossos nos procedimentos, mas, na verdade, elas são usadas para análise da equipe médica e escolha do tratamento e procedimentos a serem realizados.

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