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Setor cultural

Incêndio na Cidadela Antarctica de Joinville é "crônica de uma tragédia anunciada", diz Conselho de Cultura

Representantes da classe artística da cidade lamentaram e manifestaram indignação com descaso do setor público com a estrutura desde promessa de transformação em espaço cultural, em 2000

20/03/2021 - 07h00

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Patrícia
Por Patrícia Della Justina
Cidadela Antarctica de Joinville pegou fogo na última sexta-feira
Pavilhão da Cidadela Antarctica de Joinville pegou fogo na última sexta-feira
(Foto: )

O incêndio registrado na tarde da última sexta-feira (19) na Cidadela Antarctica de Joinville trouxe um misto de sentimentos principalmente para a classe artística da cidade. O imóvel foi comprado pela Prefeitura de Joinville em 2000 com a promessa de ser transformado em um espaço cultural. 

- A Cidadela faz parte da riqueza cultural de Joinville por ser patrimônio histórico, por ser um aparato para ser transformado para a cultura - completa o vice-presidente do Conselho Municipal de Cultura, Sérgio Almeida. 

O complexo já recebeu diversos eventos culturais, como atrações teatrais e outros eventos. Já recebeu o acervo do Museu de Arte de Joinville (MAJ) enquanto esteve em reforma, além da tentativa de implementação do Museu de Arte Contemporânea Luiz Henrique Schwanke no mesmo local onde houve o incêndio nessa sexta. O pavilhão que pegou fogo faz parte da ampliação pela qual a antiga cervejaria passou nos anos 1940.

> MP faz cobranças sobre Cidadela em Joinville desde 2015; último ofício foi em março

- Não tem uma pessoa da área artística de Joinville que não esteja triste com o que aconteceu hoje - pontua Sérgio. 

Os representantes do setor artístico de Joinville se movimentam e pedem há anos ao setor público por reformas, revitalizações de espaços e garantia de segurança. Recentemente, os projetos de restauração foram retomados com a nova gestão do município, no entanto, ainda incipientes. 

- Para a gente, é como se fosse um monumento. Um monumento que a gente vê ruir. É a crônica de uma tragédia anunciada - destaca o vice-presidente do Conselho.

Desabafo de artistas

Diversos artistas de Joinville manifestaram, em redes sociais, a indignação com o descaso do setor público com relação à estrutura. 

- A Cidadela está ardendo em chamas, não por acidente, mas porque esta cidade nos trata como descartáveis, porque não damos lucro ao município - desabafa a produtora cultural Bia Alvarez.

Dia triste...Eu não sei mais processar tantos lutos deste último ano...Ter encontrado a Cidadela Cultural Antarctica...

Publicado por Bia Alvarez em Sexta-feira, 19 de março de 2021

O ator e diretor de teatro Jonas Raitz também manifestou a insatisfação por meio de vídeo em suas redes socias. 

- A Cidadela só está nesse ponto, só pegou fogo, só está destruída porque não tivemos governos que priorizassem o investimento na cultura como deveria ser feito. Levando em consideração que a cultura levanta milhões de reais por ano em todos os lugares. No país ela é uma indústria bilionária - reforça. 

Em nota emitida no fim da tarde de sexta-feira, a prefeitura informou que profissionais da Defesa Civil e da Secretaria de Cultura e Turismo acompanharam os trabalhos de combate ao incêndio. Depois que o prédio estiver seguro para acesso, os técnicos farão uma vistoria para avaliar os estragos e apurar a possível causa do incêndio e suas consequências. 

Leia na íntegra: 

"Por volta das 15h30 desta sexta-feira (19), os Bombeiros Voluntários de Joinville foram acionados para combater um incêndio em um prédio que faz parte da Cidadela Cultural Antarctica, que fica localizada na rua XV de Novembro, no América.

O prédio atingido pelas chamas estava interditado, após parte do morro que fica atrás da edificação ceder. Desde então, o local não era utilizado.

De acordo com os bombeiros, o incêndio iniciou em uma sala que era utilizada para guardar materiais de arquivo e se espalhou rapidamente pela estrutura. A ocorrência reuniu 28 bombeiros, que atuaram com o apoio de 13 veículos.

Profissionais da Defesa Civil e da Secretaria de Cultura e Turismo acompanham os trabalhos de combate ao incêndio. Depois que o prédio estiver seguro para acesso, os técnicos farão uma vistoria para avaliar os estragos e apurar a possível causa do incêndio e suas consequências."

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