O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) entrou com uma ação civil pública contra o influenciador Leonardo Marcondes por suposta prática de discurso discriminatório contra pessoas pobres. A ação foi motivada por vídeos publicados nas redes sociais em que ele defende que pessoas em situação de vulnerabilidade econômica não deveriam ter direito ao voto. O perfil do influenciador reúne mais de 1,4 milhão de seguidores no Instagram.

Continua depois da publicidade

“Você já parou pra pensar que pobre não devia ter direito de votar? Pensa comigo. Uma pessoa que é pobre, ela não soube tomar boas decisões pra ter o melhor pra sua família e pra si mesma. E essa pessoa que não tomou boas decisões pra ter o melhor pra si mesma, ela vai agora tomar uma decisão que vai ser o melhor para o país”, declarou Marcondes em vídeo publicado na internet.

“Qual que é a habilidade que essa pessoa tem ao tomar decisões? Nenhuma. É uma pessoa que não deveria votar. Porque um país ou uma empresa não pode estar nas mãos de uma pessoa que não consegue nem ter responsabilidade sobre as próprias atitudes. Tenta pensar quão que o mundo seria um lugar melhor se os pobres não votassem, se o poder de decisão de um país ficasse nas mãos dos ricos, até que o pobre, ele ficasse rico pra que ele conseguisse ter o poder de tomar decisões também”, disse.

Continua depois da publicidade

Influenciador vende assinaturas para seguidores receberem seus áudios motivacionais

O influenciador afirma em suas redes sociais ter descoberto a “fórmula da riqueza”. Além de vender cursos online, Marcondes oferece aos seus seguidores assinaturas de até R$ 29 mensais para entrarem em um “Clube da Riqueza”. Dentre outros produtos, os asssinantes do clube teriam acesso exclusivo a “áudios motivacionais” do influenciador. Segundo a investigação do MP, Marcondes não teria a formação necessária para oferecer cursos online (leia mais abaixo).

O influenciador vende os cursos por meio do CNPJ da Npac Corporation, uma empresa de micro porte que tem sua sede localizada em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina.

Continua depois da publicidade

Influenciador vende cursos sem formação

Leonardo Marcondes, conhecido nas redes sociais como Léo Marcondes, se apresenta como “treinador financeiro”, coach, palestrante e empresário. Em seus perfis, divulga cursos, mentorias e treinamentos sobre empreendedorismo, desenvolvimento pessoal e educação financeira, por meio da empresa Escola NPAC. Na ação civil pública, o Ministério Público de São Paulo afirma que o influenciador comercializa cursos e palestras mesmo sem possuir formação superior.

Em depoimento ao próprio MP, Marcondes declarou: “eu não sou formado. Eu fiz 8 semestres de administração em 8 faculdades diferentes”.

Continua depois da publicidade

Segundo a promotoria, ele não possui qualificação profissional para oferecer esse tipo de conteúdo e utiliza esse discurso para atrair alunos pagantes. O Ministério Público também argumenta que a manutenção do perfil e das publicações nas redes sociais amplia os danos, razão pela qual pediu à Justiça a retirada do conteúdo e da conta do influenciador do Instagram.

Processo pede multa de R$ 300 mil

A ação, apresentada pela Promotoria de Justiça de Direitos Humanos da Capital, sustenta que as publicações promovem discurso de ódio ao defender a exclusão de pessoas pobres da participação política. Para o Ministério Público, o conteúdo da página busca discriminar uma parcela da população com base em sua condição socioeconômica.

Continua depois da publicidade

Na Justiça, o MP pede a retirada do perfil do influenciador do Instagram, a condenação ao pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos e dano social, além da proibição de novas publicações com conteúdo considerado discriminatório contra pessoas pobres. O caso será analisado pela Justiça de São Paulo.

Ao NSC Total, o influenciador informou que ainda não foi citado, nem teve acesso aos autos do processo do MP. “Depois de acessar, podemos nos manifestar novamente, estamos e estaremos sempre disponíveis e abertos a isso”, escreveu.

Continua depois da publicidade