A inteligência artificial (IA) já reorganiza tarefas de cerca de 30 milhões de brasileiros, segundo o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre). O impacto é maior em serviços, bancos e áreas administrativas, e recai com mais força sobre mulheres e jovens. Os dados de 2026 indicam que 30% da mão de obra do país utiliza algoritmos no dia a dia.

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As mulheres são o grupo mais exposto por ocuparem a maioria das vagas de apoio administrativo. Nesses postos, a inteligência artificial tem assumido a triagem de dados e a redação de documentos técnicos. Entre os jovens, a pressão ocorre em vagas de início de carreira, como auxiliares e analistas juniores, onde tarefas repetitivas são automatizadas primeiro.

Avanço em bancos e na indústria

O setor financeiro registra a maior transformação prática, com algoritmos que substituem o processamento manual de dados. Na indústria, os indicadores de modernização são altos. O Ibge registrou que o uso de tecnologias avançadas, incluindo a IA, saltou 163,2% entre 2022 e 2024.

O cenário muda na construção civil e no campo. Em canteiros de obras, a atividade física ainda limita a entrada da automação. Na agropecuária, os sistemas inteligentes são usados para monitorar safras, mas a operação presencial continua sendo a base do setor.

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Projetos de lei e verbas federais

No Congresso, o PL 2338/2023 tenta criar o Marco Legal da Inteligência Artificial para estabelecer limites ao uso de dados. Já o PL 3088/24 foca na proteção direta do emprego, ao exigir que qualquer decisão crítica, como uma demissão, passe obrigatoriamente por supervisão humana.

Para tentar conter o risco de desemprego nos setores mais afetados, o governo federal destinou R$ 23 bilhões para o plano brasileiro de inteligência artificial até 2028. Segundo o Ministério do Trabalho, as inscrições já aparecem na Carteira de Trabalho Digital.

A nova dinâmica do mercado

A velocidade da tecnologia tem exigido que o ensino profissionalizante mude o foco para a operação dessas novas ferramentas. O investimento público atual tenta evitar que a automação resulte em demissões nas áreas de serviços.

A tendência é que a tecnologia acentue a diferença salarial entre quem domina as ferramentas digitais e quem executa funções passíveis de substituição integral. O monitoramento do Ministério do Trabalho indica que o preenchimento de novas vagas agora prioriza candidatos com formação específica em sistemas automatizados.

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.