Entregue oficialmente nesta sexta-feira (10), a pavimentação da Serra da Rocinha, na BR-285, em Timbé do Sul, no Sul de Santa Catarina, encerra uma obra marcada por quase 70 anos de espera e uma sequência de interrupções, atrasos e desafios técnicos.

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Ao longo das últimas décadas, especialmente desde o início das obras mais recentes, em 2016, o trecho acumulou uma série de entraves que dificultaram o avanço contínuo dos trabalhos.

Uma obra marcada por interrupções

Desde o início, a execução foi impactada por fatores como chuvas, relevo acidentado e exigências ambientais. Ainda em 2017, já havia registros de atrasos na terraplenagem e ajustes no planejamento.

Com o avanço das obras, novos obstáculos surgiram. Descobertas de sítios arqueológicos, restrições de tráfego e a necessidade de estudos ambientais adicionais passaram a influenciar diretamente o cronograma.

Entre 2020 e 2021, a situação se agravou. Deslizamentos de rochas provocaram bloqueios sucessivos na rodovia, e a obra chegou a ser suspensa por cerca de seis meses por falta de recursos, com retirada de máquinas e paralisação em uma etapa considerada crítica. Durante esse período, a Serra da Rocinha alternou entre interdições totais, parciais e operação em sistema de comboio.

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Desafios técnicos e mudanças no projeto da serra

A instabilidade das encostas se consolidou como o principal desafio da obra. Em diversos pontos, deslizamentos exigiram intervenções emergenciais e mudanças no projeto original.

Após novos episódios, incluindo um deslizamento em 2024, foi necessário reavaliar a estrutura da obra e adotar soluções mais robustas para garantir a segurança do trecho.

Entre as medidas implementadas estão contenções que chegam a até 50 metros de altura, com uso de concreto armado, tirantes de aço e telas de alta resistência. Também foram aplicadas técnicas como grampeamento do solo e instalação de cortinas atirantadas para estabilização das encostas.

Ligação estratégica no Sul

Apesar das dificuldades, a conclusão do trecho representa um avanço importante na integração rodoviária da região. A BR-285 tem 744,3 quilômetros de extensão e liga Araranguá (SC) a São Borja (RS), conectando-se ao sistema viário da Argentina.

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A Serra da Rocinha era considerada um dos principais gargalos da rodovia. Com a pavimentação, a expectativa é melhorar o transporte de cargas, o escoamento da produção e o fluxo turístico entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul.

A entrega oficial do trecho ocorreu na manhã desta sexta-feira (10), com a presença do ministro dos Transportes, George Santoro.

Veja trajetória da obra da Serra da Rocinha