O inquérito policial contra o coach de emagrecimento apontado com chefe de uma organização criminosa investigada por receitar medicamentos com prescrição médica falsa e fórmulas adulteradas foi finalizado na quarta-feira (13) com indiciamento de 21 pessoas, que podem responder por sete crimes diferentes. O documento, com mais de mil páginas, foi enviado à Justiça e outros novos três inquéritos que miram outras três clínicas de luxo e profissionais foram instaurados.

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Veja quais são as clínicas de luxo interditadas em investigação que prendeu coach em SC

Entre os acusados estão, além de Felipe Francisco, proprietário da F Coaching, nutricionistas, médicos, biomédicos, farmacêuticos e pessoas que trabalhavam no setor administrativo dos estabelecimentos. Eles podem responder pelos crimes de:

  • Corrupção, falsificação e adulteração de produtos destinados a fins terapêuticos ou medicinais;
  • Crime contra relação de consumo, por induzir pessoas ao erro com as receitas falsas;
  • Omitir informações da periculosidade do produto no rótulo;
  • Falsidade ideológica por conta da falsificação das receitas;
  • Integração de organização criminosa;
  • Lavagem de dinheiro.

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De acordo com o delegado Neto Gattaz, responsável pelo caso, no total, 31 pessoas foram ouvidas durante a investigação, entre suspeitos, vítimas e testemunhas. Inicialmente, 13 pessoas haviam sido presas preventivamente na Operação Venefica, incluindo a mãe do coach. Dessas, oito seguem na prisão e as outras cinco cumprem medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica e prisão domiciliar.

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— Nós conseguimos a oitiva de diversas vítimas, que realmente apontaram que não passavam por atendimento médico, embora lhes fossem receitados medicamentos de uso controlado e substâncias anabolizantes. Essas substâncias eram conseguidas com receitas falsificadas, uma vez que os médicos nunca tiveram contato com os pacientes. Eles apenas assinavam as receitas pra poder possibilitar o envio do medicamento para os pacientes — detalhou o investigador em entrevista exclusiva ao A Notícia.

Medicamentos vendidos eram superfaturados

No decorrer das investigações, a Polícia Civil descobriu que, após a prisão em 2017, Felipe Francisco teria sofisticado o esquema criminoso para fugir do radar da Justiça. Para não levantar suspeitas, portanto, começou a fazer parcerias com nutricionistas, médicos e biomédicos para conseguir as prescrições indevidas de anabolizantes, emagrecedores e fitoterápicos. Ele também contava com esses profissionais para fazer a aplicação de injetáveis dentro das clínicas.

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Em algumas ocasiões, o coach criava as próprias fórmulas sem base científica, visto que não possuía formação na área. Esses medicamentos, segundo o Ministério Público, eram conseguidos, principalmente, de forma clandestina de outros países. A apuração policial aponta que as farmácias de manipulação sabiam que os remédios eram modificados.

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Inclusive, segundo Neto Gattaz, a maior parte dos lucros da organização criminosa vinha da venda desses produtos. Para faturar mais, as receitas eram prescritas por um preço e se cobrava um valor mais alto por determinado remédio, porém nem sempre era utilizado o rótulo da receita, ou o composto era adicionado em menor quantidade.

— Ficou bem demonstrado [no inquérito] também que ele fazia o superfaturamento dos medicamentos. Aqueles manipulados que ele oferecia como protocolo nas clínicas dele custavam, em média, 30% do valor pelos quais eram vendidos. Um medicamento que era vendido a R$ 300, por exemplo, em outra farmácia qualquer custaria em torno de R$ 60 ou R$ 70 — destaca o investigador.

Cinco clínicas e duas farmácias foram fechadas

Outra questão apontada pelo delegado é que o coach atuava neste esquema montado por ele, pelo menos, desde 2018. As unidades da F Coaching de Joinville e Balneário Camboriú foram fechadas temporariamente, assim como outras clínicas de luxo dos demais investigados que são apontados como pupilos de Felipe — já que montaram o próprio negócio criminoso.

Pelo menos sete dos 21 indiciados tinham ligação com outros três estabelecimentos. Em Joinville, além da F Coaching, também foram interditadas a MVB Body Clinic, no bairro América, que pertence a duas nutricionistas que já trabalharam na clínica de Felipe e abriram o próprio esquema após saíram do local; a Vittalité, no bairro Boa Vista, uma sociedade entre uma médica e uma nutricionista que estão presas; e a clínica Dr. Julian Rodrigues Medicina Personalizada, localizada no Centro.

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Em Balneário Camboriú, a Clínica La Vie, que pertence a ex-esposa de Felipe Francisco também foi fechada temporariamente pela Vigilância Sanitária estadual. Já as farmácias de manipulação impedidas de atuar são a Biovita, também de Balneário Camboriú, e a Hiperfórmulas, de Itapema.

De acordo com o delegado, ainda não é possível saber quantas pessoas foram vítimas do esquema.

— A quantidade de pessoas lesadas não é estimada, mas dá pra afirmar que são milhares de pessoas, eram muitas atendidas diariamente. Uma das pessoas que trabalhava em uma das clínicas diz que chegava a atender 40 pessoas por dia — explica.

Com relação aos medicamentos apreendidos, as mais de 50 substâncias seguem em análise na Polícia Científica de Joinville para identificar quais produtos eram utilizados nas manipulações, visto que clientes foram parar no hospital após consumir os remédios.

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