Itajaí iniciou em fevereiro a safra do arroz, que é considerada a principal cultura da zona rural da cidade. A expectativa para a colheita é positiva: são esperados aproximadamente 14,45 milhões de quilos de arroz colhidos nas terras do município até o fim da safra.

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O trabalho, que começou entre agosto e setembro do ano passado, começou a dar frutos neste mês. O grão foi semeado em 1,7 mil hectares de área plantada e a projeção é que a cidade alcance cerca de 8,5 mil quilos por hectare, o que significa 289 mil sacas de 50 quilos cada.

Veja imagens da colheita

Segundo a secretária de Agricultura e Expansão Urbana, Flávia Sehn, o cultivo de arroz irrigado é atualmente o mais importante de Itajaí, e se consolida como base da produção agrícola local.

— Com as condições climáticas favoráveis registradas neste ano, a expectativa de colheita é bastante positiva. A cultura permanece forte nas áreas historicamente dedicadas ao arroz, e a missão é garantir que os agricultores continuem produzindo e ocupando essas áreas devido à atração de outros setores frente às terras — afirma.

Prática perdura gerações

Para o agricultor Evandro Bertoldi, que planta arroz há 20 anos, a prática mantém viva uma tradição que atravessa gerações. A família de Evandro trabalha com a rizicultura há quase cinco décadas. Atualmente, é ele quem comanda a produção e a colheita.

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Somente na plantação de Evandro, são 190 hectares cultivados na região do Arraial dos Cunhas. O ciclo do arroz leva, em média, 140 dias entre o plantio e o início da colheita, que tradicionalmente ocorre no mês de fevereiro. Ele acompanha de perto o ponto ideal de colheita, para garantir qualidade e rendimento ao grão.

— Mesmo após um ano anterior marcado por condições climáticas adversas, especialmente o frio intenso, que prejudicou a adubação e dificultou o controle de ervas daninhas, a produção está surpreendendo. Até agora só colhi 20% da lavoura. Mas vamos esperar para ver o que vem pela frente. A produtividade está entre 8.000 e 8.500 quilos por hectare — destaca o agricultor

Pesquisadores trabalham no melhoramento do grão

Em Itajaí, o trabalho começa antes até mesmo do plantio. Pesquisadores da Estação Experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), localizada bem próxima aos arrozais, trabalham no melhoramento do grão, para que o cultivo seja melhor aproveitado e a rizicultura siga crescendo no município.

O processo inicia com a seleção criteriosa das plantas que servirão como base para um cruzamento, que fortalecerá o grão por meio de polinização. Os pesquisadores escolhem uma planta “mãe”, que receberá o pólen de outra variedade. Inicialmente, eles atuam retirando grãos ainda imaturos ou já fecundados, garantindo que apenas as estruturas viáveis participem do cruzamento.

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Em seguida, é cortado cerca de um terço do grão de arroz para possibilitar, com o auxílio de instrumentos específicos, a remoção da parte masculina, preservando apenas a parte feminina apta a receber o novo pólen.

A pesquisadora da unidade, Cândida Manfio, afirma que o procedimento é vantajoso pois melhora a qualidade do arroz.

— Esse trabalho minucioso, que exige técnica, conhecimento e precisão, é o que possibilita o desenvolvimento de plantas mais produtivas, mais resistentes a pragas e doenças e mais adaptadas às condições climáticas da região. É a ciência atuando diretamente para aumentar a qualidade do arroz, fortalecer a produção e garantir mais segurança e renda ao agricultor — explica.