Você sabia que Jativoca, Morro do Amaral e Vigorelli não são bairros? Joinville possui ao menos 12 localidades espalhadas pela cidade que, muitas vezes, são confundidas com bairros, mas que não são assim definidos. No documento Joinville Bairro a Bairro, atualizado pela última vez em 2017, é possível conferir a história de cada uma dessas regiões.
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Veja fotos das regiões de Joinville que não são bairros
Anaburgo
Fica ao lado da Zona Industrial Norte. De acordo com o Joinville Bairro a Bairro, a história desta região está ligada diretamente à colonização. As origens de sua denominação são muitas e relatadas desta forma pelos moradores:
“O local se chamava Anaburgo em homenagem à primeira moradora da Estrada, que se chamava Ana”, segundo Paulo Bradhach. Já Elly Zimmermann conta que “o nome da localidade se deve ao fato de que no início da colonização as quatro primeiras famílias tinham filhas com o nome de Ana e que vieram de Hamburgo, na Alemanha. Por isso Anaburgo”.
Conforme Carlos Ficker relata em História de Joinville, antes de chegar ao pé da serra, porém, os pioneiros atravessaram um vasto pantanal e baixada formada pelos rios Águas Vermelhas e das Botucas, antes de sua confluência com o Rio Piraí-Piranga. Desviando mais para o norte, encontraram terra fértil e de clima menos úmido. Nasceu assim “Águas Vemelhas” e mais tarde chamado “Annaburg”, em homenagem à Anna Aubé, esposa de Leónce Aubé.
Paulo Bradhach comenta que, antigamente, a “região era tudo mato”. Havia um só “picadão”, ou seja, pequena estrada, onde passavam burros e cavalos. Quando sua avó chegou aqui, construiu sua casa no meio do mato, conta.
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Jativoca
A Jativoca fica dentro do Nova Brasília. Na região existia uma espécie de bambu, que era utilizado na raspagem da mandioca quando da produção de farinha. A esse bambu era atribuído o nome “jativoca”, razão pela qual a localidade passou a ser assim conhecida, cita o documento Joinville Bairro a Bairro.
A Estrada Jativoca, ligação da região com a área urbana de Joinville, a princípio recebeu a denominação de Estrada Guiguer Nova, por homenagear um grande personagem ligado à Colônia Dona Francisca, Arthur Guinguer, Cônsul de Hamburgo no Rio de Janeiro, que embora aqui não tivesse residido, adquiriu vastas áreas de terra.
A Estrada Guinger Nova iniciava na confluência das atuais ruas Ottokar Doerffel e Tupy, atravessava os bairros São Marcos e Nova Brasília, terminando neste último. Segundo informações dos moradores, recebeu a denominação Estrada Jativoca a partir da década de 1950, iniciando seu trajeto na confluência das Ruas Minas Gerais e Tupy.
Ainda segundo o documento, a localidade se ressentia pela ausência de comércio, já que os empórios mais próximos se localizavam no bairro Anita Garibaldi, e os moradores eram obrigados a cultivar uma agricultura de subsistência e criação de animais para suprir as necessidades alimentares. Andavam a pé e de carroça, meio de transporte mais comum na região.
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Laranjeiras
De acordo com o Joinville Bairro a Bairro, é a última fronteira joinvilense, na divisa com o município de Campo Alegre. Laranjeiras e Laranjeiras Velha, as duas localidades ligam-se à Estrada Dona Francisca por uma estrada de barro rodeada de pinheiros, um antigo caminho de mulas, usadas por tropeiros para chegar ao Paraná. No começo a região sobreviveu do corte e venda de madeiras da mata nativa da região, principalmente os imponentes pinheiros de araucária.
Estrada da Ilha
A Estrada da Ilha começa na Rua Dorothóvio do Nascimento, no Jardim Sofia, e acaba na Rua Dona Francisca, sendo a linha de demarcação do município com o Distrito de Pirabeiraba, aponta o documento. Localiza-se ao Norte de Joinville, na zona rural.
A denominação que recebeu pode ser explicada por meio de duas versões. “Uma delas dá conta que a estrada está localizada entre os rios Mississipi e Cubatão, formando assim uma ilha, e outra diz que a estrada dá ligação com o Município de São Francisco do Sul, e que quando os migrantes chegavam à parte mais alta e avistavam o citado município diziam: ‘esta é a estrada que liga a ilha’”, cita Alexandre Schulz
Os moradores da localidade guardam nítido na memória o que seus antepassados contavam. É o caso de Alexandre Schulz, que contou aos historiadores do documento que no Rio Cubatão foram encontrados restos de fornos deixados pelos indígenas, feitos com pedras do próprio rio, vestígios dos povos sambaquianos.
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Na sua maioria, os moradores são da religião evangélica luterana e todos se dirigiam uns a pé e outros de carroça, à Comunidade da Estrada da Ilha, uma das mais antigas do município. Sua fundação data de 1864, conforme livro do “História de Joinville” de Carlos Ficker. Os moradores desta região sempre trabalharam na lavoura, plantando milho, feijão, cana-de- açúcar, arroz, batata, e criando suínos, aves, bois, para consumo da família.
Piraí
A região do Piraí compõe a área rural do município de Joinville, localiza-se na parte mais afastada da rua XV de Novembro, ao lado do Vila Nova, cuja paisagem é deslumbrante e onde a Mata Atlântica foi preservada.
As cachoeiras são sua principal atração sendo constituídas por quatro quedas que formam um tobogã natural, lagoas com água cristalina e muitas árvores. Seus recursos hídricos potencializam as atividades de lazer durante os verões quentes de Joinville, cita o Joinville Bairro a Bairro.
A região é bastante caracterizada pela agricultura familiar. De acordo com os historiadores do documento, geralmente um ou mais membros da família se dedica ao trabalho na fábrica, enquanto os demais operam atividades relacionadas à agropecuária.
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Na Estrada Piraí, a qual faz parte do roteiro de turismo rural de Joinville, as propriedades são abertas aos turistas e é possível adquirir verduras orgânicas e produtos coloniais ao longo do caminho, terminando o passeio com degustação de um delicioso café rural.
A Estrada do Sul começa no final da Rua XV de Novembro, na Vila Nova, à esquerda, e liga Joinville a Schroeder.
Ainda hoje, com raras exceções, criam animais, cultivam a agricultura de subsistência como aipim, cará, batata, principalmente os mais idosos. Os jovens, em função do acesso mais facilitado às escolas, procuram outro estilo de vida, outras profissões, mostrando claramente uma tendência à urbanização e provocando, por este motivo, um movimento migratório à cidade e perda da identidade cultural dos descendentes germânicos, aponta o documento.
Morro do Amaral
O Morro do Amaral está localizado fora dos limites do perímetro urbano de Joinville. Originalmente esta região constituiu uma ilha, e só foi conectada ao continente há poucos anos, quando construída a ponte sobre o Rio do Riacho ou Rio Biguaçu. Hoje, o Morro do Amaral é considerado área de preservação natural, cita o Joinville Bairro a Bairro. Inclusive, antes a localidade se chamava Riacho Saguaçu. A partir de 1935 passou a adotar a denominação de Morro do Amaral, em virtude das terras pertencerem, em sua grande maioria, à família Amaral.
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O Morro do Amaral possui quatro sambaquis identificados. A região foi coberta por extensa vegetação. Seus moradores viviam da pesca e da coleta de folhas do mangue, das quais se extraía uma resina que era vendida às fábricas de Conrado Kuehne.
O Parque Municipal da Ilha do Morro do Amaral foi criado por Decreto Municipal no 6.182 em 1989. Sua área corresponde a 2,7 quilômetros quadrados e fica localizada às margens da Baía da Babitonga, na saída da Lagoa do Saguaçú.
Também chamado de Ilha do Morro do Amaral. Historiadores apuraram que, muito provavelmente, a denominação ocorreu por causa da maré que, quando alta, isola a região, apresenta características naturais. O local também abriga sítios arqueológicos, sambaquis e uma comunidade de pescadores artesanais que guardam a história de seus ancestrais.
Quiriri
Localizada no distrito de Pirabeiraba, ao pé da Serra Dona Francisca, a região do Quiriri é cortada e margeada por belos rios e riachos. Nas proximidades da serra encontram-se diversas quedas e nascentes d’água. A natureza preservada, os parques aquáticos, os pesque-pagues e as casas históricas de estilo europeu são destaque na região, caracterizadas por pequenas e bem cuidadas propriedades rurais.
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De acordo com o documento, Quiriri na língua tupiguarani significa “Silêncio Noturno”, e contam os antigos que ali era morada de indígenas e bugres. Os carroceiros que ali passavam sentido Curitiba escondiam seu ouro nas grutas do Quiriri para não serem assaltados pelos povos originários, pois as montanhas possuem várias cavernas, e também nascentes de água cristalina.
O acesso a região do Quiriri por Joinville acontece pela Estrada do Pico. Com 12 quilômetros de extensão, a Estrada do Pico tem dois acessos: um pela ponte coberta ao lado do Recanto Davet e outro pela Estrada João Fleith. Em contrapartida, não tem saída no lado oposto. Ela acaba perto da região do Quiriri.
Por muito tempo, a Estrada do Pico foi conhecida como Estrada Capivara. Não se sabe nem quando nem por que se mudou a denominação, mas provavelmente é assim chamada por acabar em morros, cita o documento.
Em sua maioria, os moradores da localidade sempre trabalharam na agricultura, plantando principalmente cana de açúcar e banana, até hoje. Além disso, criavam animais para subsistência, e o que lhes faltava era suprido com compras nos comércios das redondezas.
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Rio da Prata
A região de Joinville possuí intensa rede de drenagem, com rios, nascentes e cachoeiras. A grande maioria nasce na Serra Dona Francisca ou chegam por ela, possibilitando a prática de canoagem em corredeiras. A natureza do Rio da Prata é exuberante, diversidade da flora e fauna, água cristalina, lagoas e revelando também sítios maravilhosos com suas exóticas casas dos colonos de origem germânica.
Fica localizada à esquerda da rodovia SC-301 na localidade do Rio da Prata, a Estrada Mildau antigamente era apenas um caminho de roça, conservado com pedras extraídas do Rio Lindo, mas hoje a estrada possui largura ideal para tráfego de veículos.
De acordo com o Joinville Bairro a Bairro, a localidade desenvolveu-se através da agricultura, criação de alguns animais e indústria madeireira, permanecendo até hoje, além das moradias de pessoas que trabalham na área urbana e mantém a sua moradia no campo. A escola mais próxima da região na época, nos anos de 1865, era particular e ficava na localidade de Pedreira, atual Centro de Pirabeiraba, e onde hoje funciona a Escola Olavo Bilac. As aulas eram ministradas em alemão.
A localidade é conhecida pela tradicional Festa do Cará e Festa do Pato, que ocorrem nas dependências da Sociedade União Mildau. A estrada Mildau, cuja extensão em 1869 pertencia, em parte ao Domínio Dona Francisca, de propriedade do Príncipe D’Aumale, irmão do Príncipe de Joinville e de domínio francês, em parte à Sociedade Colonizadora Dona Francisca e em parte à Sociedade Colonizadora de Hamburgo, foi colonizada a partir de 1870 por imigrantes que arrendaram as terras, em contrato firmado por 50 anos. A área dos lotes variava de 9 a 22 hectares. Os primeiros arrendatários assinaram contrato no final de 1869 e em janeiro de 1870.
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Na região do Rio da Prata também se localiza a Estrada da Tromba. Assim denominada em função do Morro da Tromba, que há muitos anos era apenas um caminho de roça. Inicia na SC-301 e 3 quilômetros depois, acaba aos pés do Morro da Tromba.
Seus moradores cultivam aipim, batata, banana e cará, e criavam porcos, aves, vacas e cavalos. Extraíam os derivados do leite, que eram vendidos na região.
Neudorf
Neudorf tem o significado de ‘nova aldeia’ e foi explorada por um dos acionistas da Companhia Colonizadora de Hamburgo, Bernhard Poschaan, que residiu na Colônia desde 1851, aponta o Joinville Bairro a Bairro. Ele instalou um empreendimento para a produção de açúcar, construindo uma vila com moradias para os trabalhadores e suas famílias, fruto de contratos de trabalho para amortizar o pagamento das edificações, passagem e impostos à Direção da Colônia e outras despesas. Entretanto, com o falecimento de Poschaan, em 1876, a viúva e os filhos venderam as terras e retornaram à Europa.
Localizada ao final da Estrada Blumenau, rodeada de arrozais e casas dos pequenos agricultores, emoldurados ao longe pela Serra do Mar. O objetivo inicial em funcionar como uma colônia agrícola mudou de enfoque e a sede passou a ser supervalorizada com atividades de pré-industrialização, passando a desenvolver atividades industriais e comerciais.
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Rio do Júlio
Localizada no alto da Serra Dona Francisca, a região do Rio do Júlio se encontra em altitudes que variam de 600 a 800 metros, sendo que a maior parte da estrada e das poucas propriedades está entre 600 e 700 metros de altitude, bem diferente da sede do município, localizada quase que ao nível do mar, cita o documento.
A região tem alguns atrativos, como as hortênsias que florescem com as temperaturas baixas do inverno, uma capela germânica de madeira; algumas propriedades rurais bem cuidadas, uma represa; e um hotel fazenda que fica próxima a região da represa. O acesso se dá através da estrada Macacos, por meio da Estrada Dona Francisca, ou SC-418, no distrito de Pirabeiraba.
Estrada Dona Francisca
A Estrada Dona Francisca, também chamada de Estrada da Serra, foi um marco para o desenvolvimento da região onde hoje estão estabelecidas cidades como Joinville e São Bento do Sul, de acordo com o documento.
Até 1855, quando houve a iniciativa de construir a Estrada Dona Francisca, só existia um caminho entre São Francisco do Sul e as planícies de Curitiba, que se davam através do Quiriri. Na região havia sido estabelecida a Colônia Dona Francisca e quando o Governo Imperial enviou conselheiros para inspecionar esta Colônia, foi constatada a necessidade de construir um caminho que a ligasse com as terras da região do Rio Negro, pois isso contribuiria não apenas para o transporte de mercadorias como para estender a colonização para áreas com terrenos férteis.
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As obras da Estrada, financiadas pelo Governo Imperial, foram iniciadas em 1858 e tiveram oposição do comércio do Paraná por temeram que com a nova estrada diminuísse o escoamento de produtos pela estrada da Graciosa e o Porto de Paranaguá.
A existência da Estrada Dona Francisca foi de grande importância ao estabelecimento da Colônia São Bento, sendo a única ligação dela com a Colônia Dona Francisca da qual dependia administrativamente, recebendo produtos agrícolas e de uso familiar, além de assistência médica.
A estrada também representou um avanço em relação aos caminhos existentes na região, por ter uma estrutura em que era possível o trânsito de carroças e carros de boi. Com a implantação e consolidação da estrada-de-ferro entre o planalto e o litoral, o que se daria em 1913, a estrada Dona Francisca caiu em decadência, voltando a ter importância econômica somente na década de 1950, com o impulso do transporte rodoviário feito então por caminhões.
Entre 1976 e 1977, a estrada Dona Francisca sofreu uma retificação e foi asfaltada. Em 2001, a estrada Dona Francisca sofreu mais uma grande reforma no trecho da Serra do Mar, conservando no entanto seu traçado. Atualmente a Estrada faz parte do Roteiro de Turismo Rural de Joinville, com paisagens bucólicas do campo e propriedades com belos jardins.
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Vigorelli
A Vigorelli está distante cerca de 10 quilômetros do Centro de Joinville. Além de ter a Baía Babitonga como ponto de observação, a gastronomia local, com pratos à base da pesca artesanal, é um grande atrativo aos turistas. Também é um lugar bastante frequentado pela comunidade joinvilense nos finais de semana. Com o Ferry Boat, é possível atravessar a Baía e conhecer a encantadora comunidade da Vila da Glória que abriga as ruínas do Falanstério do Saí, em São Francisco do Sul, ou as praias da região.






















