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Jerusalém: diversidade religiosa na Cidade da Paz

Em Jerusalém, catarinenses descobrem as revelações de um dos territórios mais controversos, mas repleto de riqueza cultural e potencial econômico

23/03/2019 - 18h10 - Atualizada em: 23/03/2019 - 18h08

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Moacir
Por Moacir Pereira
Muro das Lamentações, um dos pontos mais visitados pelos judeus em Jerusalém
Muro das Lamentações, um dos pontos mais visitados pelos judeus em Jerusalém
(Foto: )

Foram incontáveis os impactos, as descobertas e os ensinamentos vividos em março na visita a Israel, a partir de Tel Aviv e Jerusalém, com um grupo de catarinenses. Já no desembarque, no aeroporto Ben Gurion, moderno e muito prático, uma correria de passageiros falando várias línguas. Aspecto que prosseguiu pela postura de judeus ortodoxos em grupos, todos de terno escuro, muitos com chapéus pretos e vários liderando famílias numerosas com esposas ao lado de seis a sete filhos. No caminho, antes da retirada da bagagem, todos se reuniram próximos da parede e começaram a rezar, fazendo leves movimentos com o corpo. E, mantendo a tradição judaica, virados para Jerusalém.

Do aeroporto, o ônibus conduziu o grupo diretamente a Jerusalém, primeira etapa da viagem. A geografia é muito diferente do que se vê nos filmes e em muitas narrativas. A paisagem é de uma sucessão de montanhas e morros áridos, escarpados, rocha pesada amarela.

Rodovias excelentes nos 50 quilômetros que separam Tel Aviv de Jerusalém, com sinalização em hebraico e inglês. Facilidade que se repete nas cidades, com informações sobre os monumentos e atrações turísticas.

Patrimônio singular

Com população superior a 700 mil pessoas, Jerusalém, a Capital, é a maior cidade de Israel. Concentra na cidade antiga, protegida por muralhas de milênios, que remontam aos tempos do Rei Davi e de Herodes, um patrimônio único no planeta, todo tombado pela Unesco. Expandiu-se fora das muralhas, onde estão modernos prédios públicos do governo, edifícios de apartamentos e belas residências, tudo com muito verde. Não vivemos nenhum congestionamento.

No Monte das oliveiras, um cenário único: o jardim coberto com antigas árvores, algumas delas com 2 mil anos. apesar de serem da época de cristo, Muitas ainda produzem azeitonas.

O roteiro clássico começa no Monte das Oliveiras, com uma visita panorâmica da cidade para a foto mais conhecida de Israel: os cemitérios judeus no primeiro plano, a cidade antiga protegida pelas muralhas, tendo como destaque a maravilhosa Mesquita Dourada (Domo da Rocha), lugar sagrado dos muçulmanos, e torres de igrejas. Bem ao fundo, novas construções e muitos edifícios.

Situado a leste da cidade antiga, o Monte das Oliveiras pertence a uma cadeia de colinas, oferecendo um cenário singular com um jardim coberto de antigas árvores, algumas com 2 mil anos e, portanto, da época de Cristo. Detalhe que impressiona: ainda produzem azeitonas.

Monte das Oliveiras
Monte das Oliveiras
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Ao lado do Jardim das Oliveiras, está a Basílica da Agonia, também chamada Igreja de Todas as Nações. Foi construída com doações de 12 países, inclusive do Brasil, a partir de um projeto do arquiteto italiano Antônio Berluzzi. Tem um interior escuro pesado, retratando a agonia de Jesus, mas com decoração e obras de arte que remontam ao período bizantino.

Ali, segundo a tradição cristã, há uma rocha sobre a qual Cristo teria orado antes de ser preso pelos soldados romanos e levado para a crucificação.

Comitiva catarinense percorreu no início do mês as cidades de Tel Aviv e Jerusalém
Comitiva catarinense percorreu no início do mês as cidades de Tel Aviv e Jerusalém
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Onde Cristo viveu sua saga

Em Jerusalém, compreende-se melhor o cenário em que se deu toda a pregação de Cristo. Vivendo em Nazaré com a família, tinha que percorrer uma longa distância de 150 quilômetros para chegar a Jerusalém. Entre os primeiros atos, antes de entrar triunfante no fim da jornada, expulsou os comerciantes com os novos ensinamentos. Era uma ligação entre Judeia (Jerusalém) e Galileia (Nazaré, Tiberíades), que antes exigia quatro dias de viagem no lombo de burro, numa área deserta com extensas montanhas de duro calcário.

A fé dos locais e dos visitantes está presente em diversos ambientes sagrados: históricas e maravilhosas mesquitas, de acesso restrito aos muçulmanos; sinagogas e o Muro das Lamentações, onde se reúnem os judeus; e deslumbrantes igrejas cristãs, que atraem maior número de peregrinos. Longas filas se estendem na esplêndida Basílica do Santo Sepulcro, que abriga o local da crucificação e do sepultamento de Cristo. Média de espera de duas horas para atingir os locais sagrados.

A Via Dolorosa permite reviver os duros caminhos percorridos por Cristo antes de ser crucificado. Todas as estações estão sinalizadas no bairro cristão.

Santo Sepulcro
Santo Sepulcro
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Via tão cultural quanto espiritual

Os peregrinos vivem experiências emocionantes com orações e grupos corais católicos, ortodoxos russos, armênios, gregos e cooptas egípcios. Já os turistas têm visitas menos espirituais e mais culturais. Nos dias em que permaneceram em Jerusalém, os catarinenses circularam por todos os espaços, incluindo os quatro bairros, liderados por guias ou até desacompanhados. O bairro muçulmano é dos mais movimentados, por abrigar um grande bazar com lojas de suvenires e especiarias.

Jerusalém, em hebraico, significa “legado da paz”. Os milhões de peregrinos e turistas que para lá se dirigem buscam conhecimento, confirmação da fé, novas luzes, informações históricas e a constatação de que ali se vive na “Cidade da Paz”.

Lições de história

A Divisão

Domo da Rocha
Domo da Rocha
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Dentro das muralhas de Jerusalém, o destaque fica para o museu com a Torre do Rei Davi, com um espaço dedicado a informações e monumentos, situado junto ao bairro armênio. Todos os ricos templos e basílicas e lugares que marcaram a vida de Jesus estão no bairro cristão.

O bairro muçulmano é o maior, em território e número de habitantes, em que se projeta a deslumbrante mesquita da cúpula dourada (foto abaixo). Na divisa com o bairro judeu, está o Muro das Lamentações. Visitantes circulam sem problemas por todos estes quatro bairros. Aparentemente, a convivência é pacífica.

Muro de Belém
Muro de Belém
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Alvo histórico

Durante a história, Jerusalém foi destruída duas vezes, sitiada outras 23, atacada em 52 ocasiões e capturada e recapturada outras 44 vezes. A área mais antiga data do século 4 antes de Cristo. Atribui-se a Solimão, o Magnífico, a construção das muralhas, em 1538.

Mas há espaços internos com construções e um museu do Templo de Herodes, o que mandou matar as criancinhas com até dois anos para liquidar com o anunciado Messias. Esses muros fixam os limites da cidade antiga, dividida desde o século 19 em quatro bairros: muçulmano, judeu, cristão e armênio.

Igreja da Natividade
Igreja da Natividade
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Palestinos

Um dos momentos em que a questão árabe-israelense revelou-se presente foi na visita a Igreja da Natividade, onde, segundo os cristãos, Jesus Cristo teria nascido. A guia que atendeu em Jerusalém não entrou na cidade de Belém, toda cercada de muros erguidos por Israel, com 3 metros de altura. A assistência aos turistas é dada por guias oficiais do Ministério do Turismo do Estado da Palestina.

Belém é uma das 16 províncias que formam o Estado Palestino, todas elas cercadas por muros ou cercas de arame, cujo acesso é controlado por Israel. Estes cercos têm a extensão de 850 quilômetros. O guia advertiu várias vezes os catarinenses para o risco de se perderem. Se não retornassem no mesmo ônibus, teriam que pedir um táxi, que cobra cerca de US$ 150 dólares por uma distância de 9 quilômetros. E a passagem pelos centros de controle é mais rigorosa.

Apesar disso, 33 mil palestinos trabalham em Israel com direito a trânsito livre. A Basílica da Natividade forma um complexo com três igrejas. A primeira, obra dos franciscanos, data de 327 da era cristã, pioneiros na peregrinação à Terra Santa. Sua gestão está a cargo da Igreja Ortodoxa Grega.

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