O prefeito de Chapecó e pré-candidato ao governo de Santa Catarina, João Rodrigues (PSD), entrou de vez no clima pré-eleitoral e intensificou os acenos para partidos que pretende atrair em uma chapa para as eleições 2026. Em entrevista ao podcast Café nas Eleições, do NSC Total, Rodrigues cutucou o governador Jorginho Mello (PL), provável adversário nas urnas, e o nome anunciado como vice de Jorginho, Adriano Silva (Novo), prefeito de Joinville.
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O Novo era o partido mais próximo do PSD na pré-candidatura de João Rodrigues, mas acertou apoio a Jorginho Mello após Adriano Silva receber convite para ser vice na chapa governista. No podcast, João Rodrigues também fez elogios ao MDB e ao senador Esperidião Amin (PP), ambos atualmente preteridos no arranjo da chapa do governador e que podem ir parar na coligação de João Rodrigues.
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Críticas a Jorginho
Ao longo da entrevista, João Rodrigues alfinetou o governador Jorginho Mello relembrando o fato de ele ter integrado o antigo PR, partido que era base de apoio do governo Dilma Rousseff (PT), entre 2011 e 2016. Também questionou o fato de o grupo político do governador estar envolto em reviravoltas na formação da chapa ao Senado, primeiro com a aparente exclusão da deputada Caroline de Toni (PL) da disputa, e agora com a escolha de Carol em detrimento de Esperidião Amin (PP), que pode ficar de lado na aliança. Ele alegou que o governador poderia, “na hora certa”, ter tentado evitar a mudança de Carlos Bolsonaro para SC, e relembrou o telefonema de Carlos recebido por ele no início do mês sondando sobre o possível espaço para a candidatura dele ao Senado na chapa do PSD caso o PL não confirme a indicação. Também questionou a ausência de Jorginho em agendas do governo federal.
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— Como é que pode, uma candidatura ao governo do PL, de direita, que ninguém confia? MDB não confia, União Progressista não confia, a deputada De Toni ameaça sair porque se não, não vai [concorrer]. O filho do Bolsonaro se sente traído… Isso é um projeto de poder, gente. Todo dia você elimina um, parece um Big Brother… Nós não fizemos isso — discursou.
Críticas a Adriano Silva
João Rodrigues também comentou a decisão de Adriano Silva de aceitar o convite para ser vice de Jorginho Mello. Ele relembrou que o PSD apoiou o Partido Novo nas eleições municipais de 2024 em Joinville e questionou a decisão, afirmando que Adriano teria tentado “encurtar o caminho para o poder” e se tornado “um político comum”.
— O que me surpreende é que na eleição do Adriano (em 2024), se não fosse o PSD, ele não tinha tempo de TV. Não tinha nada, era ele e ele, pela qualidade dele. Nosso partido deu tudo que ele precisava, tempo de TV, para ele poder disputar a eleição. E o maior inimigo dele era o PL, que o atacou sistematicamente. A surpresa que eu tive no Adriano, porque eu o conhecia muito pouco, mas quando eu vi e conversei várias vezes, entendi que era alguém muito ideológico no seu propósito, que não se dobraria ao poder, à política, mas tinha uma missão, um propósito. Então, eu entendia que ali estava o futuro da política de SC. E de repente ele se alia ao vice pelo poder — criticou.
Ele afirmou que o PSD não rompeu relações com o Novo e mantém a amizade com os líderes da sigla, mas destacou o fato de o convite de Jorginho a Adriano ter aumentado as chances de João Rodrigues receber o apoio do MDB, que perdeu o espaço de vice na chapa do governador.
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— Francamente, perdemos uma figura e ganhamos um partido. Porque o MDB tem 700 vereadores — destacou.
Assista à entrevista completa
Afagos a Amin e MDB
Já projetando os aliados que tenta atrair, João Rodrigues estendeu elogios ao senador Esperidião Amin (PP) e ao MDB. Ele explicou uma declaração de outubro do ano passado, em que teria questionado a coerência da sigla, afirmando que o questionamento era direcionado ao PL, que critica os partidos PSD e MDB por terem representantes que dão apoio ao governo Lula, sobretudo na região Nordeste. Ele disse não acreditar em isolamento e sinalizou interesse em ter os emedebistas na chapa.
— A qualidade do deputado Chiodini (presidente do MDB de SC e nome apontado como possível vice na chapa de Jorginho Mello antes do anúncio de Adriano Silva) é inquestionável. É um grande deputado, exerceu seu mandato na sua plenitude, como vice-presidente nacional do MDB. Óbvio que o MDB tem alinhamento, sim, parte dele (com o governo Lula), mas não é o MDB de Santa Catarina. O Pezenti, o Cobalchini, é o MDB aqui puro, é o MDB do Luiz Henrique. Então, o fato de o MDB estar fora da aliança com o governador Jorginho, é claro que nós vamos discutir, conversar. Você tem que valorizar um partido que tem 700 vereadores, mais de 80 prefeitos, tem uma bancada federal, tem uma história no Estado — apontou.
Sobre Amin, João elogiou o parlamentar e o defendeu na disputa interna pela indicação para concorrer ao Senado.
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— Tem uma história gigante como governador, senador. Não edsprezando os demais senadores, mas é um dos maiores senadores do Brasil. E foi tratado de uma maneira, eu diria assim… injusta. Então, por isso acredito que teremos uma aglutinação que não esperávamos — aponta.
A chapa dos sonhos de João Rodrigues
Na reta final da entrevista, João Rodrigues sinalizou qual seria a “chapa dos sonhos” dele, confirmando o desejo de ter MDB e União Progressista no arranjo e valorizando nomes internos do PSD, mas deixando portas abertas para indicações dos outros partidos que estão em negociação.
— A minha chapa dos sonhos seria conseguirmos fechar esta aliança [com MDB e federação União Progressista], buscar para compor cada um no espaço, tendo obviamente já definido, se assim a gente conseguir, a figura do Esperidião Amin, e depois buscar uma composição com o vice. Temos bons nomes hoje que poderíamos fechar, mas nosso partido tem responsabilidade de ouvir os que porventura estejam aliados conosco. Hoje você tem um Clésio Salvaro que é unanimidade como prefeito, em Criciúma, está lá com avaliação extremamente alta para deputado estadual, seria um grande nome, Júlio Garcia seria um grande nome. Mas o MDB também tem grandes nomes, conforme eu disse, são empresários que não participam da vida pública. Então, é questão de definir essa composição. Individualmente, nomes você tem muitos, mas daqui a poucos tem um que surpreende e que você não lembra. Mas para mim a aliança é essa, estando União Progressista, PSD e MDB, nós temos com certeza o segundo turno garantido. Aí, é outra eleição — afirmou.
Café nas Eleições
O Café nas Eleições, podcast do NSC Total, vai ouvir os protagonistas da eleição catarinense nas próximas semanas. A produção é de Ânderson Silva, Mariana Barcellos, Luana Amorim e Jean Laurindo. A captação e edição é com Gabriel Lentz e Yuri Micheletti, e a coordenação é de Augusto Ittner e Luana Amorim.
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