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OS DESAFIOS DO CICLISTA EM SC

Joinville está a 560 quilômetros de atingir meta para rede cicloviária planejada até 2025

Secretaria de Planejamento Urbano e Desenvolvimento Sustentável afirma que prazo terá que ser repensado por falta de recursos para cumprir o traçado 

01/12/2018 - 09h00

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Cláudia
Por Cláudia Morriesen
imagem mostra ciclistas na ciclovia da rua Helmut Falgatter, no Distrito Industrial Leste
No Distrito Industrial Leste há pouco mais de um quilômetro bem aproveitados de ciclovia
(Foto: )

Houve um momento da história em que Joinville foi batizada de Cidade das Bicicletas. O apelido ainda parece fazer sentido nos momentos de troca de turno no Distrito Industrial Leste, onde há cerca de 1,1 quilômetro dos 14 quilômetros de ciclovias que o município tem no total, e estas faixas dedicadas exclusivamente aos ciclistas ficam cheias. Em outros pontos de Joinville, no entanto, a ocupação dos ciclistas nas ruas é baixa — cerca de 11% dos deslocamentos são feitos com este modal, segundo pesquisa de 2010. O baixo número é símbolo da falta de investimentos voltados ao modal nas últimas décadas, quando o espaço para o carro foi priorizado, levando os moradores a terem insegurança ao pedalar.

Além disso, a expansão da zona urbana e a falta de planejamento durante este crescimento colocou trabalhadores e empresas em pontos muito distantes para serem percorridos de bicicleta — motivo principal para o trajeto dos ciclistas que lotavam as ruas da cidade entre os anos 1950 e 70, quando o título de Cidade das Bicicletas nasceu e se fortaleceu.

Mesmo assim, a proporção de bicicletas por habitantes na cidade ainda é de duas para cada morador. Segundo o último levantamento da Secretaria de Planejamento Urbano e Desenvolvimento Sustentável (Sepud) de Joinville, Joinville possui 170,5 quilômetros de rede cicloviária. Ela é formada por 140,1 quilômetros de ciclofaixas, 13,6 quilômetros de passeio compartilhado e 2,8 quilômetros de ciclorrota, além dos 14 quilômetros de ciclovias. O número está bem longe da meta criada há três anos, quando foi produzido o Plano Diretor de Transportes Ativos, já sob a atual gestão municipal.

Mecanismos de desoneração podem criar recursos para obras em 2019

De acordo com o Plano Diretor, a intenção era que Joinville chegasse a 730 quilômetros até 2025, o que, atualmente, obrigaria a Prefeitura de Joinville a implantar pelo menos 80 quilômetros por ano. No ano passado, por exemplo, este número não passou de 20 quilômetros, e até junho deste ano, 17 novos quilômetros de malha cicloviária foram criadas (a Secretaria não possuía os números atualizados até novembro).

— Teremos que revisar essa meta. Ela continuará em 730 quilômetros, mas o prazo não pode ser até 2025. Quando a meta foi estabelecida, na elaboração do Plano, a situação econômica do país era completamente diferente do que a gente vive hoje — afirmou o secretário de Planejamento Urbano, Danilo Conti.

Ele argumenta que o orçamento para repintura depende diretamente da capacidade de arrecadação da Prefeitura — ele está no pacote da revitalização das vias e das pinturas da sinalização horizontal — e que o plano de mobilidade foi desenvolvido com a expectativa de que haveriam mecanismos de desoneração já implantados na cidade. Segundo ele, a situação pode mudar em 2019, quando instrumentos como a outorga onerosa devem ser colocados em prática — a votação dela ocorrerá nesta semana, na Câmara de Vereadores de Joinville.

— Com os instrumentos de promoção de desenvolvimento sustentável, teremos uma fonte de recursos que irá tratar de investir em mobilidade e infraestrutura. Ela será não especificamente para a malha cicloviária, mas para a mobilidade, apesar de ela ser a prioridade, por tratar dos transportes ativos — afirma ele.

Proteção encontra empecilho no orçamento

Todos os dias, o auxiliar de almoxarifado Bruno de Oliveira Bernardino, 22 anos, percorre de bicicleta os seis quilômetros entre sua casa, no bairro Aventureiro, e a empresa em que trabalha, no Distrito Industrial Leste. A maior parte do trajeto é de ciclofaixas nas vias principais, mas, mesmo assim, ele já presenciou muitos acidentes entre ciclistas e veículos.

— Há imprudência dos dois lados, tanto pelos ciclistas quanto pelos motoristas, que não olham antes de entrar nas laterais — afirma ele.

A auxiliar de talhação Adrieli Vodziensky, 33 anos, faz o caminho contrário: ela sai do bairro Comasa, passa pelo Distrito Industrial Leste e vai até a metade do Boa Vista para trabalhar em uma malharia. Há parte do trajeto em que ela não encontra malha cicloviária e na maior parte, apenas ciclofaixa.

— Eu me sinto mais segura quando estou na ciclovia do que na ciclofaixa, mas ela é melhor do que a parte em que não tem espaço para o ciclista — avalia ela.

Segundo o Sepud, o crescimento das ciclofaixas e passeios compartilhados em Joinville nos últimos anos ocorreu por uma questão de custo-benefício. Sem os instrumentos para abastecer o Fundo Municipal de Desenvolvimento Sustentável, esta foi a opção da Prefeitura para ampliar a malha cicloviária.

— É uma questão de investimento já que você consegue avançar com muito mais velocidade e atende o ciclista com a ciclofaixa. Eu não posso colocar uma ciclovia que faça diminuir o espaço para o pedestre e o perfil de colonização fez uma cidade com urbanismo de vias menores. Tentamos corrigir isso nos últimos anos, mas até que tenha reflexo na vida real das pessoas, leva tempo — analisa Danilo Conti.

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