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    Mercado imobiliário

    Joinville triplica número de apartamentos em 17 anos 

    Entre 2000 e 2017, o número passou de 11.219 para 31.747. Embora as casas ainda sejam maioria, a tendência ganha força

    14/10/2017 - 03h15 - Atualizada em: 14/10/2017 - 05h31

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    Por Redação NSC
    Verticalização ganha força em Joinville, apesar de movimento ainda ser considerado lento frente a outras cidades de mesmo porte
    Verticalização ganha força em Joinville, apesar de movimento ainda ser considerado lento frente a outras cidades de mesmo porte
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    A cidade mais populosa de Santa Catarina deu passos importantes no movimento de verticalização urbana entre os anos de 2000 e 2017, praticamente triplicando o número de apartamentos — de 11.219 para 31.747 domicílios do gênero. O último dado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2016, confirma uma Joinville mais vertical, período em que a quantidade de "apês" passou de 9,3% para 15,89% do total de moradias joinvilenses.

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    Para especialistas do setor imobiliário, a cidade segue uma tendência de adensamento populacional que ocorre nos grandes centros urbanos do País. No entanto, avaliam que Joinville ainda tem um movimento tímido de verticalização frente a cidades de mesmo porte de Estados como o Paraná e São Paulo.

    A percepção é confirmada pelos números. Na década, o município teve incremento de 20% no total de apartamentos (eram 25.321 unidades em 2010), mas o aumento de construções de casas acompanhou o ritmo. O índice de verticalização, que há sete anos era de 15,76%, estagnou. Hoje, as casas somam 167.940 unidades em um universo de 199.687 moradas.

    A área central no final dos anos de 1980, com poucos prédios e a avenida JK em destaque (detalhe). Hoje, a verticalização é visível
    A área central no final dos anos de 1980, com poucos prédios e a avenida JK em destaque (detalhe). Hoje, a verticalização é visível
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    Houve freio também no número de requerimentos de alvarás de construção de edifícios emitidos pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema) nos últimos anos. Durante todo o ano passado, foram contabilizados 135 pedidos de licenças para residências multifamiliares, 18% a menos que seis anos antes, quando o total somou 166 alvarás. Porém, no comparativo de 2016 com 2000, o crescimento é de 108%. Naquele ano, foram 65 registros.

    Em movimento contrário, de 2000 para cá, houve queda no requerimento de alvarás de construção para casas, apesar de ainda formar a ampla maioria dos empreendimentos. O período aponta queda de 17% nas licenças emitidas para moradias unifamiliares, de 1.064 para 880. Já no comparativo do ano passado com o início desta década, a retração foi ainda mais acentuada: 41% de um ano para o outro (de 1.502 para 880 licenças).

    De acordo com o Sindicato da Indústria da Construção Civil de Joinville (Sinduscon), o processo dos últimos dois anos em todos os grandes centros urbanos brasileiros está concentrado no consumo de estoque e não em lançamentos, e Joinville acompanhou este processo. Uma análise da Brain Inteligência Corporativa destaca que o Brasil ainda é majoritariamente horizontal, e a verticalização é uma característica percebida, em especial, nos períodos de boom do mercado. A situação é decorrente, principalmente, da inflação nos preços dos terrenos e, necessidade de adensamento populacional.

    Foco nas vendas

    O empresário Mario Cezar de Aguiar, presidente do Sinduscon, explica que o próprio Plano Diretor de Joinville já viabiliza que a cidade seja mais adensada, uma vez que o poder público pode reduzir custos com a medida. A atual Lei de Ordenamento Territorial (LOT) também permite que a verticalização seja feita considerando condicionantes como preservação ambiental e urbanística, ampliando o desenvolvimento da malha urbana e da infraestrutura de serviços públicos.

    — Joinville ainda é uma cidade majoritariamente horizontal, mas acompanha um movimento nacional de verticalização. Ainda tímido com relação a outros centros, mas com um aumento gradual nos últimos anos e tendência de continuidade — aponta.

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    O empresário acredita que a boa infraestrutura e a posição de destaque da cidade no Estado devem favorecer o mercado da construção civil nos próximos anos. Conforme ele, nos últimos dois anos houve retração no mercado e concentração nas ofertas de imóveis ao invés de lançamentos. Na medida em que há volta da demanda, deve haver retomada de construções no setor. Ele destaca ainda que este mercado se fortalece devido à redução das taxas de juros e porque a compra de imóveis é apontada por consultorias como uma das melhores opções de investimento.

    No primeiro semestre deste ano é os números do mercado imobiliário demonstram esse direcionamento na cidade. Apesar do número menor de lançamentos, as construtoras não pararam de vender (estoque) no período de recessão. Em seis meses, foram lançados em Joinville cerca de R$ 108 milhões em valor geral de vendas (VGV) dos empreendimentos e vendidos exatamente o dobro, R$ 216 milhões. Atualmente, o preço médio por metro quadrado para unidades residenciais em comercialização em Joinville é de R$ 4,8 mil.

    Reaquecimento do mercado

    A tendência de retomada na entrega de novos lançamentos verticais é confirmada pelas maiores construtoras em atuação na cidade. Segundo a Rôgga Empreendimentos, em dezembro de 2016 a cidade tinha 3.022 apartamentos novos para venda, e, em junho deste ano, 2.864 — uma demonstração de que o morador joinvilense voltou a comprar.

    A construtora também aposta no reaquecimento do mercado com a oferta de novas moradias. Em setembro, lançou um residencial com cem apartamentos no bairro Aventureiro que tem início das obras previsto para junho do ano que vem. Já neste mês, começa a segunda fase de vendas das 300 moradias do Caroli Easy Club, no Anita Garibaldi, que tem previsão de entrega para 2019. Outros dois lançamentos devem ocorrer ainda em 2017, somando mais de 250 domicílios em Joinville e Jaraguá do Sul. Um quinto empreendimento, no bairro Santo Antônio, totaliza 340 apartamentos e deve ficar pronto em julho próximo.

    Grandes edifícios estão começando a migrar para os bairros. No entanto, estas regiões se preparam para este modelo de verticalização
    Grandes edifícios estão começando a migrar para os bairros. No entanto, estas regiões se preparam para este modelo de verticalização
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    O coordenador de vendas da MRV Engenharia, Willians Ribeiro, cita a boa estrutura de Joinville como polo industrial e o crivo dos bancos em liberar financiamentos para trabalhadores com carteira assinada como os diferenciais para que a empresa continue investindo no mercado imobiliário joinvilense. Em 18 anos de serviços no município, a MRV já entregou 2.456 apartamentos e lançou um total de 3.916 empreendimentos.

    Hoje, a construtora comercializa 400 apartamentos, que estão em construção ou serão entregues até o final do ano. Os lançamentos demonstram uma tendência de verticalização em bairros distintos. São três no Vila Nova, um no Floresta e outro no Adhemar Garcia. Há ainda a previsão de construir mais 1.500 novas unidades nos próximos dois anos. No período, são planejadas ao menos sete obras, sendo uma no Bom Retiro, uma no Vila Nova, uma no Guanabara, uma no Floresta e três na região dos bairros Fátima e Adhemar Garcia.

    Oportunidade para crescer

    No quesito verticalização, "Joinville, em termos imobiliários, está só no começo e tem tudo pela frente. É uma constatação meio chocante, mas para nós, que estamos no mercado é animador'. Essa é a avaliação do empresário Anagê Alves da Silva, membro da Associação Brasileira do Mercado Imobiliário (ABMI) e que atua no ramo há 30 anos.

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    Dono da Imobiliária Anagê, uma das mais antigas da cidade, ele destaca que o atraso na verticalização frente a cidades de mesmo porte no interior como Londrina (PR), de 500 mil habitantes, também está ligado ao perfil dos joinvilenses. Contudo, demonstra oportunidade de crescimento ao mercado.

    — Joinville é uma cidade horizontal por causa da topografia. Além disso, os moradores sempre gostaram de morar em casa, e a Prefeitura esteve de acordo com o que as pessoas querem e não projetou a cidade mais verticalizada. Então, Joinville carece de planejamento para o futuro de grandes proporções, que contemple verticalizações, condomínios e moradias com segurança — salienta.

    Conforme ele, os consumidores ainda buscam preferencialmente casas para morar, mas em condomínios fechados, que oferecem mais segurança. Devido ao déficit do município com relação a esses empreendimentos, parte das famílias acaba optando por apartamentos. Somente na Anagê, dos imóveis disponíveis para venda na primeira semana de outubro, 1,8 mil, cerca de 60% são apartamentos. Já entre os domicílios para aluguel, 70% dos 820 em oferta também são "apês".

    — As pessoas buscam imóveis que atendam às condições financeiras delas, estejam em localização adequada ao trabalho e ao colégio dos filhos e que ofereçam segurança. Hoje, por exemplo, nós temos os chamados home clubs para 150, 200 moradores, que oferecem segurança, conforto e condomínio baixo. Este é um segmento que está forte em Joinville.

    O empresário também está otimista quanto ao crescimento do setor em 2018 em decorrência da reação econômica e da queda dos juros. Aponta ainda que o futuro condominial de Joinville pode estar na região da Estrada da Ilha, onde avalia haver uma área sem problemas ambientais. "Ali deve ser a Joinville do futuro, com grandes condomínios e empreendimentos", aposta.

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