José Alvaro Moisés, professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP) e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), morreu afogado na praia de Itamambuca, em Ubatuba, em São Paulo, nesta sexta-feira (13). A identidade dele foi confirmada neste sábado (14) pelo Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) e pela Polícia Civil. Com informações do g1.

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Uma amiga de José Álvaro relatou à polícia que estava na praia com o professor aposentado e outros amigos na tarde de sexta-feira. Em determinado momento, o grupo percebeu a ausência do professor. Pouco depois, foram informados de que uma pessoa havia se afogado e sido socorrida por uma unidade do Samu.

Ao buscarem informações, segundo o boletim de ocorrência, os amigos se dirigiram a uma funerária da cidade, onde constataram que a vítima era José Álvaro Moisés. O caso foi registrado como morte suspeita e morte acidental.

Em nota, o PT lamentou a morte de José e destacou o papel que o professor teve na política nacional e na luta por democracia. “Sua trajetória intelectual esteve marcada pelo compromisso com o estudo das instituições democráticas e pelo acompanhamento atento da vida política nacional”.

A USP também se pronunciou em nota (veja abaixo na íntegra) sobre a morte do professor e o destacou como um incansável construtor de instituições. “Foi fundador do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da USP, e foi também o primeiro coordenador do Curso de Gestão de Políticas Públicas da EACH/USP (2004/2006)”, informou a Universidade.

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Veja a nota do PT na íntegra

“O Partido dos Trabalhadores lamenta profundamente o falecimento do cientista político José Álvaro Moisés, aos 81 anos. Professor da Universidade de São Paulo (USP) e fundador do PT em 1980, José Álvaro Moisés teve papel relevante no debate público brasileiro e na consolidação da ciência política como campo de reflexão crítica sobre a democracia, as instituições e a participação popular. Sua trajetória intelectual esteve marcada pelo compromisso com o estudo das instituições democráticas e pelo acompanhamento atento da vida política nacional.

Moisés sempre se colocou no campo do debate democrático, contribuindo para o pluralismo de ideias que fortalece a sociedade brasileira. Neste momento de pesar, o PT se solidariza com familiares, amigos, colegas da Universidade de São Paulo e com toda a comunidade acadêmica”.

Veja a nota da USP na íntegra

“É com imensa tristeza que recebemos a notícia do falecimento do professor José Álvaro Moisés, que tão enorme legado deixa ao Departamento de Ciência Política da USP, à FFLCH, e à ciência política brasileira em geral. Moisés, como lhe conhecíamos, mantinha uma atividade intelectual prolixa e engajada, e com frequência recebíamos suas notícias sobre a organização de seminários, e suas reflexões sobre o futuro da democracia brasileira, direitos humanos e cultura política, áreas nas quais dirigia fóruns como o de Formulação dos Direitos e o Fórum da Democracia. Ele foi fundamental na organização do DCP-USP nos anos oitenta, da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) e da International Political Science Association. (IPSA).

Moisés se formou em 1970 nas primeiras turmas do Curso de Graduação em Ciências Sociais pela USP, e depois realizou seu mestrado em Política e Governo pela Universidade de Essex (1972), obtendo seu doutorado em Ciência Política pela USP (1978), sob a orientação do professor Francisco Weffort.

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Moisés era um incansável construtor de instituições: foi fundador do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da USP, e foi também o primeiro coordenador do Curso de Gestão de Políticas Públicas da EACH/USP (2004/2006). E como professor Sênior do Instituto de Estudos Avançados da USP, coordenava, com grande dinamismo, o Grupo de Pesquisa da Qualidade da Democracia. Moisés também foi Presidente do Centro de Estudos de Cultura Contemporânea CEDEC (1987-1991), e também Secretário de Apoio à Cultura (1995-1998) e Secretário de Audiovisual (1999-2002) do Ministério da Cultura.

Um dos fundadores dos Estudos da Cultura Política no país, o Moisés era um apaixonado da democracia brasileira a qual dedicou todas suas reflexões e esforço intelectual nas últimas três décadas legando obras como “Crises da Democracia: o Papel do Congresso, dos deputados e dos partidos”, “Bulding democracies. Challenges, crises and response to rule of law, Access to justice and political representation; “A desconfiança política e os seus Impactos na qualidade da democracia; “Democracia e desconfiança. Por que os cidadãos desconfiam das Instituições públicas“.

Moisés deixa um vácuo pessoal, intelectual e institucional difícil de preencher. Toda nossa solidariedade à família, amigos e colegas”.