A Justiça Federal determinou que a prefeitura de Biguaçu, na Grande Florianópolis, elabore um diagnóstico sobre os danos causados pela passagem de veículos altos sob um dos arcos do Aqueduto da Vila de São Miguel, patrimônio histórico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A decisão estabelece prazo de 60 dias para a análise da administração municipal.

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A determinação foi dada pela 6ª Vara Federal de Florianópolis, em uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF). Segundo o órgão, caminhões e outros veículos de grande porte estariam atingindo o arco do aqueduto na pista de acesso, causando danos à estrutura.

Relatórios técnicos citados no processo indicam que partes do arco já foram danificadas mais de uma vez. “Seria necessária a adoção de providências para obstar o trânsito de veículos pesados e altos, bem como a instalação de quebra-molas e placas de sinalização indicando a altura máxima permitida”, sugere o corpo técnico do órgão.

O que diz o juiz

Na decisão, o juiz federal Charles Jacob Giacomini afirmou que a situação exige medidas preventivas para evitar a deterioração do patrimônio cultural.

“O princípio da prevenção demanda que, já em sede de tutela antecipada ou liminar, sejam determinadas medidas efetivas para frear a propagação dos danos ambientais, inclusive em relação aos bens culturais, que integram o meio ambiente cultural”, afirmou o juiz.

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O diagnóstico a ser elaborado pelo município deverá avaliar o grau de deterioração do arco e indicar soluções para impedir novos danos. O documento ainda precisará ser analisado e aprovado pelo Iphan.

A prefeitura de Biguaçu foi questionada sobre a decisão, mas não se manifestou ao NSC Total até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

Veja fotos do aqueduto

Patrimônio histórico

O Aqueduto da Vila de São Miguel integra o conjunto arquitetônico e paisagístico da localidade, tombado pelo Iphan desde 1969. A estrutura foi construída para levar água da Cachoeira de São Miguel até a região da vila, abastecendo moradores, movimentando engenhos e atendendo embarcações que passavam pela Baía de Anhatomirim.

Com a construção da BR-101, parte da estrutura original foi destruída e atualmente restam apenas quatro arcos do aqueduto.

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