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Polêmica

Justiça rejeita pedido de religiosos para Netflix censurar filme Cuties

Na ação, a organização afirma que as meninas têm um comportamento inadequado para sua idade, com “vestimentas sensuais, blusas curtas e calças apertadas” e que promove um “prato cheio para a pedofilia”.

26/09/2020 - 15h38

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Por Ângela Prestes
Cena do filme Cuties, da Netflix
Segundo o juiz Luiz Fernando Rodrigues Guerra, da 5ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, a Netflix não violou a legislação e o pedido de exclusão do filme é inconstitucional.
(Foto: )

A justiça negou o pedido feito pela organização religiosa Templo Planeta do Senhor para censurar o filme Cuties (Lindinhas), disponível na Netflix. Na ação, a organização afirma que as meninas do grupo de dança têm um comportamento inadequado para sua idade, com “vestimentas sensuais, blusas curtas e calças apertadas” e que promove um “prato cheio para a pedofilia”. As informações são da Carta Capital. 

Segundo o juiz Luiz Fernando Rodrigues Guerra, da 5ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, a Netflix não violou a legislação e o pedido de exclusão do filme é inconstitucional. “É uma forma indefensável de censura, pois pretendia a supressão da liberdade de informação e, sobretudo, da liberdade de educação familiar”. De acordo com ele, os pais e responsáveis têm o direito de decidir quais conteúdos seus filhos podem assistir, a despeito dos interesses religiosos da entidade.

Ministra Damares também pediu a exclusão do filme

A equipe da ministra Damares Alves também pediu a exclusão do filme. O longa, que venceu o Sundance, entrou na mira da ministra, que por meio do Facebook chamou a produção de "abominável".

"Estou brava, Brasil! Estou muito brava! É abominável uma produção como a deste filme. Meninas em posições eróticas e com roupas de dançarinas adultas", escreveu Damares, que completou: "Quero deixar claro que não faremos concessões a nada que erotize ou normalize a pedofilia! Quero aproveitar e dar um recado aos pedófilos que por anos tem vindo ao Brasil abusar de nossas crianças: no Brasil existe um Governo que se importa de verdade em proteger as crianças e as famílias".

No dia 21 de setembro, o secretário Maurício Cunha, da Secretaria Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente, solicitou a suspensão imediata do filme da plataforma em ofício encaminhado à Comissão Permanente da Infância e Juventude (COPEIJ), ligada ao Ministério Público.

O filme

O longa conta a história de Amy, uma menina de 11 anos de origem senegalesa que se muda para a França com sua família. A pequena conhece um grupo de dança de garotas de sua idade, Mignonnes –também o nome original do filme, em francês–, o que não é aprovado por sua família religiosa e conservadora.

O longa, acusado de sexualizar crianças, chegou aos assuntos mais comentados no Twitter nos Estados Unidos quando estreou no catálogo da Netflix. Em entrevista ao site especializado Deadline, a diretora e roteirista Maïmouna Doucouré disse que recebeu ameaças de morte.

Em resposta ao reboliço, a Netflix publicou uma entrevista com a diretora num vídeo chamado "Why I Made Cuties", em que ela comenta a obra. O filme tem uma proximidade com a história pessoal de Doucouré, que também é de família senegalesa, mas nasceu e foi criada em Paris. Ela defendeu o caráter crítico da obra.

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