O que começou como um encontro inesperado em um domingo comum acabou se transformando em uma convivência rara e cheia de significado no Bairro Jardim Itália, em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina. Há cerca de três anos, um lagarto passou a aparecer com frequência no terreno da casa da terapeuta holística e massoterapeuta Lucimara Walendorff de Oliveira e, desde então, se tornou uma presença constante na rotina da família.
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Batizado de Otragal, “lagarto” escrito ao contrário, nome escolhido pelo filho de Lucimara, o animal silvestre surgiu de forma inesperada em uma área urbana. Na época, a família participava de um evento de encerramento de final de ano da turma do filho quando uma amiga perguntou se o lagarto que circulava pelo local era deles.
— Eu até estranhei e respondi: Mas que lagarto? — relembra Lucimara. A partir daquele dia, o animal passou a frequentar o quintal da casa e nunca mais deixou de aparecer.
Mesmo sendo um réptil silvestre, Otragal sempre demonstrou comportamento tranquilo. Desde o início, circulava próximo às crianças e convivia sem conflitos com os gatos da casa, permanecendo principalmente na área do gramado.
Aproximação foi gradual
Nos primeiros meses, a família apenas observava o lagarto, respeitando seu espaço e avaliando como seria a convivência com os outros animais. Otragal se alimentava sozinho, caçando e comendo frutas que caíam das árvores do quintal.
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Com o tempo, após pesquisas sobre a alimentação dos teiús, a família passou a oferecer ovos, sempre de forma cuidadosa e mantendo distância. A aproximação aconteceu de forma gradual.
— Depois de uns seis meses, ele começou a descer quando escutava barulho na cozinha e ficava esperando ganhar algo — conta Lucimara.
Atualmente, Otragal aparece sempre que percebe movimentação na casa. Ele demonstra preferência por ovos caipiras, rejeitando os ovos brancos, além de consumir frutas e carnes cruas. Quando os gatos estão na entrada, ele evita entrar, mostrando um comportamento atento ao ambiente.
Relação baseada em confiança
Apesar da proximidade, Lucimara faz questão de reforçar que Otragal não é um animal de estimação. Para a família, trata-se de um animal silvestre livre, que escolhe permanecer ali.
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— Ele é livre para ir e vir. Acreditamos que, em algum momento, ele pode ir embora. Não vemos ele como um pet, e sim como uma amizade livre, construída na confiança — afirma.
Em um dos episódios, Lucimara chegou a ser mordida levemente pelo lagarto enquanto o alimentava. Segundo ela, a situação não trouxe medo nem dor.
— Eles não têm uma visão muito boa. Se a mão fica parada, ele pode confundir com comida. Mas ele soltou na hora, não cortou e não doeu. Continuei alimentando normalmente — cita.
Convivência natural com os filhos
Os filhos também lidam com a presença do lagarto de forma tranquila. A filha mais nova, Naomi, de 6 anos, observa com curiosidade, enquanto o filho Joshua, de 9, já chegou a alimentar Otragal diretamente.
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— Ele ficou realizado — conta Lucimara.
Vídeos viralizam e despertam curiosidade nas redes sociais
A convivência inusitada chamou a atenção nas redes sociais de forma inesperada. Lucimara costumava postar vídeos de Otragal apenas nos stories e não tinha grande apego às redes. Após reativar o perfil no dia 18 de dezembro, os números surpreenderam.
— Em cerca de um mês, foram mais de 14 milhões de visualizações. Ganhei mais de 40 mil seguidores e vários vídeos viralizaram — relata.
Hoje, milhares de pessoas acompanham a rotina do lagarto e da família, atraídas pela relação de respeito e confiança construída ao longo do tempo.
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