A fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia, no sul do Rio de Janeiro, vive um momento de indefinição. Segundo informações de bastidores, as últimas unidades dos modelos Discovery Sport e Range Rover Evoque previstas para produção já foram concluídas e aguardam apenas a distribuição para a rede de concessionárias, processo que deve ocorrer até a metade de julho. Enquanto isso, cresce a expectativa em torno da possível transferência da unidade para a chinesa Chery Automobile.

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Questionada sobre o futuro da operação pela revista Quatro Rodas, do Grupo Abril, a Jaguar Land Rover informou apenas que as atividades de produção seguem normalmente durante o mês de junho, conforme o planejamento da companhia. A empresa afirmou não ter novas informações a divulgar. O cenário, no entanto, levanta dúvidas sobre o que acontecerá após julho.

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Itatiaia e Porto Real (Sindireal), a planta industrial emprega atualmente 371 trabalhadores de forma direta. Embora o ritmo de produção tenha sido reduzido nos últimos anos, os funcionários vêm participando de programas de qualificação profissional.

Os números de mercado refletem essa desaceleração. Entre janeiro e maio deste ano, os modelos Discovery Sport e Range Rover Evoque registraram apenas 264 emplacamentos no Brasil.

O diretor administrativo do Sindireal, Bruno Mendonça Streva, afirma que a empresa mantém em vigor um acordo coletivo de trabalho e vem cumprindo suas obrigações trabalhistas. Segundo ele, a principal preocupação do sindicato é garantir a preservação dos empregos em caso de concretização de uma negociação envolvendo a fábrica.

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Conversas com a Cherry avançam

As conversas sobre a possível aquisição da unidade avançaram recentemente. Na sexta-feira (12), representantes da Prefeitura de Itatiaia participaram de uma reunião virtual com executivos da Chery para dar sequência às negociações. O encontro chegou a ser divulgado no site oficial do município, mas a publicação foi posteriormente retirada do ar. A informação foi antecipada pelo jornalista Jorge Moraes, da CNN.

Durante a reunião, a montadora chinesa oficializou o interesse em aderir aos programas de incentivos fiscais disponíveis no município. Em resposta, a administração local apresentou os requisitos legais e administrativos necessários para a obtenção dos benefícios.

Paralelamente, a Chery também mantém negociações com o governo do estado do Rio de Janeiro. Embora as tratativas sejam consideradas avançadas, questões relacionadas à tributação ainda impedem a conclusão do acordo. Ajustes e discussões sobre o tema também estão em andamento junto à Assembleia Legislativa do estado.

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Unidade no RJ da Land Rover nunca atingiu grande volume de produção

Esse contexto contribui para a incerteza sobre a data definitiva de encerramento das operações da Jaguar Land Rover em Itatiaia. A expectativa é que todos os veículos já produzidos deixem a fábrica até 15 de julho.

Inaugurada há uma década, a unidade nunca atingiu volumes expressivos de produção. Atualmente, opera no sistema SKD (Semi Knocked Down), no qual as carrocerias chegam prontas, já pintadas e montadas, cabendo à fábrica apenas a etapa final de montagem com predominância de componentes importados.

Cherry deve usar espaço para produzir SUV

A estrutura existente, porém, não atende aos planos industriais da Chery Automobile. A montadora pretende utilizar o local para produzir nacionalmente o Omoda 4, SUV compacto equipado com motorização 1.0 turboflex híbrida (HEV), destinado a disputar mercado com modelos como Volkswagen Tera, Fiat Pulse, Renault Kardian, Chevrolet Sonic e GAC GS3.

Para viabilizar o projeto, será necessário ampliar significativamente a escala produtiva. Além do Omoda 4, a unidade poderá futuramente fabricar veículos das marcas Omoda, Jaecoo, Lepas e Jetour, todas pertencentes ao grupo Chery.

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A estratégia prevê atender tanto o mercado brasileiro quanto exportar veículos para países vizinhos da América do Sul.

Plano tem como meta produzir 100 mil veículos por ano

Nos planos da fabricante chinesa está o aproveitamento dos incentivos atualmente vinculados à Jaguar Land Rover, sob a justificativa de implantar uma nova operação industrial no local. O objetivo é transformar a planta para operar no modelo CKD (Completely Knocked Down), no qual as peças chegam desmontadas do exterior e etapas como soldagem, montagem estrutural e pintura passam a ser realizadas localmente.

O projeto prevê elevar a capacidade produtiva para cerca de 100 mil veículos por ano a partir do segundo semestre de 2027. Segundo o planejamento, a adequação da fábrica para uma produção de até 87 mil unidades anuais já estaria contemplada em compromissos firmados com os governos estadual e municipal.

Fontes da indústria também apontam a possibilidade de a própria Jaguar Land Rover continuar utilizando a fábrica após a entrada da Chery. Nesse cenário, a montadora chinesa seria contratada para produzir veículos da marca destinados ao mercado brasileiro.

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A hipótese encontra respaldo na relação histórica entre as duas empresas. Na China, a Chery é responsável pela fabricação dos veículos da Land Rover, resultado de uma parceria de longa data. Além disso, os futuros modelos da submarca Freelander estão sendo desenvolvidos em conjunto pelas companhias, cabendo ao grupo chinês a produção e a distribuição global desses veículos.

Essa parceria pré-existente pode ter contribuído para facilitar as negociações envolvendo a venda da unidade de Itatiaia e, ao mesmo tempo, abrir caminho para um modelo de operação compartilhada no mercado brasileiro.

*Com informações da revista Quatro Rodas e CNN Brasil