A legislação que proibiu a combinação entre álcool e direção no Brasil atinge sua maioridade enfrentando o desafio de se reinventar diante de novas formas de burla. Devido a um repique nos índices de criminalidade de trânsito observado nos últimos seis anos, o próximo passo das forças de segurança para oxigenar as blitze baseia-se no drogômetro, equipamento em fase de testes capaz de rastrear drogas e narcóticos pela saliva dos motoristas.

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A Lei Seca, criada para conter os avanços dos crimes cometidos pelo uso de álcool no volante, completa 18 anos de vigência e contabiliza um legado histórico de vidas salvas.

O comportamento nas blitze e o domínio das negativas

A necessidade de aparelhos mais abrangentes ganha relevância quando avaliado o comportamento dos motoristas nas abordagens. Do total de 3,7 milhões de infrações lavradas no território nacional desde o início da vigência da norma, impressionantes 66% correspondem à recusa formal do condutor em assoprar o bafômetro.

Para Rodolfo Rizzotto, coordenador do programa de segurança SOS Estradas, a estratégia ganhou força com o suporte de defesas jurídicas padronizadas que buscam atrasar as punições administrativas até que os prazos legais expirem.

— Com tantos recursos, motoristas que recusam o bafômetro conseguem evitar a conclusão de processos e a suspensão da carteira, ou protelam até gerar prescrição. Há advogados especialistas nisso oferecendo seus serviços sem cerimônia nas redes sociais, onde influenciadores postam fazendo rachas, manobras em alta velocidade. Isso tudo estimula riscos e impunidade — destaca Rizzotto.

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Em análise sobre a atual conjuntura da segurança nas estradas, Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária, pontuou que o país enfrenta uma visível acomodação na intensidade das fiscalizações, o que afrouxou a percepção de perigo por parte da sociedade.

— A tese está consolidada, mas a abordagem não pode ficar só no álcool. Deve ser feita para captar drogas e medicamentos que tiram a capacidade de dirigir. O mundo discute a implementação de “drogômetros”. Isso é importante, além de não arrefecer a fiscalização — afirma.

Da dor ao trabalho de formiguinha nas ruas

Paralelamente às punições financeiras de quase R$ 3 mil e à perda provisória da CNH, o foco das autoridades migrou para a conscientização de base, usando o ambiente escolar e os filhos como fiscais familiares.

Os dispositivos estão sendo testados e poderão ser usados assim que forem certificados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

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*Com edição de Nicoly Souza