Vincent Alexander Pacheco Weidlich, de 36 anos, apontado como um dos principais articuladores do movimento neonazista nos países nórdicos, foi preso pela Polícia Federal em Blumenau no fim de 2024 e condenado em setembro de 2025 por terrorismo e incitação ao genocídio. Apesar disso, desde fevereiro deste ano, ele está em liberdade e reside em São Paulo, aguardando autorização para deixar o país. As informações são de reportagem da Agência Pública, que teve acesso a documentos sobre o caso.

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De acordo com a investigação da PF, iniciada após uma denúncia no TikTok, Weidlich mantinha grupos no Telegram e no Signal com pelo menos 140 participantes de vários estados brasileiros e de países como Alemanha, Suécia, Rússia e Estados Unidos. Ele convocava ataques terroristas para o dia 16 de outubro, com alvos que incluíam bancos, corporações de mídia, sinagogas e mesquitas, com o objetivo de propagar “terror social e generalizado”.

Os planos incluíam ainda a criação de uma colônia de supremacistas brancos em Santa Catarina.

Neonazista preso em SC foi tema de reportagem em uma revista da Suécia sobre o tema: “Neonazista ou agente russo?” (Foto: Expo.Se, Reprodução)

Neonazista chegou a ir para hospital psiquiátrico

A Polícia Federal cumpriu buscas em um endereço ligado a Weidlich em São Paulo, onde encontrou uma máscara de gás e materiais químicos que poderiam ser usados na fabricação de explosivos. Após a prisão, ele passou pouco mais de um ano recolhido, primeiro em um centro de detenção e depois em um hospital psiquiátrico em Taubaté (SP), ainda de acordo com apuração da Agência Pública.

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Em 5 de fevereiro de 2026, a Justiça Federal de São Paulo determinou a soltura de Weidlich, acatando a tese de que, apesar de ter cometido os crimes, sua “falta de culpabilidade” excluiria a reprovação da conduta, segundo registrou o juiz Marcelo Duarte da Silva.

Weidlich tem passaporte alemão, documentos norte-americanos e obteve a cidadania brasileira em 2023. Em 20 de fevereiro, já em liberdade, ele solicitou à Justiça autorização para deixar o Brasil. A Agência Pública também revelou que, antes de voltar ao país em 2022, ele viveu na Noruega, onde foi identificado como principal articulador do movimento neonazista escandinavo, e passou por Rússia e Turquia.

O advogado Carlos Nicodemos, relator do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) para o enfrentamento ao neonazismo, afirmou à Agência Pública que a soltura de Weidlich evidencia a ausência de uma política nacional efetiva para o tema. “A ausência de uma institucionalidade normativa objetiva leva o Judiciário à busca de ajustes normativos penais atípicos. É deste contexto que nascem decisões judiciais como nesse caso”, disse. A Procuradoria e a PF em São Paulo alegaram sigilo e não comentaram o caso.