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    Linha do tempo: veja os principais fatos da crise no MEC 

    Disputa por espaço entre grupos dentro de ministério e desgaste de um chefe figurativo da pasta contrariam promessa de prioridade máxima ao ensino neste mandato

    05/04/2019 - 12h54 - Atualizada em: 01/05/2019 - 17h53

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    Por GaúchaZH
    (Foto: )

    Os embates ocorridos ainda no ano passado, antes da posse do novo governo, davam pistas sobre a efervescente disputa de poder que marcaria a atuação do Ministério da Educação. Indicações e vetos para o cargo de ministro vieram de núcleos antagônicos ligados a Jair Bolsonaro.

    O presidente acabou optando por Ricardo Vélez Rodríguez, defendido pelo escritor e guru bolsonarista Olavo de Carvalho. Passados três meses, o setor está paralisado, e Vélez, fragilizado.

    O próprio Bolsonaro afirmou, em encontro com jornalistas no Palácio do Planalto, que a permanência ou não do ministro no cargo deve ser definida na próxima segunda-feira (8). Confira, a seguir, a trajetória de confusões no MEC.

    2018

    22 de novembro

    O professor e filósofo colombiano Ricardo Vélez Rodríguez (foto) é confirmado como o novo ministro da Educação. Pouco conhecido no meio acadêmico, foi indicado pelo escritor e guru do bolsonarismo, Olavo de Carvalho. Até então, representantes da área defendiam o nome do diretor do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos, vetado pela bancada evangélica por ser considerado "esquerdista".

    28 de dezembro

    O cientista político Antônio Flávio Testa, que assumiria a secretaria executiva do MEC, desentende-se com Vélez e não chega a ser nomeado. Testa atuou no grupo temático de educação indicado por Bolsonaro durante a transição de governo.

    2019

    2 de janeiro

    Vélez é empossado como ministro. Sem experiência de gestão, monta sua equipe com integrantes de diversos matizes: militares, técnicos, seus ex-alunos e nomes indicados por Olavo de Carvalho.

    O ministério anuncia a extinção da Secretaria de Diversidade. A subpasta da Alfabetização é criada.

    São divulgadas alterações em edital para compra de livros didáticos, sem a necessidade de indicação de bibliografia nas obras ou de promoção de ações de não violência contra a mulher. O edital foi revisto uma semana depois, e a ação foi classificada como sabotagem por Vélez.

    30 de janeiro

    Em entrevista para o jornal Valor, Vélez diz que "universidade não é para todos".

    1º de fevereiro

    Para a revista Veja, o ministro afirma que "o brasileiro viajando é um canibal. Rouba coisas dos hotéis".

    20 de fevereiro

    Anunciada a criação de uma comissão para analisar as questões do Enem. O Ministério Público Federal pediu esclarecimentos ao governo sobre a ação.

    25 de fevereiro

    Vélez envia cartas a diretores de escolas, pedindo filmagens de alunos cantando o Hino Nacional e determinando a leitura de mensagem com slogan de campanha de Bolsonaro.

    8 de março

    Após pressão de técnicos da pasta e de militares, o ministro começa mudanças na equipe, mirando indicados por Olavo de Carvalho. O escritor e seus seguidores iniciam campanha nas redes sociais contra Vélez.

    10 de março

    Bolsonaro exige a demissão do diretor de programa da Secretaria Executiva da pasta, coronel-aviador Ricardo Roquetti, apontado como pivô da ação contra ex-alunos de Olavo.

    11 de março

    Vélez exonera seis assessores, entre eles, o chefe de gabinete Tiago Tondinelli e o assessor Silvio Grimaldo, ambos próximos a Olavo.

    12 de março

    Alvo de olavistas, o secretário executivo Luiz Antonio Tozi é demitido. Ligado a ele, Rubens Barreto da Silva é indicado, mas tem o nome vetado por olavistas.

    14 de março

    Iolene Lima é anunciada para a Secretaria Executiva, mas enfrenta resistências de olavistas e evangélicos.

    19 de março

    Representantes da área da educação criticam o anúncio da nova política de alfabetização, que prioriza o sistema fônico em detrimento ao construtivista.

    22 de março

    Vélez demite Iolene Lima, deixando o cargo vago por uma semana.

    25 de março

    Portaria que suspendia avaliação de alfabetização, prevista para este ano, é publicada pelo Inep. Após repercussão negativa, Vélez demite o presidente do Inep, Marcus Vinicius Rodrigues, ligado aos núcleos técnico e militar, mas mantém o secretário de Alfabetização, Carlos Nadalim, responsável pelo pedido de suspensão, próximo a Olavo.

    Por não ter sido consultada sobre a suspensão da avaliação de alfabetização, a secretária de Educação Básica do MEC, Tania Leme de Almeida, ligada ao núcleo técnico da pasta, pede demissão.

    26 de março

    O ministro volta atrás e garante a realização da avaliação de alfabetização.

    29 de março

    O tenente-brigadeiro Ricardo Machado Vieira é nomeado por Bolsonaro para a secretaria executiva do MEC.

    3 de abril

    Em meio à polêmica sobre a celebração do aniversário do golpe militar de 1964, Vélez afirmou, em entrevista ao jornal Valor Econômico, que o Ministério da Educação promoveria mudanças no conteúdo dos livros didáticos do país em relação ao tema. Para o ministro, não houve golpe, e o regime militar não foi uma ditadura. A afirmação irritou a cúpula das Forças Armadas, que viu um desgaste desnecessário em trazer o assunto à tona na semana seguinte ao 31 de março e considerou a declaração uma tentativa de Vélez para manter-se no cargo.

    4 de abril

    Considerado braço direito de Vélez, Bruno Garschagen, assessor especial do ministro, foi demitido do cargo. No mesmo dia, foi demitida a chefe de gabinete do MEC, Josie de Jesus.

    5 de abril

    Em encontro com jornalistas no Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que deve definir na próxima segunda-feira (8) a situação de Vélez, indicando que pode demitir o colombiano. "Nós vamos resolver até segunda-feira a situação da Educação. Segunda-feira é o dia do 'fico' ou do 'não fico'", disse.

    Em evento do fórum empresarial Lide, em Campos do Jordão (SP), Vélez evitou perguntas sobre uma eventual saída do MEC. "Pretendo participar do fórum e não vou entregar o cargo", afirmou.

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