Um livro une Arthur (Antonio Fagundes), da novela Quem Ama Cuida, e Tufão (Murilo Benício), de Avenida Brasil. Assim como Tufão encontrou na leitura algumas respostas para o que viveu na trama da novela das nove de 2012, Arthur leu muitos livros antes de sua morte e a obra que une os dois é O Idiota, do escritor russo Fiódor Dostoiévski.
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O livro conta a história do Príncipe Míchkin, um jovem extremamente bondoso e sincero que tenta viver na alta sociedade russa. O problema é que, em um ambiente que só valoriza o dinheiro, a fofoca e as aparências, a pureza do príncipe acaba causando diversos conflitos.
Tufão e Arthur tem em comum estarem rodeados de pessoas mais interessadas em seus bens e status do que em quem eles são e em serem amados por eles.
Sinopse de O Idiota
Uma das obras mais cultuadas de Fiódor Dostoiévski por veicular ideias pessoais e detalhes autobiográficos — e, também, uma das preferidas do autor –, O idiota mostra o conflito entre um jovem quixotesco, repleto de boas intenções e sinceridade, e a sociedade russa moderna, desencantada e movida à ganância.
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Escrito originalmente em formato de folhetim, O idiota narra as desventuras do jovem epilético príncipe Míchkin. Dotado de uma pureza ímpar e expressando-se com sinceridade, este personagem choca-se com uma Rússia secular e desencantada, distante dos ideais cristãos de generosidade e movida por uma busca incessante por dinheiro e status.
Ao retornar a São Petersburgo após um tratamento médico, Míchkin envolve-se em triângulos amorosos da alta sociedade, centrados na disputa pela atenção de Nastássia Filíppovna, uma beldade multifacetada, muitas vezes interpretada como louca pelos homens que a cortejam. Apesar das boas intenções, a presença do príncipe provoca uma série de conflitos que dinamitam aquele círculo social dependente de aparências.
Em parte romance de ideias, em parte romance de costumes, que trata do nacionalismo russo e de um contexto sócio-histórico específico, a prosa de Dostoiévski reluz, em especial, ao contrapor o idealismo de Míchkin com o niilismo individualista de Ippolit, um rapaz tuberculoso despreocupado com a ética de suas ações.
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Este livro oferece a análise severa e complexa que o mestre russo faz de uma sociedade moderna que perdeu seu norte moral — crítica que se mostra relevante até hoje, no capitalismo tardio. Afinal, que espaço há para as boas ações, a compaixão e a caridade em um mundo onde o dinheiro é a força motriz? As agruras do protagonista representam com agudeza a visão desoladora que Dostoiévski tinha de seu entorno, o que levou o escritor a defender as ideias contidas no romance até o fim de sua vida.
“Nada fica fora do terreno de Dostoiévski (…) Tirando Shakespeare, não existe leitura mais interessante.” — Virginia Woolf
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