Luciano Hang nem sempre foi o Véio da Havan. Por anos e anos a fio, mesmo em meio à expansão da empresa por Santa Catarina e pelo Brasil, o empresário era apenas um dono tímido e discreto que não gostava de aparecer. Mas a pergunta que não quer calar é: como um homem dos bastidores virou esse ícone pop de carisma que a gente conhece hoje?
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A resposta está em uma tempestade perfeita que misturou uma porção de polêmica, uma pitada de rebeldia e um talento nato para a comunicação que nem ele sabia que tinha. O ano era 2016, e o Brasil estava em uma verdadeira ebulição política. Foi nesse caldeirão que o “Véio” decidiu sair da sombra e assumir de vez os holofotes.
A “crise” que virou a chave
Corria o ano de 2016. O Brasil estava rachado ao meio pelo impeachment de Dilma Rousseff, e a polarização respingava até em quem não tinha nada a ver com a história. Foi nesse ambiente que começaram a circular boatos sobre quem seria o verdadeiro dono da Havan.
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Como Luciano Hang não costumava aparecer, surgiram teorias das mais variadas na internet e nas cidades onde a rede avançava: a dona seria a filha da ex-presidente Dilma, ou então o ex-presidente Lula, ou até mesmo o bispo Edir Macedo e Silvio Santos.
Hang, um empresário avesso aos holofotes que só falava com a imprensa durante inaugurações de lojas, diz que ficou preocupado. E aí foi a virada de chave.
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Foi assim que o empresário discreto decidiu virar garoto-propaganda. A campanha de Natal daquele ano trouxe o tema “De quem é a Havan?”, com direito a uma enquete nas lojas em que clientes chutavam quem seria o proprietário. Em outro vídeo, o próprio Hang se apresentava ao público pela primeira vez, falando de promoções e, principalmente, mostrando a cara.
— Eu não ligava enquanto achavam que a Havan era uma empresa americana, chinesa ou coreana. Mas quando começaram a associar a loja a políticos, me preocupou — disse Hang, à época.
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Da lojinha ao bilhão
O estrelato pop de Hang
A partir dali, cada loja nova inaugurada se transformava em um megaevento. Helicóptero pousando no estacionamento, multidão na porta e um show de simpatia que misturava negócios com um verdadeiro espetáculo. Selfies? Aos milhares. Luciano Hang entendeu, antes de muita gente, que no mundo digital o CEO não é mais uma figura inacessível.
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O sucesso não estava só nos produtos de qualidade ou nos preços competitivos. Estava na experiência e na identificação. As megalojas se tornaram “shoppings” para que as pessoas simplesmente passeassem e, quem sabe, tivessem a oportunidade de dar um “oi” para o Véio.
Assim, Hang construiu uma legião de fãs que o acompanham nas redes sociais, compartilham suas danças, frases e, claro, suas polêmicas.
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Autenticidade foi o “molho secreto” de Hang
O que faz a receita de Hang dar tão certo?
Uma palavra mágica: autenticidade. Numa era de mensagens clichês, o empresário de Santa Catarina fala o que pensa, doa a quem doer. Ele ri, ele briga, ele dança o “Havan, Havan, Havan” com uma empolgação que é impossível de ignorar. Esse jeito simples atrelado a um populismo praticamente inevitável ao personagem foi o que vez do outrora tímido um ícone pop de Brusque, de SC, do Brasil.

















